segunda-feira, 15 de junho de 2015

Aliado para todas as horas - Entrevista com o Vice-governador Renato Santana


Nascido em Brazlândia e criado em Ceilândia, Renato Santana tem 41 anos e se orgulha em relembrar as raízes humildes. Dono de inconfundíveis frases pré-elaboradas, o vice-governador do Distrito Federal tem o ensino médio completo. Funcionário do GDF há 20 anos, Santana foi secretário-geral do PSD local, mas nunca se candidatou a nenhum cargo eletivo.
Em 2010, ele foi nomeado administrador de Ceilândia e, depois, secretário de governo.
Em conversa com o Alô Brasília, o vice-governador do Distrito Federal comentou sobre sua relação com Rodrigo Rollemberg, suas funções dentro do Governo do Distrito Federal e também sobre a saída de Hélio Doyle do governo.

Muitos costumam dizer que esses primeiros meses de um novo governo serve para arrumar a casa. Como está a arrumação da casa brasiliense até o momento?
Assim como em uma casa, a arrumação é necessária todos os dias. E no âmbito de governo não é diferente. O cenário não era dos mais agradáveis e eu tenho feito uma comparação não com uma casa, mas com um carro e, neste momento, estamos olhando por um retrovisor, por dois motivos. Primeiro, para que não venhamos a colidir e em segundo lugar, para que não cometamos os mesmos erros que outros cometeram no passado. Estamos trocando o pneu de um carro com ele andando. Existem muitas discussões do pós-eleições e os bastidores políticos estão carregados de animosidades. Nesses mais de 50 anos, Brasília já sofreu demais com a política rasteira e agora queremos fazer a política que eleva.
A visão de arrumação de casa é aquela do dia a dia. A gestão pública e administrativa não pode parar. Queremos consolidar nossa saúde financeira para implementar os projetos estruturantes. O Distrito Federal (DF) nos demanda numa velocidade 4G e nós temos que conseguir devolver as respostas na mesma velocidade. É importante discutir o que é bom para a população. Essa é a gestão pública e eficiente que estamos buscando. A equipe de governo está nas ruas, pois não adianta ficar aqui dentro e ter uma visão equivocada do mundo real. É a população que nos está dando a consultoria do que está sendo feito certo e errado. A determinação do governador tem sido essa: secretários, administradores, presidentes e diretores de empresas saiam dos gabinetes e sigam para as ruas para ouvir a população.
O fundamental agora é adequar os gastos. Para se ter uma ideia, a conta de telefone daqui foi cerca de R$ 12 mil, e em abril foi de R$ 753. Porém, sabemos que ficar olhando para trás pode virar atestado de incompetência. Essa preocupação é do Ministério Público, do Tribunal de Contas e do Tribunal de Justiça. Quem não teve o mínimo pudor de desviar recurso público, vai pagar e disso eu tenho certeza.

Como é o relacionamento profissional e pessoal entre o Rodrigo Rollemberg e Renato Santana?

Eu mando um recado para os agentes políticos que gostam de fazer intriga e também para a população: não há ambiente de disputa entre o governador Rodrigo Rollemberg e o vice Renato Santana. Eu estou aqui para contribuir com o Estado para ficar forte e essa será a minha principal função. Queremos construir um estado à altura da população. Minha ideia é de buscar aquela bola que ninguém quer chutar e está quadrada, para arredondar e colocar para o governador fazer o gol. Vou dar um exemplo: Vicente Pires. Ninguém teve coragem para cuidar daquele problema de asfalto. Estamos com uma força tarefa para aquela confusão histórica da obra de drenagem, captação de água, tratamento de esgoto, meio fio e asfalto para que isso saia do papel. Temos quase R$ 504 milhões para ser investido naquela cidade e nos próximos dez dias o governador vai assinar a ordem de serviço para início das obras ali. Outra coisa sobre as intrigas que fazem entre nós é que temos a mesma opinião e aviso, no dia que tiver que demitir servidor, eu vou renunciar ao mandato um dia antes. Eu não vou levar esse peso comigo. Por fim, o que tenho a dizer sobre isso é que não estou aqui para ficar de olho em calendário, contando feriado e datas comemorativas e esperando o governador sair para assumir.

Até o momento, o que podemos dizer que a gestão atual já efetivamente conseguiu concretizar de mais relevante?

Em primeiro lugar, na educação. Tivemos que buscar as autorizações para repor o quadro de professores, pois não podia contratar e nem nomear. Fizemos todas as ações para que os alunos tivessem um curso normal de início de ano letivo. Outro ponto, garantir os salários dos servidores. Muitos reclamam disso, mas Brasília não tem indústrias de porte e o grande provedor do DF é o servidor público. Quem aquece a economia daqui e os comércios são os servidores. Se o funcionalismo público vai mal, todos os demais setores econômicos ficarão mal. Também cito o pagamento de fornecedores em dia. É um compromisso nosso pagar em dia, desde janeiro de 2015, todos os insumos e contratações desta gestão. O que não foi honrado lá atrás, por irresponsabilidade de outros gestores públicos, é também dívida de governo. Aquele mau gestor vai ser responsabilizado, mas continua sendo dívida governamental, independentemente da gestão. Nós não estamos aqui para causar danos a terceiros. É importante lembrar também que as obras que estavam paradas, foram retomadas. Um exemplo é aquela do Parque Burle Marx. Se passar lá hoje, (verá que) tem gente trabalhando (por) lá.

