terça-feira, 19 de maio de 2015

Tráfico de drogas fecha colégio em Ceilândia



Traficantes tomaram conta de escolas públicas em Ceilândia Sul. Somente este ano, pelo menos três diretores sofreram ameaças de morte por denunciar a venda ilegal de entorpecentes nos arredores e dentro dos estabelecimentos de ensino. A maioria dos que traficam a droga e intimidam funcionários e estudantes têm menos de 18 anos. A situação mais grave é a do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 4, onde um grupo tomou conta da guarita do colégio e controla a entrada e a saída dos alunos. Por medo, a instituição fechou as portas ontem. Os problemas se repetem no CEF 33 e na Escola Classe 2.

Pais e professores decidiram que a escola permanecerá fechada até que a Polícia Militar garanta a permanência de homens do Batalhão Escolar no estabelecimento por, pelo menos, 30 dias. Na última sexta-feira, um adolescente entrou a cavalo no local para ameaçar de morte, pela segunda vez, um funcionário que teria acionado a polícia em outra ocasião. Os infratores pulam os muros da instituição e escondem drogas e armas no local, em buracos, bueiros, debaixo dos carros dos professores e nos telhados. Sem se identificar, docentes e membros da direção se dizem aterrorizados. “Começou do lado de fora, mas eles viram que a escola não tem porteiro ou segurança e tomaram conta da guarita. Se chamamos a polícia, não acontece nada, pois eles não estão carregando a arma ou a droga com eles”, contou uma professora.

Funcionários e pais também querem um serviço de segurança armada para proteger os estudantes. Alguns alunos, porém, usam drogas no interior da instituição e se envolvem com traficantes. “Foi assim que chegamos a esse ponto, de receber ameaças. Um desses rapazes invadiu a escola para cobrar a dívida de uma estudante. Quando chamamos a polícia e o colocamos para fora, ele disse que furaria os dois olhos de uma funcionária e colocaria o ‘ferro’ na boca dela. Posteriormente, ao receber uma intimação judicial, voltou a cavalo e informou que, se algo acontecesse a ele, se vingaria”, acrescentou um professor.

Um dos pais organizou um documento com 234 assinaturas pedindo segurança no local. O motorista Rilvan Santos, 56 anos, leva e busca o filho de 11 anos no CEF 4 diariamente. Ele entregou o abaixo-assinado na Regional de Ensino de Ceilândia, órgão da Secretaria de Educação responsável por todas as escolas da cidade. “Torcemos para que dê certo”, afirmou. A feirante Neusirene dos Santos, 44, se revolta. “Tenho que entrar de cabeça baixa e pedir licença para traficantes para deixar meu filho no colégio”, lamentou.
Correio Web

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