sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Placas penduradas em um beco de Ceilândia avisam do risco de assaltos


Cansado de ver pedestres sendo assaltados ao lado de uma igreja entre a QNN 23 e a 32 em Ceilândia, no Distrito Federal, o mecânico Paulo Roberto, de 46 anos, decidiu alertar a população sobre o perigo na região. Com tinta, ele pintou muros e pendurou placas com os dizeres "risco de assalto", na esperança de diminuir a quantidade de vítimas roubadas em plena luz do dia.
O local fica entre uma área comercial e outra residencial. Para chegar de um lado ao outro, é preciso atravessar um caminho estreito e sem saídas laterais. “Minha oficina fica praticamente em frente ao ponto de assalto. Como é um beco, não tem para onde a pessoa ir, ela fica cercada. Quando os meninos descem do colégio, por volta de meio-dia, ou quando sobem para a aula, sempre tem assalto", diz. "Uma escola até arrumou um ônibus para levar os meninos até o metrô por causa de tanto assalto."

O vigilante Davi Pinheiro afirma que já presenciou vários roubos no local. "Trabalho aqui do lado e vejo assalto direto. Os bandidos não se incomodam com ninguém, assaltam quem estiver passando. Com o alerta diminui, mas com a volta às aulas, volta tudo ao normal."
"É só alguém andar com o celular na mão que é assaltado", diz o mecânico. "De vez em quando a gente até tentava correr atrás dos assaltantes, tentava tomar o celular que roubavam. Geralmente são adolescentes que andam armados. Eles agridem com murros para roubar, principalmente mulheres e adolescentes.”
Embora soubesse que a área é ponto de assalto há algum tempo, o comerciante só teve a ideia de avisar a população depois que o filho de 15 anos sofreu uma tentativa de roubo no mesmo lugar. “Ele percebeu que ia ser assaltado e fingiu que ia entrar em uma casa. Ele sabia que é perigoso, eu avisava ele, mas adolescente, você explica as coisas e eles não escutam.”
Um dos muros pintados pelo mecânico pertence a uma igreja. Responsável pelo local, o pastor não se queixou sobre a “pichação” em sua propriedade. “Ele até aprovou porque a filha dele também foi assaltada”, disse. “Agrediram ela. Quando é mulher, eles logo agridem.”

O mecânico disse que a comunidade agradeceu a iniciativa. “O pessoal elogiou, e agora estão até querendo me ajudar, fazer um fundo melhor, uma pintura melhor, escrever mais visível.”
O publicitário Carlos Paiva disse que se considera "alertado" com as placas. "Quando eu vi o aviso pela primeira vez, fiquei com receio de passar por aqui. Pensei até em voltar e fazer outro caminho."
Informações e imagens do portal G1
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...