domingo, 14 de junho de 2015

Chico Vigilante: "Toma lá, dá cá em todos os governos do DF"


Essa história de toma lá, dá cá envolvendo a Câmara Legislativa, denunciada pelo ex-chefe da Casa Civil Hélio Doyle, o surpreende?
Não é novidade pra ninguém. Brasília inteira sabe disso. Vou contar uma história. Quando Roriz era governador, estive com ele a pedido do Lula para discutir a criação da Cidade Digital. Estávamos eu e o (Francisco) Palhares, então diretor do Ibama, e o José Flávio (assessor parlamentar) na casa dele, no Park Way. Quando terminamos a conversa, Roriz me chamou num canto e disse: "Deputado, preciso de um favor seu muito maior. Preciso que o senhor me ajude a me livrar dos achacadores da Câmara Legislativa".


Qual foi a sua reação?
Disse que ele deveria tomar providências. Falei para ele gravar as propostas indecorosas e divulgar. Ele me disse: "Deputado, são impublicáveis". Roriz pode confirmar esse fato. Nunca levei esse fato para frente porque considerei que cabia a Roriz denunciar e tomar providências.

E no governo Cristovam Buarque?
Sei como o Cristovam sofreu na Câmara Legislativa. Eu era aliado dele, deputado federal e presidente do PT. Lembro-me de ele me chamar com urgência, certa vez, na residência oficial de Águas Claras. Disse que a partir daquele momento não seria mais candidato à reeleição porque não suportava as exigências da presidência da Câmara para aprovar projetos importantes. Ele me mostrou uma lista de pedidos absurda. Tive que ameaçar o comando da Casa, para resolver essa história.

Houve achaque também no governo Arruda?
Houve, sim. Vimos a situação do Arruda. Ele aguentou seis meses. E depois teve que ceder. Acabou na Caixa de Pandora. Eu disse a ele para não entrar no jogo, mas Brasília é parlamentarista. A Câmara Legislativa tem muito poder e pode usar para o bem ou para o mal.

E no governo Agnelo?
Ele teve que fazer os acertos políticos. Os deputados tinham indicações em secretarias e administrações regionais. Eram transparentes, como já há hoje no governo Rollemberg. Mas parece que deputados querem mais.

Acha que, com a saída de Hélio Doyle, algo muda na condução da política do governo Rollemberg?
É uma perda para Rollemberg. Conheço o Hélio Doyle há mais de 30 anos. Somos adversaários políticos, mas tenho respeito por ele, até pela participação dele em todas as lutas democráticas desta cidade. Quando ainda não tinha CUT e nem PT, ele apoiava nossas causas pelo Sindicato dos Jornalistas. Conhece como poucos essa cidade. Acho que ele sai extremamante frustrado por não concluir esse projeto em que apostou tanto.

Coluna Eixo Capital / Ana Maria Campos
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