sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Carta Aberta: Ceilândia é indivisível!


Diante da proposta do governo Rollemberg, de dividir arbitrariamente a Ceilândia ao meio para atender acordos políticos que não contribuem para a resolução dos seus graves problemas, o Fórum Permanente Ceilândia Viva divulga a seguinte Carta Aberta:
 
A promessa de Rollemberg de “ouvir entidades e movimentos sociais na escolha e nomeação dos administradores regionais” não resistiu a 20 dias de governo. 
 
Essa crise ele não poderá jogar no colo do ex-governador Agnelo. Essa ele próprio inventou e vai ter que carregar, pois deixou o gosto amargo da desconfiança nas bocas que gritaram seu nome nas eleições do ano passado.

 
Não foi por acaso que Rollemberg incluiu a questão da escolha dos administradores regionais na sua campanha. Ele sabia dessa antiga reivindicação das cidades, pois as percorreu diversas vezes à procura de votos. Ele sabe que essa proposta significou o apoio de milhares de eleitores para sua campanha de 2014. Agora, o eleitor espera que ele comprove a coerência de sua política.
 
Não queremos crer que Rollemberg tenha falado em escolha e eleições diretas para administradores regionais sabendo que a proposta era impossível, pois teria sido leviandade da parte dele. Também não queremos crer que ele tenha falado apenas para ganhar votos, pois isso teria sido oportunismo, que na política é vício que envergonha a sociedade. Os eleitores do Distrito Federal votaram em Rollemberg confiantes em causas mais nobres, entre elas a autonomia política e administrativa das cidades, a participação popular nos destinos do DF e o fim do abandono das periferias, comum a todos os governos que o antecederam. Causas do socialismo verdadeiro, que não podem ser esquecidas em gavetas, nem negociadas com deputados, nem transformadas em leviandade e oportunismo.
 
Independente das razões que o fizeram prometer a escolha e eleição dos administradores, ouvindo as entidades e os movimentos sociais, resta ao governo Rollemberg cumprir o prometido, sob pena de ver escorrer pelo ralo o apoio que lhe deu o eleitor brasiliense em 2014. Queremos que Rollemberg tenha coragem e não se deixe enganar. Esses que agora o pressionam para que seu governo falte com a palavra nessa questão das administrações regionais, vão rir quando as pesquisas de opinião reprovarem o seu governo, pois lavam as mãos hoje e lavarão no futuro.
 
Idêntico às outras regiões administrativas do DF, que acreditaram na seriedade da proposta do governo Rollemberg de ouvir o movimento social organizado para a escolha e indicação dos administradores, o caso de Ceilândia é emblemático. Desde o resultado das eleições 2014, a cidade se desdobrou em reuniões, construção de Fórum Permanente, seminário, lista tríplice e outros esforços de participação próprios da ética que devolve à política o seu caráter legítimo de ação em prol dos interesses coletivos.
 
Vê-se, no entanto, que a paciência pode não ter sido a melhor conselheira no caso de Ceilândia, pois o governo Rollemberg desconsiderou o diálogo democraticamente colocado à mesa: sequer marcou a audiência solicitada pelo Fórum Permanente e só recebeu a comissão da cidade - por meio de uma assessora de plantão, após visita surpresa ao grupo de transição no dia 12 de dezembro passado. Depois disso, silêncio sepulcral.
 
Não foi por falta de tempo, nem de informação que os movimentos sociais - entre eles o Fórum Permanente Ceilândia Viva, deixaram de ser recebidos pelo grupo de transição e pelo governo empossado no dia 1º de janeiro de 2015. Mas, essa falta proposital de diálogo – que é própria daqueles que escolhem, antecipadamente, “com quem querem se comprometer” pode produzir estragos políticos indesejáveis ao novo governo.
 
Ceilândia, por exemplo, é a grande vítima: a maior cidade do DF em número de eleitores e a segunda em arrecadação de impostos, foi rachada ao meio com um golpe autoritário, como não seria de se esperar de um governo democrático, principalmente de um governo dirigido por um socialista. Ao contrário, foi dada em pagamento para deputados e grupos políticos que, mesmo incapazes e ilegítimos, se consideram, “donos da cidade” e se negam a contribuir para o fortalecimento da unidade cultural, política e social da cidade.
 
Como socialista que é, desde que entrou na política - como alega ao dizer que nunca esteve em outro partido além do PSB, Rollemberg deveria demonstrar ao povo brasiliense o que aprendeu com o socialismo nessas décadas de militância.
 
Temos certeza que não há uma só formulação de inspiração socialista que o tenha orientado no sentido de desunir, separar e fragmentar artificialmente uma cidade como Ceilândia, cuja unidade de 44 anos foi construída com a luta incansável dos erradicados das favelas do Morro do Urubu, Vila do IAPI, Placa das Mercedes, Vila Tenório, Esperança, Bernardo Sayão, Morro do Querosene, Curral das Éguas e outras mais recentes – esforço heróico de construção basilar de convivência harmônica de uma comunidade de 600 mil habitantes.
 
Convictos de que a divisão autoritária da cidade, sem base científica que a justifique e sem consulta à sociedade ceilandense, é uma agressão sem precedente que não resolverá seus graves problemas, mas causará uma inaceitável ruptura cultural, social, econômica e psicológica com danos irreparáveis à organização da cidade, conclamamos o cidadão ceilandense para:
 
1 – DIZER NÃO a proposta do governo de dividir arbitrariamente a cidade de Ceilândia.
 
2 – ASSINAR o abaixo-assinado que será enviado à Câmara Legislativa do DF para que ela REJEITE a proposta de divisão da cidade de Ceilândia.
 
Ceilândia, 22 de janeiro de 2015
 
FÓRUM PERMANENTE
 

CEILÂNDIA VIVA
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