sexta-feira, 1 de maio de 2015

Campo de futebol em Ceilândia se transforma em lixão


Um terreno vazio na EQNP  8/12  do Setor P Sul, em Ceilândia, era motivo de orgulho para a comunidade. Um grande campo de futebol fazia a alegria da população. No entanto, nos últimos dez anos,  a realidade é outra. O gramado virou um depósito de lixo  a céu aberto para carroceiros. 

Além do incômodo do cheiro, o lixão  preocupa os moradores, que se sentem ameaçados por possíveis doenças. No local, encontra-se de tudo, desde materiais de construção a animais mortos.  Diante disso, a região é tomada por moscas, ratos e focos de mosquito da dengue. 

A causa do problema não parece ser falta de limpeza, mas de fiscalização e conscientização. Isso porque, garante a comunidade, muitos moradores também se aproveitam da região para descarregar lixo. Em apenas uma hora no local,  foram vistos   quatro “sujões”.

Entre os moradores que mais sofrem com a presença do lixão  está o serralheiro Edimundo Santana, 58, que mora e trabalha de frente para o problema. "Já encontrei até cachorro morto. O cheiro é insuportável, não dá para aguentar", conta o serralheiro, ressaltando que o transtorno é crônico. "É preciso fiscalizar. No dia seguinte à limpeza, volta tudo ao normal. Às vezes, vejo pessoas passando por perto e jogando um saco de lixo pequeno. Ou seja, é um problema com vários responsáveis", comenta.

Próximo ao entulho, há residências, supermercado, parada de ônibus, igreja e até escola. Diante disso, a manicure Maria das Dores, 28 anos, informa que fica difícil escapar do lixão. "Ele está no centro de tudo. Eu, por exemplo, tenho que atravessar o terreno quase toda hora para ir ao mercado. Me preocupo também com as crianças. Já virou algo comum ver ratazanas", diz.

Para o advogado Reinaldo de Paula, 34, a ocupação do espaço é a única solução. Para ele, a criação de uma praça,  creche,  biblioteca ou outro campo de futebol é a saída. "Já tivemos placas pedindo para não sujar e não adiantou", conta.

Administração diz que toma várias medidas

Questionada sobre o problema, a Administração Regional de Ceilândia informou que várias medidas foram tomadas para amenizar o descarte irregular de lixo. "Nesses espaços, também sinalizamos com placas que é proibido descartar lixo, conforme a legislação. Além disso, é feito um mapeamento para possíveis intervenções, como a colocação de Pontos de Encontro Comunitários (PECs)", explica a assessoria.

A administração informa que firma parcerias com a Agência de Fiscalização do DF (Agefis) quanto a fiscalização, notificação e aplicação de multas para quem descarta lixo irregularmente. "Ressaltamos que a coleta é feita com o apoio dos fiscais na conferência das rotas dos caminhões. A divulgação dos percursos e horários de coleta depende de estudo em pontos que necessitam maior presença dos garis e dos caminhões coletores", completa.


Manuela Rolim  do JBr

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