segunda-feira, 4 de maio de 2015

Quadrilhas (juninas) já estão nas ruas de Ceilândia


Aproxima-se o período de festas juninas em todo o Distrito Federal, uma das datas mais aguardadas do ano por causa das deliciosas comidas típicas e das músicas com sotaque nordestino. O arrasta-pé fica sob o comando das tradicionais quadrilhas, que animam o público ao som de gritos como “balancê”, “anarriê”, seguidos da grande roda, caracol e do famoso túnel. Para que todos os passos estejam na ponta dos pés, grupos da cidade aproveitam as últimas semanas antes da festança para intensificar os ensaios.

Integrantes da quadrilha Mala Véia, de Ceilândia, fundada em 1980, garantem que é preciso deixar a vida social de lado para que as coreografias saiam impecáveis. “Ensaiamos todas as terças, quintas, sábados e domingos, desde fevereiro. A gente respira quadrilha”, garante o marcador do grupo, Carlos Tikin, 36 anos. Segundo ele, o tema deste ano é baseado no filme O Homem que Desafiou o Diabo, de Moacyr Góes.

As cinco coreografias, apresentadas por 40 participantes, possuem trabalho feito em verso e prosa. As danças contam a história de um homem manipulado pela mulher. “De repente, ele tem um lapso de independência. Nós mostramos o estereótipo nordestino do cabras machos e das belas meninas que conseguem conquistá-los. São como marionetes. Mais ou menos como o que acontece na vida real, já que são elas que mandam na gente”, brinca Carlos.

Produções das roupas, maquiagens e penteados são alguns dos vários detalhes que precisam ser pensados antes do início da turnê. “O figurino das meninas contém vestido de cor vermelha e sapatilha de fuxico. O traje masculino é marrom, com calça, blusa e colete, além de sandália franciscana e chapéu de vaqueiro”, destaca o marcador. 

Ápice do ano

De acordo com o presidente da Mala Véia, Freddy Moraes, 34 anos, a quadrilha é uma forma de não deixar a cultura popular morrer. “Para mim, o período de festas juninas é o ápice do ano. É quando a gente volta a ser criança e relembra os gritos ‘olha a cobra’, ‘é mentira’, além de passos da roda gigante e dos cavalheiros cumprimentando as damas”, opina.

Para a dançarina Sheila Nascimento, 28, integrante desde 2009, a preguiça passa longe quando o assunto é dar o melhor de si. “Tenho muito ânimo e esqueço os problemas. A gente se empolga  quando chega o momento da apresentação. Bate adrenalina e frio na barriga. Quando vemos que tudo deu certo, surge a alegria”, define.

Saiba mais

Grande parte do público que mora em Ceilândia veio do Nordeste ou é descendente de nordestinos. As festas juninas locais possuem essa influência, pois tentam retratar a tradição das raízes nas danças, comidas e no calor da comunidade.

Com 35 anos de história, a quadrilha Mala Véia é uma das mais antigas do DF.
A quadrilha Sanfona Lascada possui mais de cem títulos de reconhecimento.
A temporada de grupos é realizada de maio a agosto.
 
Calendário abrangente, sorrisos e glitter

Após muitos ensaios na Casa do Cantador e na Feira de Ceilândia, desde janeiro, 76 integrantes da quadrilha Sanfona Lascada se dedicam a levar alegria ao público da capital. A correria tem justificativa se levarmos em conta o abrangente calendário dos eventos típicos, como festas em igrejas e clubes, além da competição da Liga Independente de Quadrilhas Juninas do DF. “Nosso tema este ano é ‘Ceilândia é o Nordeste ou o Nordeste é Ceilândia?’”, diz o coordenador da quadrilha, Robson Vilela, 31 anos.

Dançarinos contam a divertida história de Marieta e João, por meio de uma música. “Ele pede ao Padim Ciço uma mulher para amar e casar. O santo o ajuda. Eles se conhecem no centro de Ceilândia, e logo se casam”, conta Robson. Segundo ele, um dos momentos mais gratificantes é quando conseguem arrancar sorrisos da plateia. “Também é muito emocionante quando alimentamos o gosto pela cultura popular nas crianças”, acrescenta. 

O visual artístico conta com look e penteado sob os cuidados do maquiador do grupo, Osmar Freire, 23 anos. “A maquiagem de festa junina é artística. Não vou colocar as tradicionais sardinhas nas bochechas das meninas, mas terá cílios postiços”, adianta. De acordo com o profissional, a make tem que durar durante todo o evento. “Tenho que fazer milagre para que não escorra. Também vou caprichar no glitter, com brilho especial”, finaliza.

Bárbara Fragoso do JBr
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