quinta-feira, 23 de abril de 2015

Uma das maiores comunidades da América Latina, Sol Nascente apresenta problemas que parecem não ter fim


Considerada a maior comunidade a céu aberto do Brasil e a segunda maior da América Latina, o Sol Nascente - uma comunidade localizada em Ceilândia - ainda convive com precariedades que deixam moradores da região preocupados com o que pode vir a acontecer. Falta de saneamento básico, lixos jogados em vários cantos da cidade, alto índice de criminalidade e transporte público precário são algumas das situações que estão em evidência na região. Sol Nascente continua crescendo e os problemas também

Para saber mais sobre a comunidade que abriga aproximadamente 110 mil pessoas, a equipe de reportagem do jornal Brasil Notícia foi até o Sol Nascente, que fica a cerca de 30 quilômetros do centro de Brasília, ouvir quem vive o dia a dia da região e saber quais os maiores problemas enfrentados.


Logo ao chegar, a equipe de reportagem do Jornal foi até a UPA que fica aproximadamente 3 quilômetros do centro do Sol Nascente. Lá, encontramos com Ana Claudia dos Santos, que estava esperando há 5 horas uma consulta com um pediatra para o seu filho que estava passando mal. "Aqui só gastaram dinheiro para construir essa UPA. Investir em médicos que é bom eles não investem. Aqui sempre fica muito lotado. Hoje só não está lotado porque eles já avisaram que não tem médico de manhã e não tem previsão para atendimento à tarde", relatou Ana, com bastante indignação.

E os problemas vão bem além da crise na saúde. No centro da região tem buracos que dificultam bastante a passagem de carros, ônibus e pedestres e lixo acumulado em diversos locais da cidade. “O lixo perto da minha casa tem resto de hospital e muito animal morto. É muito lixo acumulado e tudo fica aberto. E o pessoal da SLU só vai até lá tirar o lixo se nós formos atrás”, disse Neide da Silva, moradora do Sol Nascente há 10 anos.

O lixo também é um problema na Escola Classe 66, a única escola do Sol Nascente, que conta com cerca de 1300 estudantes do primeiro ao quinto ano. “Aqui em volta da escola nós não temos calçamento. Como as pessoas têm o costume de jogar lixo para tudo quanto é lado, eles jogam lixo aqui na entrada, o que ocasiona a entrada de ratos”, disse a supervisora da escola, Stefanna Danielle.



POPULAÇÃO

Em 2010, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou um relatório mostrando que a região tinha 57 mil habitantes. Em 2013, esse número, de acordo com o Instituto, aumentou para 78 mil moradores. No entanto, segundo os líderes comunitários, atualmente são 110 mil pessoas morando no Sol Nascente.

RESPOSTAS

A equipe de reportagem do Jornal Brasil Notícias, entrou em contato com a líder comunitária e educadora, Margarida Minervino, que mora há 12 anos no Sol Nascente e, segundo ela, nas eleições passadas vários parlamentares estiveram na região para fazer campanha eleitoral e até hoje ninguém deu sinal de projetos para a melhorar a qualidade de vida dos moradores.

“Até agora a única resposta que chegou até nós é que o governo não tem verba para nos ajudar. A necessidade extrema é a coleta do lixo e a questão do esgoto que ainda é fóssil. Mas até agora só ficou prometido. Ainda estamos lutando”, frisou a líder.

Tentamos entrar  em contato com a administração da Ceilândia, no entanto, até o fechamento dessa reportagem, não obtivemos retorno.

Jornal Brasil Notícias, com adaptação
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