sábado, 4 de abril de 2015

Encenação em Ceilândia mobilizou a comunidade da região


A emoção de acompanhar a Paixão de Jesus Cristo pelas ruas de Ceilândia se renovou mais uma vez. Sem a estrutura das grandes produções de outras encenações, a simplicidade do trabalho dos 150 atores da Paróquia Sagrado Coração de Jesus levou os fiéis a relembrar os últimos passos do Nazareno que mudou a história do mundo.

A cada cena de dor do Cristo condenado, os fiéis caminhavam entre os palcos montados no pátio da paróquia, e depois pelas ruas de Ceilândia Norte. 

“Uma das coisas que alegram o nosso coração é a capacidade de evangelizar os pobres e atingir as pessoas que não têm acesso às coisas de Deus. Mesmo com as dificuldades, vamos às periferias, como manda o santo papa Francisco”, afirma o  padre Neinelson, que, com a ajuda da comunidade, consegue recursos para  a encenação todos os anos.

Protagonista


No primeiro ano como Jesus, Alan Cássio percorreu um longo caminho antes de pegar a cruz. Antes, interpretou Anás, Caifás, apóstolos e trabalhou na coordenação. Para ele, mais do que ter chegado ao papel principal, o sentimento que carrega é a gratidão pelas graças que alcançou.

“Acredito que o maior sentimento é a gratidão. Fiz uma cirurgia há três anos, fiquei entre a vida e a morte, e, depois de tudo isso, Deus me escolheu”, conta o Cristo negro, que, para encenar o papel, jejuou durante a Quaresma para se preparar espiritualmente.
Intérprete de Jesus nos cinco anos anteriores, Ruinatan Lopes de Souza precisou se afastar do papel neste ano por problemas de saúde, mas não deixou de dar sua contribuição.

 “Ano passado já foi muito difícil para mim, por problemas na coluna, e agora também no ombro. Por isso, abri mão este ano. Fico muito satisfeito em ver o trabalho continuar. Ele não pode parar”, conta Ruinatan, que completa: “O que pude passar para o novo Jesus foi espiritualidade. Não é apenas encenar um papel, tem que viver. Senão, é melhor ir ao cinema”.

Compromisso de todos os anos é sagrado

Segundo a coordenação do evento, até o fim da caminhada de dez quilômetros, o público da    Via-Sacra chegou a 2,5 mil pessoas, mesmo sob chuva. As pessoas foram se somando ao grupo que começou a caminhada ainda no pátio da igreja.

A celebração da Via-Sacra já faz parte da tradição local e gera frutos. “Todos os anos eu venho, pois, se não comparecer, fico doente. Para mim, é tudo especial”, conta a dona de casa Maria Rodrigues Rosa, de 66 anos, que se emociona: “Conhecer o sofrimento de Jesus é muito bonito. É algo que emociona, dá até vontade de chorar”.

Preparação

Segundo o coordenador Douglas Herbert, a encenação é preparada durante o ano anterior e os ensaios começam janeiro, com a ajuda de fiéis. “Sempre fizemos a Via-Sacra sem a ajuda do governo e com doações. Nosso pároco também nos ajuda financeiramente”, relata. 
Ele explica ainda que as cenas são interpretadas de acordo com a liturgia, começando no Domingo de Ramos até a Páscoa.

Todas as idades

A  Paixão de Cristo não encanta apenas aos adultos, mas também aos pequenos. Ana Júlia Oliveira Rocha e Guilherme Santana (foto acima), com cinco e sete anos, respectivamente, fizeram figuração na encenação. “Jesus é legal. Fez coisas boas e morreu na cruz”, define   Ana. O bombeiros hidráulico Gerson Martins da Silva, 73 anos, acredita que a tradição  vai além de um público específico: “A Paixão de Cristo é muito boa para todos os que acompanham”. 

Suzano Almeida do JBr
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