quinta-feira, 5 de março de 2015

Agefis estuda caso de igrejas que ocupam irregularmente rua de Ceilândia

Igreja Sara Nossa Terra 

A Agência de Fiscalização do DF (Agefis) identificou pelo menos 10 igrejas construídas recentemente em área pública em Ceilândia e deve demoli-las nos próximos dias. Todas foram notificadas e orientadas a destruir as construções — caso não o façam, ficará por conta da Agefis. Os templos são semelhantes e começaram a ser levantados na mesma época, em julho passado. Além desses, um grande templo da Sara Nossa Terra em terreno do GDF, em Ceilândia, é suspeito. As condições para a liberação de documentos que permitiram a construção foram apuradas pelo Ministério Público do DF e Territórios, que julgou o trâmite como irregular (Veja fac-símile). A Polícia Civil abriu inquérito para investigar o caso.




As oito igrejas conseguiram, em julho de 2014, uma licença eventual do terreno. O documento vale por três meses e, geralmente, é expedido pela administração regional para uso temporário, como a realização de eventos. Os templos, contudo, não respeitaram a validade do documento. A maioria das terras é de propriedade da Agência de Desenvolvimento do DF (Terracap), e as estruturas foram construídas exatamente no espaço do órgão. Isso não aconteceu à toa. A esperança dos pastores era conseguir a prioridade na aquisição da área — a exemplo do que ocorreu em outubro último, quando uma lei regularizou mais de 1,4 mil endereços religiosos instalados em área pública.


Os templos são praticamente vizinhos, na Avenida Ame Mais — conhecida pelo nome devido a um motel situado na região norte da cidade. Muitos deles ainda estão em construção. A reportagem do Correio foi até lá e presenciou pedreiros trabalhando no local. Moradores da região confirmaram que os espaços são recentes. Outra suspeita levantada pelo GDF é a invasão de um estacionamento público pela Assembleia de Deus na QNP 22.

O presidente da União de Igrejas Independentes do DF, Pastor João Dito, representante de quatro templos ilegais, admite ter sido notificado pela Agefis, afirma que ocupou o terreno após licença temporária e pretende ter prioridade na compra. “Nossa intenção é dialogar com o governo para podermos participar da licitação e, assim, adquirirmos o local. Também queremos que a Agefis não atropele os fatos”, diz. Ele defende o papel da religião na comunidade. “O índice de homicídios diminuiu depois da instalação das igrejas. Tiramos pessoas das drogas, fazemos um trabalho social que, muitas vezes, nem o Estado é capaz de fazer.”

Informações do Correio Web
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