segunda-feira, 25 de maio de 2015

Aulas de escultura quebram rotina do medo em escola marcada pelo tráfico de drogas em Ceilândia


Em meio ao uso e ao tráfico de drogas dentro de uma das escolas mais conturbadas do Distrito Federal, um projeto que ensina noções de escultura para alunos do Ensino Fundamental parece dizer que há luz no fim do túnel da falência da Educação nas periferias das grandes cidades.
A escola é o CEF (Centro de Educação Fundamental) 04, localizado em Ceilândia (DF). Lá estudam, ou tentam estudar, aproximadamente mil alunos divididos em três turnos. O problema do uso de drogas e do tráfico realizado dentro da escola chegou a um ponto que levou o Batalhão Escolar da PM do DF a destacar policiais diuturnamente dentro e fora da instituição de ensino, que é pública.
A presença da polícia inibe mas não dá solução para os casos de consumo de maconha e de produtos químicos vendidos em farmácias próximas e que são inalados pelos adolescentes nos banheiros e em sala de aula. Funcionários da escola trabalham sob intensa pressão psicológica.

Apesar do medo e da insegurança, a escola tenta seguir sua rotina. Atividades extracurriculares, mesmo que acompanhadas por poucos, são bastante apreciadas por aqueles que querem estudar e aprender. Uma delas é o programa que dá noções de escultura com a ajuda de um professor bolsista de artes. O curso durará este semestre, tem 50 aprendizes e é desenvolvido pelo artista plástico brasiliense Carlos Wolfgram.
Segundo o professor de Artes da CEF 04, Helder Spaniol, organizador do projeto "Artista Residente" dentro da escola, a CEF 04 é uma das 5 mil, dentre mais de 60 mil instituições inscritas, que foi contemplada para receber o programa com recursos do Ministério da Educação e do Ministério da Cultura. São R$ 21 mil para o pagamento do instrutor e compra de material.
— Ao final do curso os alunos terão três desafios: elaborar duas esculturas em tamanho real para a escola e para a praça ao lado, além da elaboração de um livro didático para futuros aprendizes da escultura.
Pedro, que cursa o 7º ano, é um dos alunos mais aplicados do artista Carlos Wolfgram. Na sexta-feira (22) ele saiu da aula com dois moldes que fez, um do próprio rosto e outro das mãos, que exibia orgulhoso pela escola. Sem nunca ter experimentado qualquer droga, ele é um modelo para os colegas.
O que prevalece, entretanto, é um cotidiano em que a indisciplina resultante da degradação social circundante estressa diretores, supervisores e professores. O próprio professor de Artes conta que são frequentes as ocorrências. Numa delas, ele conta que, depois de conduzir um estudante para a direção da escola por ter jogado bolinhas de papel durante a aula, quando voltou à sala encontrou outros dois alunos brigando aos socos.
A experiência do garoto Pedro com seus moldes, no entanto, é um esforço de professores e diretores que acreditam que a abstração e a subjetividade podem transformar até mesmo as mais duras realidades. Para eles, a vida bem que poderia imitar a arte.
Portal R7
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