domingo, 19 de outubro de 2014

Morador de Ceilândia e reeleito deputado distrital, o Vigilante que poucos conhecem


Muitos conhecem, ou imaginam conhecer, o deputado Chico Vigilante das manifestações de ruas e das polêmicas nos plenários da Câmara dos Deputados e da Câmara Legislativa do DF, mas este blog foi atrás de conhecer e trazer para você além do político. Buscamos as origens e a costumeira sinceridade para tratar todos os temas nesta entrevista.
O nordestino Francisco Domingos dos Santos saiu de Vitorino Freire, no Maranhão, rumo ao Planalto Central. Como a maioria dos que chega à capital federal, com a bagagem repleta de sonhos, sendo o principal deles o de vencer na cidade grande. Determinado, Francisco logo arrumou uma oportunidade como vigilante. Na solidão do trabalho noturno, tinha como companhia um radinho de pilhas onde ouvia entusiásticas declarações de outro trabalhador, representante de muitos companheiros no ABC paulista: Lula da Silva. Aquele que mais tarde viria a ser um grande amigo e companheiro de legenda foi o primeiro ídolo e referência para a formação do caráter sindicalista de Chico Vigilante.

“Eu ouvia o Lula falar no rádio e pensava comigo mesmo: quero ser como ele!”, conta. E se tornou. Com uma dose de sonho idealista e muita determinação, Francisco Domingos se tornou um sindicalista aguerrido igual a Luiz Inácio Lula da Silva. Mais tarde um dos maiores companheiros de legenda.
E Francisco virou Chico Vigilante. Em 1979, entrou para a vida pública com a criação da Associação dos Vigilantes do DF, posteriormente transformada em Sindicato, do qual foi presidente entre 1984 e 1990.
Chico Vigilante ajudou a fundar o PT-DF, que presidiu por três vezes. Antes disso, esteve à frente da Central Única dos Trabalhadores – CUT, por nove anos consecutivos, onde também participou da criação.
O vigilante político e um político vigilante
Em 1986, o vigilante obteve uma votação bastante expressiva como candidato a deputado Constituinte, mas não tomou posse por conta do quociente eleitoral. Em 1990, Chico foi eleito deputado federal e reeleito em 1994 como o mais votado de Brasília e, proporcionalmente, do Brasil. O vigilante tornou-se um dos maiores expoentes do PT no Distrito Federal. Em 2002, eleito deputado distrital, levou para a Câmara Legislativa a mesma forma de trabalhar que desenvolveu na Câmara Federal. De forma efetiva, atuou nas áreas de segurança, saúde, defesa do consumidor (CPI dos Combustíveis), educação, ocupação do solo e moralização do Poder Legislativo.
Chico retorna à Câmara Legislativa, depois de ser eleito em outubro de 2010, para novos desafios. Mas, como ele mesmo diz, instrumentos são os mesmos: coragem, determinação, ética e transparência. Seu retorno coincide com o que ele mesmo define como sendo um dos momentos mais importantes da sua vida como parlamentar: “O PT no comando do Governo do Distrito Federal, outra vez com o desafio de moralizar Brasília. Tendo no comando do Brasil, o pulso firme da primeira mulher presidente do país, a petista Dilma Roussef”.
Nesta eleição de 2014, Chico Vigilante, que é considerado um dos políticos mais leais no DF como afirmam até seus adversários, e sem “papas na língua”, foi reeleito com 17.040 e ele considerou essas eleições as mais difíceis da sua carreira política. Mesmo com toda a dificuldade, a rejeição ao PT “não colou” na sua candidatura. Enquanto a disputa ao Palácio do Buriti neste segundo turno ele deixou a entender que votará nulo.
Rádio Corredor - Como o senhor encarou essa campanha?
Chico Vigilante - A antipolítica impera em todo o Brasil. Eu faço a questão de me apresentar como político. Não me escondo, tenho o orgulho de ser político. Essa campanha foi uma das mais difíceis da minha vida, mas no final deu tudo certo.

RC - Por que o senhor está chateado com o senador Cristovam Buarque?
CV - Nossa história é longa. Em 1994, ninguém acreditava na candidatura dele a governador do Distrito Federal. Walmir Campelo era imbatível. Uma das histórias interessantes é que na época tinha um cartaz tão mal feito que o Cristovam ficou parecendo Zacarias dos Trapalhões. Gladyz, a esposa dele não deixou ir para rua de jeito nenhum. Logo após fizemos outro material e fomos as ruas. No final de tudo de forma surpreendente de virada ganhamos as eleições.

RC - Existe mágoa?
CV - Não estou magoada com ele. Eu votei nele seis vezes. O que eu posso dizer é que o nosso divórcio político não está sendo divórcio amigável. Fui até conselheiro político dele. Na época que Lula foi presidente eu o aconselhei a não ser Ministro da Educação. Pois, seria uma pasta muito difícil. Depois ele reclamou que foi demitido por telefone. O engraçado que quando ele foi governador ele demitiu Hélio Doyle(jornalista) também por telefone quando o mesmo estava de férias. E hoje Doyle está junto com ele nessa empreitada com Rollemberg.

RC - Como o senhor vê o atual cenário político?
CV - Não votarei em nenhum dos dois candidatos que aí estão. O que eu quero é que a população preste bem a atenção nesse tanto de promessas. O orçamento de 2015 está todo carimbado já tem a sua destinação.

RC - Por que as promessas não serão cumpridas?
CV - Eu daqui fico só olhando esse tanto de promessas. O próprio Rodrigo Rollemberg fica dizendo que vai construir creches em todo canto. Eu acompanhei de perto todo esse processo. Nem terreno para construir as creches tem. Não adianta dizer que Agnelo não fez creches no Sol Nascente, Porto Rico e outros locais porque não quis. A verdade é que a condição fundiária do DF é mais intricada do que pensam.

RC - Como o senhor avalia os quatro anos de governo Agnelo?
CV - O Agnelo governou sem mágoa. A população confundiu urbanidade com falta de autoridade. O governador Agnelo é uma pessoa que não é arrogante e nem prepotente. E mais: Agnelo teve a coragem de mexer no transporte público, de enfrentar os empresários e pagar a dívidas trabalhistas dos rodoviários.

RC - As bases políticas foram leais ao governador?
CV - Nós perdemos essa eleição no dia 1 de janeiro de 2011. Cada secretaria era uma ilha, os secretários só pensam em seus interesses. Os administradores, salvo raríssimas exceções, boicotavam o governo. Quando as ações eram boas o administrador dizia que era ele. Quando algo era ruim ficava tudo nas costas do governador.

RC - Em que Agnelo errou?
CV - A comunicação foi extremamente falha ao botar dinheiro em grandes jornais, rádios e TVs. Eles acharam que os blogueiros eram insetos, as pessoas precisam entender que cada cidadão se quiser é dono de canal de rádio e TV. Ele com o celular na mão é dono da informação. No facebook a pessoa hoje tem no mínimo 5 mil seguidores, o alcance é muito maior do que a circulação de muitos jornais por aí, ou aprendemos a viver com essa nova comunicação ou nós daremos mal. O presidente Lula que enxergou isso, sempre deu entrevista para os blogueiros e por isso, que sempre apanhou da grande mídia.

RC - Qual é o seu caminho daqui para a frente?
CV - Vou ficar na oposição e fazer com decência e sem barganhas. A população nos mandou para a oposição para fiscalizar.

Por Odir Ribeiro - Blog Rádio Corredor
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