quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Proposta de Rollemberg para eleição direta nas administrações pode não sair do papel


O governador eleito no Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), tinha como uma de suas principais bandeiras de campanha a eleição direta para as administrações regionais. Se levar a ideia adiante, o novo governo poderá enfrentar dificuldades. Por isso, especialistas apostam que a proposta não deve sair do papel.
Para o cientista político Flávio Testa, a ideia é “muito ruim”, já que as regiões administrativas do DF não recebem orçamento.

— Você não pode ter alguém com mandato sem orçamento. No que você vai basear suas propostas se você não tem orçamento? Não tem autonomia para definir aonde você vai gastar? A grande questão é a seguinte: você elege, mas vai continuar dependendo muito mais do governo que das pessoas [eleitas]. Ele [o administrador eleito] depende do que o governador determinar.
O especialista acredita que Rodrigo Rollemberg tem boa intenção, mas que sua proposta criará uma “falsa sensação” para os eleitores, já que eles passarão a acreditar que têm poder de controlar as melhorias de sua cidade por meio da eleição dos administradores, quando, na verdade, o administrador eleito não terá autonomia suficiente para isso.
— [O administrador] vai dever uma resposta ao governo, porque é o governo que tem o dinheiro. Existe uma regra que diz: quem tem o dinheiro manda. Os administradores só seguirão as orientações de quem tem orçamento. Não existe autonomia política sem orçamento no modelo que o Rodrigo [Rollemberg] criou.
Crítico da proposta, Flávio Testa teme que o caos no governo possa ser ainda maior, caso seja eleita uma pessoa "incompetente" ou que faça oposição ao governo de Rodrigo Rollemberg.
— Mesmo que o Rodrigo alegue que terá relação republicana, o administrador pode passar a fazer campanha contra ele para sair como candidato a governador depois. Como ele não tem autonomia, não tem responsabilidade. Pode dizer: não fiz porque o governador não me deu dinheiro. Isso vai criar um fuzuê político. Rollemberg terá mais problema para administrar isso que os problemas da cidade. A intenção é nobre, conferir mais democracia, mas a execução é difícil. É o tipo de problema que não precisa criar para ele agora, não tem sustentação política.
O jornalista Hélio Doyle, coordenador-geral da equipe de transição de Rodrigo Rollemberg, e porta-voz do futuro governador diz que a proposta de eleger os administradores pelo voto ainda será discutida com as comunidades, com a sociedade civil e com a Câmara Legislativa.
— Não há fórmula pronta. O modelo será construído no debate. O limite é a Constituição.
Doyle disse ainda que Rodrigo Rollemberg não teme a possibilidade de que seja eleito alguém da oposição como administrador regional do DF. Para ele, isso faz parte do processo democrático.
— Se você acredita em um processo democrático, tem que estar preparado para ganhar e perder.
Por R7
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