quarta-feira, 25 de março de 2015

Corregedoria investiga abusos cometidos por agentes do Detran em Ceilândia




A corregedoria do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) investiga a autenticidade de dois vídeos supostamente gravados por auditores da autarquia durante uma fiscalização, em Ceilândia. As gravações que circulam pela internet mostram uma conduta hostil contra dois homens flagrados pelos agentes em uma blitz com um carro e uma moto roubados. Após serem imobilizados, a dupla é obrigada a elogiar o trabalho do Detran. No vídeo, eles são tratados com deboche e provocação.

Em um dos trechos, o autor da gravação pergunta “como é perder para o Detran”. Um deles é puxado pela camisa para responder e, seguindo a instrução, é obrigado a dizer que “o Detran é foda, pega mesmo e vagabundo se f... com o Detran”. Em seguida, o mesmo questionamento é feito ao outro rapaz que responde: “Não é bom não [perder para o Detran]”. O homem, responsável pela gravação, ainda rebate: “Não é bom não? É f...? O Detran é mal?”, pergunta.


Em uma nota conjunta, a Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social e o Detran confirmaram que caso haja comprovação de que houve infração funcional por parte do servidor público ele será punido de acordo com a Lei Complementar 840/11. “A Secretaria e o Detran esclarecem ainda que a prisão de criminosos não faz parte das atribuições definidas no regimento interno dos agentes de trânsito e a conduta de constrangimento demonstrada em um dos vídeos não é aceitável para nenhum dos profissionais de segurança pública do Distrito Federal”, informou o documento.

O presidente da Federação Nacional dos Sindicatos dos Servidores dos Detrans Estaduais e do Distrito Federal (Fetran), Eider Marcos Almeida, defendeu a apuração dos fatos por parte da Corregedoria. “Ainda não há informação se quem fez o deboche é ou não servidor do Detran. O órgão apura para investigar quem gravou os vídeos. De toda forma, não é procedimento essa atitude e fala, nem gravar abordagem a quem quer que seja”, destacou.

Segundo a professora do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadora do Núcleo de Estudos de Violência e Segurança da UnB, Maria Stela Grossi, o vídeo indica abuso de autoridade. “É algo que significa se valer da condição de estar em uma posição de poder para cometer uma atitude irônica e desrespeitosa, algo absolutamente evitável, desnecessário e que em nada ajuda nas relações amistosas entre órgãos de segurança pública e sociedade”, disse. “Fazer o criminoso se dar conta que ele cometeu uma infração e está sujeito a penalidade pela lei é absolutamente legítimo e algo que precisa ser feito no sentido de evitar uma impunidade, mas não deve ser feito por meio de atos de abuso de autoridade”, acrescenta.

Correio Web
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