terça-feira, 25 de novembro de 2014

Os eleitos do governador Rollemberg, quem são, e o que trazem no currículo


Rômulo Neves é diplomata e voltou recentemente da Etiópia, na África. Carlos Tomé formou-se em engenharia civil e direito, mas virou doutor em mudanças climáticas. Há ainda o historiador Marcelo Dourado, a cientista política Leany Lemos e o expert em recursos hídricos Paulo Salles. Em comum, eles cruzaram o caminho do governador eleito Rodrigo Rollemberg (PSB) em algum momento nas últimas quatro décadas. E, em futuro próximo, serão nomeados a cargos estratégicos na administração que começa em janeiro. Tais pessoas são parte de um grupo de conselheiros mais ligados a Rollemberg que exercerá papel de destaque nos rumos do DF. Uma característica predominante já desperta curiosidade na primeira convocação do novo chefe do Executivo: a formação qualificada de seu time. Num paralelo entre currículos acadêmicos, o mais modesto é o do próprio governador, que se graduou em história, na Universidade de Brasília (UnB). Entre os eleitos por ele, no entanto, há um desfile de títulos de doutor, vários carimbados no exterior.

 
RÔMULO NEVES
Na órbita de Rollemberg, existem aproximações mais recentes e outras mantidas desde os anos 70. O professor Paulo Salles conheceu o socialista quando ele ainda nem havia ingressado na política. Ambos cursavam a universidade. Foi por intermédio da mulher de Rollemberg, Márcia, que os dois viraram compadres. Salles é padrinho de Ícaro, filho mais velho do governador eleito. No primeiro mandato de Rollemberg como distrital, Salles o auxiliou na Câmara Legislativa. Nos anos seguintes, o político seguiu seu curso na vida pública, e o amigo, na acadêmica. Neto de Cora Coralina — a famosa poetisa autora de O Cântico da Terra —, Salles saiu-se mais à água em suas referências ecológicas. Virou Ph.D. no assunto pela Universidade de Edimburgo, na Escócia, e depois ocupou cargos de chefia em comitês de gestão hidrográfica do Centro-Oeste. Certamente, questões como o assoreamento do Paranoá e as reservas de abastecimento do DF farão parte dos temas sobre os quais Salles terá ingerência. “Vivemos um problema antigo de comprometimento do Lago Paranoá que denuncio desde 2011”, diz o professor.
 
CARLOS HENRIQUE TOMÉ

Ao escolher mais um assessor com perfil voltado para as questões ambientais, Rollemberg sinaliza que o desenvolvimento sustentável fará parte de suasprioridades. Coordenador da área técnica da transição, Carlos Henrique Tomé formou-se em engenharia civil e depois chegou a bacharel em direito. Mas sua tese de doutorado na UnB versou sobre mudanças climáticas. A inspiração para estudar o assunto veio depois de ele redigir o trabalho final da comissão mista de mudanças climáticas, quando já era consultor legislativo no Senado e trabalhava para o então senador Renato Casagrande (PSB-ES). Nesse período, esbarrou com Rollemberg, na época deputado federal. Quando o último virou senador, pediu a ajuda de Tomé para o projeto de lei que reformula a extensão do Parque Nacional da Serra da Canastra, algo que mexe com os limites do Rio São Francisco. “Fiquei bem impressionado em ver um senador pelo DF comprar essa briga, muito mais ligada a Minas Gerais”, conta Tomé. Em 2011, ele acabou se aproximando tanto de Rollemberg que pediu ao político para assinar a ficha de filiação ao PSB. Já naquele tempo, o partido era presidido por Marcos Dantas, mais um entre os pitaqueiros de Rollemberg. Em 2012, o socialista foi o primeiro a se retirar da base de Agnelo Queiroz (PT) para montar o projeto de uma candidatura própria ao governo. “Rollemberg me ouviu”, comemora Dantas.

PAULO SALLES 

 As bases do partido também aproximaram Rollemberg de Rômulo Neves. Em São Paulo, onde iniciou sua carreira, Neves trabalhou em campanhas da deputada socialista Luiza Erundina. Depois, quando se mudou para Brasília, procurou as lideranças locais do PSB e assim encontrou o futuro governador. Na capital paulista, Neves cursou jornalismo, formou-se em ciências sociais pela USP e fez mestrado em sociologia. Instalou-se em Brasília com o intuito de seguir carreira diplomática, após ser aprovado no Instituto Rio Branco. Por aqui, iniciou o doutorado em relações internacionais na UnB, mas interrompeu o curso para viajar para a Etiópia, onde passou dois anos como diplomata. Durante a campanha, Rômulo Neves assumiu uma das funções mais importantes do então candidato. Era ele quem fazia a agenda do político. Na transição, virou o coordenador de relações com o governo e deve oficializar-se como um dos assessores mais importantes de Rollemberg. Ainda na turma dos contatos mais recentes está Leany Lemos, que tem pós-doutorado em ciências políticas pelas universidades de Princeton e Oxford. Funcionária concursada do Senado, ela se tornou chefe de gabinete da liderança do PSB na Casa. Agora, faz o papel de coordenadora executiva da transição. Certamente estará no primeiro escalão do governo.

PAULO SALLES 

Outro nome que constará no organograma oficial do GDF é o de Marcelo Dourado. O baiano, pai de cinco filhos, apaixonado por vinhos, corrida e violão, integra o grupo dos amigos de longa data de Rollemberg. Os dois se conheceram na juventude. Foram colegas no curso de história. E, desde o mandato de Rollemberg como distrital, trabalham juntos. O último posto que Dourado ocupou foi a chefia da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), uma indicação política do amigo senador. Hoje, o historiador tem sob seu guarda-chuva na transição nove temas, entre eles trabalho, entorno, turismo e regularização fundiária. Será um curinga no Palácio do Buriti. No rol de velhos conhecidos ainda aparece Paulo de Tarso Castilho. Ele conheceu Rollemberg garoto, na Escola Classe da 206 Sul. Formado em ciências políticas, trabalha com o senador desde 1996. “A gente é do tipo que sabe o que o outro pensa pelo olhar. Nós trocamos ideias desde política até a situação do nosso Botafogo”, diz. Na terça (18), Castilho passou a ajudar na transição. Com escalação quase definida, Rollemberg agora tem como grande desafio conciliar esses currículos vistosos com as imposições políticas que os partidos aliados certamente farão em busca da partilha de poder.


Por Lilian Taha da Veja Brasília
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