quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Ex-morador de rua de Ceilândia cria centro de reabilitação para dependentes em GO

Judinaldo e Adriana estão abrigados no centro com
a filha (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Após 20 anos lutando para se livrar do vício em drogas, Geraldo Júnior, 38 anos, conseguiu se reabilitar e fundou uma entidade para ajudar dependentes químicos em Valparaíso de Goiás, no Entorno do Distrito Federal. O Centro de Reintegração Familiar Social Trabalhista (Crefast) funciona há quase dois anos e abriga, atualmente, 14 pessoas. A entidade, que não tem apoio governamental, sobrevive de doações e enfrenta dificuldades financeiras.

Geraldo conta que fumava crack desde a adolescência e conseguiu abandonar o vício após se internar em uma entidade. Como "retomou a vida de volta", ele decidiu ajudar outras pessoas que passavam pela mesma situação. “O trabalho que venho desenvolvendo é pegar a pessoa e despertar nela o interesse de ser melhor, de sair do mundo das drogas, se reintegrar, e aprender a conviver com outras pessoas de novo”, diz.
Uma das internas do Crefast é Sandra Vieira, 28 anos, que teve o primeiro contato com as drogas aos 12 anos. Ela conta que começou a fumar maconha, depois passou consumir cocaína e crack. Em função do vício, perdeu a convivência com a família, que morava em Goiânia, e seguiu para a cidade de Ceilândia, no Distrito Federal, onde passou a viver nas ruas. “Perdi a moral, o caráter e a personalidade. Minha família era bem-sucedida e deixei tudo isso para ficar morando nas ruas”, relatou.
Depois de tentar a reabilitação em oito casas de tratamento para dependentes químicos, ela afirma que encontrou no Crefast o apoio que precisava. No local, ela ajuda com os serviços domésticos e participa de um grupo bíblico e diz que acredita em um “novo começo”.
O casal Judinaldo Nunes e Adriana Alves, de 40 e 19 anos, respectivamente, que estão no centro há cerca de 20 dias, lutam para abandonar o vício. Eles moravam nas ruas da cidade com a filha Nayane, de 3 meses. “Já mudou muito a nossa vida, pois antes a gente vivia nas ruas, sujo, nos drogando. Aqui não, ficamos limpos, sem usar drogas”, relatou a jovem.
Judinaldo afirma que antes vivia sem regras, consumindo álcool e drogas, mas que agora a situação da família melhorou. “Estamos mais acolhidos, não mais jogados nas ruas. Também não estamos mais usando drogas, estamos indo para a igreja e gostando muito”, afirmou.
Dificuldades
O centro funciona em duas casas, cujos aluguéis somam cerca de R$ 3 mil. Além disso, a entidade tem que arcar com outras despesas, como gastos com comida, água e luz. “Estamos enfrentando muitas dificuldades, com aluguel atrasado há seis meses. Por isso, peço que quem puder nos ajude, pois não temos outro local para abrigar os internos”, afirmou Geraldo ao G1.

Centro funciona em duas casas alugadas e abrigam 14 internos (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)


Geraldo destaca que, após o tratamento para abandono das drogas, o objetivo do Crefast e reintegrar as pessoas à sociedade, principalmente por meio do mercado de trabalho. “Fazemos o primeiro acolhimento, para que a pessoa possa se restabelecer com dignidade, até poder seguir por conta própria. Por isso, não podemos deixar esse trabalho morrer”, destacou.

Um exemplo de sucesso do qual Geraldo se orgulha é o estoquista José Erivan do Nascimento, que era alcoólatra e, após uma temporada no centro, conseguiu um emprego. “Graças a Deus, a gente está aí no serviço, no dia a dia. Eu sempre fui trabalhador, mas me entregava a pinga, passava o tempo nas ruas e não tinha outro lugar para ir. Felizmente, tive esse apoio”, relatou José.
Informou o G1
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