terça-feira, 28 de outubro de 2014

Com eleitorado dividido, Rollemberg enfrentará desafio nas administrações regionais



Ao contrário do que aconteceu no primeiro turno, quando Rodrigo Rollemberg (PSB) ganhou em 20 das 21 zonas eleitorais do Distrito Federal, no segundo, o candidato eleito não manteve a mesma vantagem e perdeu nas urnas que correspondem a nove regiões administrativas. Entre elas, zonas que correspondem às populosas cidades de Ceilândia e de Samambaia. Isso coloca em xeque uma das principais apostas do socialista, que é a de fazer eleições diretas para as administrações regionais. Segundo especialistas ouvidos pelo Correio, se não for bem regulamentado, o projeto pode virar um tiro no pé do governo que começa em 2015.

Com eleição direta, Rollemberg corre o risco de eleger gestores contrários a ele, principalmente em regiões mais afastadas da área central do DF, onde o concorrente Jofran Frejat (PR) ganhou. Além de Ceilândia e de Samambaia, Frejat saiu vitorioso em Planaltina, no Gama, em Brazlândia e no Recanto das Emas. Rollemberg teve votação expressiva principalmente no Plano Piloto — na Asa Norte e na Vila Planalto, que correspondem a uma zona, ganhou com 80,42%; e no Cruzeiro, Sudoeste e Octogonal, com 76,24%.

Segundo especialistas, o problema das eleições para administradores regionais não está em como operacionalizar a votação, mas, sim, uma possível dificuldade para governar por parte de Rollemberg. “Não há dúvida de que a comunidade deve participar da escolha do administrador, mas temos de saber de que forma isso vai ser regulamentado porque o Rollemberg não pode mudar o modelo político do DF, que é uma unidade administrativa, não um estado com prefeituras”, analisa João Paulo Peixoto, cientista político da Universidade de Brasília (UnB).

“Essa situação pode trazer um problema de governança, que pode atrapalhar a unidade do DF e a própria população. Por exemplo, uma cidade como Planaltina, onde Frejat ganhou, elege um administrador com outra orientação política. O governador diz que as prioridades para a região são transporte e segurança, por exemplo, mas o gestor local diz que não. Esse administrador vai ter legitimidade para questionar porque foi eleito por aquela comunidade. Vai gerar um impasse para o governo”, alerta José Matias-Pereira, professor de administração pública da UnB.

Controle

A diferença socioeconômica das regiões também deve pesar no funcionamento da proposta de Rollemberg, assim como qual será o papel do administrador regional como gestor e quais as suas competências e atribuições. Por isso, para o cientista político João Paulo Peixoto, a matéria de consulta direta para escolha do administrador precisa ser bem-disciplinada para evitar distorções. “No Distrito Federal, o governador tem um controle grande das regiões administrativas. De que adianta eleger um administrador sem autonomia e sem orçamento?”, questiona.


O professor José Matias-Pereira defende que um caminho para tornar viável o projeto de Rollemberg seria o DF seguir o modelo de Columbia, nos Estados Unidos, onde fica a capital daquele país, Washington. “Hoje, o DF é uma unidade administrativa. Poderia deixar só o núcleo do Plano Piloto como unidade administrativa e transformar o restante em estado e criar municípios autônomos”, sugeriu.




Apoio a Rollemberg


Guará
É a sexta maior zona eleitoral do DF, com 113.298 eleitores e 420 seções. Em uma faculdade da região, o estudante Arthur Araújo Barros, 22 anos, escolheu Rodrigo Rollemberg como governador. Além de se identificar com os ideais do socialista, o aluno de educação física acredita que o candidato do PSB tem intenções propositivas. “Acredito que ele seja um bom nome para administrar o Distrito Federal e tenha boas intenções para fortalecer o esporte em Brasília”, explicou.

Samambaia
Em Samambaia, o microempresário Robson Carneiro, 38 anos, optou por Rollemberg por acreditar no melhor para o desenvolvimento do Distrito Federal. Ele levou a filha Fernanda Carneiro, 2 anos, para participar do momento. “Votei em Rollemberg e espero que ele cumpra todas as promessas que fez durante a campanha. Não dá para continuar com o que está aí, e o país precisa confiar na mudança com trabalho e dignidade”, disse.

Asa Sul
Em um colégio da rede pública na 602 Sul, a servidora Lúcia Almeida, 55 anos, vestiu as cores verde e amarelo para se dirigir à urna. Envolvida na Bandeira do Brasil, ela confessou a escolha por Rodrigo Rollemberg por causa do discurso e das propostas ao longo da campanha. “Optei por digitar o número 40 pelo que vi e ouvi dele nos programas eleitorais. Foi o candidato que eu mais me identifiquei porque não acredito nas ideias do adversário. Antes de tudo, precisamos torcer para o Brasil”, afirmou.

Apoio a Frejat



Águas Claras
Na maior zona eleitoral do DF, com 127.357 eleitores e 448 seções, Domingos Bazzo Neto, 36 anos, e Erika Alves Tozetti, 31, vestiram as cores do Brasil. O casal levou o filho Eduardo Tozetti Bazzo, 2, para participar do pleito. O empresário e a designer de interiores não esconderam a vontade de mudança. A opção de ambos foi por Jofran Frejat. “A nossa escolha foi em Jofran porque, entre ele e Rodrigo Rollemberg, Frejat representa a força e a vontade. Já foi deputado três vezes, secretário de Saúde e tem experiência”, destacou Domingos.

Ceilândia
Na cidade com a maior seção eleitoral, Maria Brilhante de Arantes, 74 anos, não é mais obrigada a votar, mas fez questão de exercer a cidadania em uma escola pública de Ceilândia. A aposentada decidiu por Frejat (PR) nas urnas. “Tenho prazer de dar o meu voto e não deixo de vir para eleger os representantes do país. Escolhi Jofran Frejat porque acho que ele trabalhou muito bem quando era secretário de saúde. Os hospitais eram bons, e eu gostava do serviço de atendimento aos pacientes”, esclareceu.

Samambaia
A região é considerada a quarta maior zona eleitoral do DF, com 116.769 votantes e 389 seções. Samambaia perde apenas para Águas Claras, Gama e Planaltina. Em um colégio da rede pública, Clarice Maria Pereira, 61 anos, votou em Jofran Frejat. A aposentada explicou o motivo: “Ele é um homem de caráter e conhece bem Brasília, desde quando era secretário de Saúde. Identifico-me com ele e com as propostas para o DF”.

Por Flávia Maria do Correio Web
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