sexta-feira, 26 de junho de 2015

Ex-secretário de transportes presta depoimento à CPI e nega favorecimento a empresas


O ex-secretário de Transportes do GDF, José Valter Vasques, prestou depoimento nesta quinta-feira (25) à Comissão Parlamentar de Inquérito do Transporte Público da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Vasques afirmou que nunca recebeu nenhum pedido de integrante do governo, de parlamentar ou de empresário para beneficiar qualquer empresa participante da licitação de ônibus. A reunião da CPI começou às 9h40 e só foi concluída às 19h30, também foram ouvidos procuradores do DF e o ex-presidente da comissão de licitação que renovou a frota de ônibus, Galeno Monte.

O ex-secretário iniciou seu depoimento destacando os 42 anos de atuação em diversos cargos públicos, "sem jamais ter recebido uma multa ou condenação". Atualmente ocupando uma diretoria da Adasa, José Valter Vasques disse que trabalhou com 11 governadores diferentes no DF. O ex-secretário explicou que, ao assumir a função no governo Agnelo Queiroz, aproveitou todos os estudos que já existiam para efetuar a licitação do sistema coletivo de transporte.
Segundo Vasques, o edital da licitação foi construído a partir de uma versão inicial do Executivo, com as contribuições apresentadas pelo Tribunal de Contas do DF e Ministério Público. Em vários momentos, o ex-gestor reclamou das pressões recebidas contra a licitação. "A estratégia de quem estava no sistema era somente inviabilizar a licitação", informou.
Vasques defendeu a licitação do sistema, mesmo reconhecendo que ainda há problemas a serem resolvidos. Ele fez questão de ressaltar que somente a licitação não é capaz de solucionar os problemas do transporte público. O ex-secretário considerou que o maior erro de sua gestão foi não ter dialogado corretamente com a população e optado por uma visão mais tecnocrata. Mesmo assim, Vasques acredita que o transporte público apresentou melhoras como a redução da poluição e ônibus novos.
Consultor – O ex-secretário confirmou que o advogado Sacha Reck foi designado para atuar como consultor da comissão especial de licitação por causa de sua "reconhecida competência" na área de transporte. De acordo com ele, Reck foi contratado no governo anterior e é considerado um especialista na temática. "Se ele fez alguma coisa errada eu não sei e não sou responsável por isso", assinalou.
José Valter criticou a estrutura do Executivo, que classificou de precária e sem condições de atender as demandas da população, independentemente de quem estiver no comando. Para ele, o governo precisa de inteligência externa e de concurso público para reforçar seus quadros.
Relator – Questionado pelo relator da CPI, deputado Raimundo Ribeiro (PSDB), o ex-secretário explicou que escolheu Galeno Furtado para presidir a comissão especial de licitação por sua formação militar e pelo trabalho realizado como secretário de Indústria e Comércio de Alexânia. Vasques disse que queria uma pessoa com foco e disciplina no comando da licitação e que os demais integrantes da comissão preenchiam os outros requisitos de conhecimento da área e em licitação.
O deputado Raimundo Ribeiro questionou porque algumas mudanças no Edital, como inclusões e exclusões de itens, não foram reencaminhadas para novo exame da Procuradoria Geral do DF. José Valter Vasques negou ter conhecimento do fato e disse que a Procuradoria foi muito importante em todo o processo da licitação.
O deputado Rodrigo Delmasso (PTN) perguntou se o ex-secretário tinha conhecimento de que uma empresa havia sido desclassificada da licitação pela falta de um carimbo da junta comercial em um balancete e ainda teve seus recursos indeferidos. Vasques afirmou que não sabia do fato.
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