Como está acontecendo o trabalho como vice-governador e administrador de Vicente Pires, Guará e Setor de Indústria e Abastecimento (SIA)?

Em janeiro, o governador dividiu a cidade em sete macrorregiões, nomeou administradores interinos para fazer relatórios dessas RAs. Nesse primeiro momento fiquei com Samambaia, Ceilândia, Taguatinga e Brazlândia. Posteriormente migrei para essas outras três e no dia a dia vamos atuando em conjunto ao corpo técnico que cada uma dessas administrações possui. No Guará temos que estar em cima dos quiosques irregulares, das ocupações indevidas de área pública no Setor de Oficinas e no Parque Ezechias Heringer, e a Feira do Guará como polo gerador de emprego e renda. No SIA, uma cidade atípica, precisamos dar manutenção, temos que cuidar de fiscalizar invasões, que nos preocupam muito. Lá também tem uma feira, a Feira dos Importados, que gera uma gama enorme de empregos e é um dos pontos mais visitados em Brasília. Esse lugar precisa de uma atenção toda especial. Em Vicente Pires, a prioridade é tirar do papel aquilo que é esperado pelo morador há dez anos: obras de drenagem, pavimentação e urbanização. É uma cidade que nasceu de trás para frente, fruto de uma ocupação desordenada.

Qual a sua análise sobre a saída de Hélio Doyle da Casa Civil, que a deixou de maneira tão precoce?

O Hélio é assim. Esse é o perfil dele: direto. Ele defende o ponto de vista e a opinião dele e isso está muito claro. Somos agentes políticos. Não podemos deixar que o agente político partidário supere o agente político da politica pública. Foi um direito dele. A avaliação dele é que chegou o momento de sair. Foi uma grandeza de caráter, de perfil e de personalidade dar esse passo atrás. Ele quer contribuir e a maneira dele de ajudar é dando esses passos para trás. É um aliado de primeira hora, mas assim como ele, existem outros aliados de primeira hora que também querem atenção neste momento. Em se tratando de poder público, a vida tem que seguir, pois a população não está preocupada com entraves políticos. Ela não quer saber quem é ou não é da base, ela quer trabalho e resultado.

Aliada a essa saída, o que dizer sobre a perspectiva de articulação do novo secretário-chefe Sérgio Sampaio com a Câmara Legislativa e, principalmente, com a presidente Celina Leão?

A Celina é uma deputada das mais competentes e também é uma aliada de primeira hora, o que não quer dizer que depois das eleições outras alianças não ocorrerão. O foco dessas alianças tem que está pautada na devolução de política pública à população. A missão do secretário que chega não é diferente do Hélio, que é fazer política pública. Guardados os perfis, o trabalho dos dois é o mesmo. Não podemos deixar que as pessoas construam uma imagem que vá defenestrar o currículo e o valor das pessoas que passam pelo governo. Se por um motivo ou outro, o Hélio tomou essa decisão, é importante saber que esteja onde ele estiver, vai seguir colaborando com o governo. O desejo é que o governo continue trabalhando para desatar os graves nós que existem por aí e que não são poucos. E se em meio a esses nós, encontrarmos pessoas aí que destoarem com indícios de corrupção e uso indevido da coisa pública, eu é quem irei estampar a cara do cidadão na imprensa.

Como ficará o relacionamento com a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF)?

Normal. Eu não tenho problema com eles e nem nunca tive. O governador Rodrigo Rollemberg também não tem. Temos zero de problema com os parlamentares da CLDF. A Câmara Legislativa e o Executivo caminham juntos. O palanque eleitoral ficou para trás há seis meses. Agora o ambiente será dos melhores. Não tem que ficar apontando se o problema é de lá ou de cá. O deputado é o representante imediato e direto do cidadão e se o que ele apresentar é aquilo que vem de demanda da população e se casar com o Executivo, estaremos juntos e faremos o melhor em parceria.

Quais são considerados os desafios para esse período de gestão?

O grande desafio é trazer a cidade para o ambiente de normalidade. O programa de governo contempla uma série de programas estruturantes, por exemplo, na mobilidade: a expansão (da linha) do metrô até o Setor O e até a Asa Norte é uma delas, a retomada das obras de Vicente Pires, Porto Rico, Santa Luzia (Estrutural), Por do Sol e Sol Nascente; inversão das mãos nas avenidas Comercial e Samdu (Taguatinga), que é fruto de um projeto maior que é o Corredor Oeste. Na saúde, tudo. Tudo o que puder ser feito pela saúde ainda é pouco. Temos que ir para os hospitais, contabilizar estoques, mobilizar profissionais e combater tudo que retarde o processo de atendimento ao cidadão. Hoje nós buscamos a retomada do rumo do Governo de Brasília.

Ádamo Araújo / Portal Alô

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