quarta-feira, 4 de março de 2015

Agefis pedirá a PM que expulse desabrigados do Nova Jerusalém de um galpão em Ceilândia


A Agefis (Agência de Fiscalização do DF) afirmou nesta manhã ao portal R7 que vai pedir a Polícia Militar que expulse os os moradores da Nova Jerusalém acampados em um galpão no bairro de Guariroba, na região administrativa de Ceilândia. No bairro funcionam duas estações do Metrô e o campus UnB-Ceilândia.
Para a presidente do órgão, Bruna Pinheiro, a instalação de ex-moradores no local pode ser considerada uma nova invasão.  Segundo ela, lá não há banheiros e o abrigo é precário para as famílias. Desde esta terça-feira (3) aproximadamente 25 pessoas estão no ginásio em Guariroba. Segundo a moradora Késsia Barbosa, elas chegaram "de carona" em caminhões" e muitas "estão só com a roupa do corpo dormindo em colchonetes emprestados".

Ainda segundo ela, há várias famílias do lado de fora do ginásio querendo entrar no local.O destino das famílias é a nova polêmica do caso que começou com a decisão do governo distrital de pôr abaixo 421 obras ilegais para a construção de casas populares e outras benfeitorias. Dados da Agefis indicam que apenas 20% das casas e barracos eram habitados e aos moradores foi dada a opção de usar a rede de abrigos públicos do GDF. Doze famílias se interessaram em se mudar para os albergues mas desistiram.
Para Renivaldo Alves, líder da comunidade que ocupava a invasão de Nova Jerusalém, o governo impediu que os moradores permanecessem juntos num mesmo lugar. Ele acusou os representantes do governo de forçar a divisão das famílias e disse que "ninguém é morador de rua para ir para albergue". O líder comunitário disse ainda que não interessa aos moradores outra solução que não seja receber casas prontas para morar.
— O programa Morar Bem também não é solução porque muitos moradores ainda sequer estão alistados para receber uma casa. Não queremos a dispersão das famílias. Queremos que todos fiquem juntos.
Ao todo, 335 construções irregulares foram demolidas na área conhecida como Nova Jerusalém. A operação, com agentes da Agefis e policiais militares, começou às 10h da segunda-feira (2) e tem previsão de encerramento nesta quarta (4). Segundo a Agefis foram removidos 1,2 mil metros lineares de cabos de energia, cem pontos de luz e mais de 20 caminhões de entulho.
Em entrevista ao R7 nesta terça-feira (4), desalojados do condomínio Nova Jerusalém  contestaram  a presidente da Agefis (Agência de Fiscalização do DF), Bruna Pinheiro, que defendeu, em entrevista à TV Record, a forma com que os moradores estão sendo retirados do local. Segundo ela, os fiscais e a polícia agiram dentro da Lei, deram suporte às famílias e trabalharam respeitando o direito aos bens em posse dos moradores.
Segundo duas ex-moradoras, ao contrário do que afirma o GDF, muitas famílias não puderam remover seus móveis e pertences antes das casas serem derrubadas.
— Quando cheguei à Nova Jerusalém à tarde encontrei um cenário de guerra. Fumaça de pneus queimados, muito entulho na lama, famílias ao relento e o barulho dos tratores derrubando casas. Helicóptero, cavalaria e bombas, além de gente reclamando de ardência nos olhos, afirmou a moradora Késsia Barbosa.
Informações do Portal R7
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