quarta-feira, 18 de março de 2015

“É alarmante”, diz parlamentar sobre a situação da rede pública de saúde no DF


O deputado Rodrigo Delmasso (PTN) enviou ao GDF e Tribunal de Contas um relatório sobre a situação da rede pública de saúde. No início do ano, o distrital, acompanhado de técnicos da Câmara Legislativa, visitou seis hospitais para averiguar o que a população do Distrito Federal tem sofrido. As visitas geraram um relatório de 39 páginas. Os problemas relatados são diversos e vão dos mais básicos aos mais complexos.

O distrital visitou os hospitais Ceilândia, Gama, Planaltina, Samambaia, Santa Maria e Taguatinga. O primeiro a ser visitado foi o Hospital do Gama. O distrital flagrou pacientes que esperavam há mais de 10 horas por atendimento, além de problemas comuns com os quais se deparou nas outras unidades, como a falta de equipamentos, a falta de profissionais, falta de remédios e, um dos principais, a superlotação. 

No Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) a realidade não era diferente. Durante a visita não havia clínico geral atendendo na emergência. O único médico que estava de plantão se dedicava a atender as pessoas que já estavam internadas. “Há uma semana tento atendimento por conta de uma dor no estômago. Venho aqui, mas nunca tem médico”, afirmou à época a dona de casa Sandra de Oliveira. Falta de profissionais, falta de equipamentos, superlotação foram mais uma vez notados pelo deputado.


No Hospital de Ceilândia (HRC), 30 pacientes aguardavam cirurgia e não sabiam quando seriam atendidos. Uma das causas, era a falta de anestesia. Medicamentos como dipirona e omeprazol, de baixo custo, também estavam em falta na farmácia do hospital. Outra constatação foi o número insuficiente de leitos de internação. Conforme recomenda a Organização Mundial de Saúde (OMS), o hospital deveria ter cerca de mil leitos, com base na população da região. Mas hoje o HRC conta com apenas trezentos. A falta de profissionais também é um problema grave. Durante visita a unidade de saúde, o deputado constatou que uma só pessoa estava respondendo pela chefia do Pronto-Socorro, pela direção do hospital e ainda atendia pacientes da pediatria.

Em Samambaia os equipamentos de diagnóstico por imagem estavam sendo usados de forma improvisada e o aparelho de mamografia nem mesmo funcionava. Já no Hospital Regional de Taguatinga (HRT) o problema principal estava na UTI Neonatal. Os leitos foram interditados pela Vigilância Sanitária, depois que o teto caiu e gerou risco de infecção. No pronto-socorro da cardiologia a dificuldade é a superlotação. Num espaço em que deveriam estar oito pacientes, estavam dezesseis. Pacientes aguardavam intervenção cirúrgica há seis meses.

Metade dos leitos da enfermaria parados por falta de manutenção. Esse foi um dos primeiros problemas que o parlamentar se deparou ao visitar o Hospital Regional de Planaltina. Falta de cadeiras de banho para pacientes portadores de necessidades especiais, falta de insumos e medicamentos também foram observados.

Com o relatório, o deputado pretende despertar o governo e mostrar que a saúde precisa de máxima atenção. “É alarmante. Quando você vê um problema complexo, você até que entende que ele precisa de um prazo para ser resolvido, mas que será resolvido. Porém, a situação pela qual nos deparamos é de assustar. Até mesmo uma dipirona se tornou um problema complexo para o governo resolver, para você ter ideia da gravidade. A saúde não pode ser abandonada desse jeito, o executivo precisa estar em cima e resolver tudo com rapidez, não deixar que qualquer coisa se torne um grande desafio. Esse é uma alerta. O governo precisa resolver isso”, destacou Delmasso.

Portal G1
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