segunda-feira, 29 de junho de 2015

GDF contradiz sensação de insegurança e afirma que homicídio tem menor taxa em cinco anos



Confrontando a sensação de insegurança que assola os brasilienses, o Governo de Brasília afirmou hoje em nota que mais armas e drogas apreendidas, aumento do efetivo policial nas ruas e aperfeiçoamento da inteligência na investigação de crimes violentos, resultaram na queda do número de homicídios praticados no Distrito Federal de janeiro a maio de 2015 em relação ao mesmo período dos últimos cinco anos.

De acordo com dados apresentados pela Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social, nos primeiros cinco meses deste ano, foram registrados 268 assassinatos em Brasília, 7,26% a menos em comparação a 2014, quando aconteceram 289 delitos dessa natureza. Já em 2013, 302 pessoas acabaram executadas no DF — taxa 11,25% maior do que a registrada em 2015.

A diferença é mais acentuada — menos 19,7% neste ano — quando a referência passa a ser o ano de 2012, ocasião em que houve 334 mortes violentas de janeiro a maio. O período em questão de 2015 ainda registrou 22 e 28 homicídios a menos em relação a 2011 e 2010, respectivamente. No primeiro caso, foram computados pelas delegacias de Brasília 290 assassinatos (redução de 7,5% em 2015); já no anterior, o saldo foi de 296 vítimas (queda de 9,45% neste ano).



Pacto pela Vida

O GDF afirma que os índices são fruto das primeiras ações do programa Pacto pela Vida, que começou a ser implementado gradualmente em Brasília. Ceilândia e Planaltina estão entre as localidades onde vidas foram poupadas. Na maior e mais populosa região administrativa do DF — Ceilândia registra 452 mil habitantes, segundo a Pesquisa de Amostra por Domicílio (Pdad) de 2013 —, a taxa de assassinatos caiu, neste ano, 21,7% em relação a 2014 (de janeiro a maio). No outro extremo do DF, em Planaltina, queda ainda mais acentuada: 41,9%.

Um dos principais fatores para as estatísticas favoráveis em 2015 é a quantidade de armas de fogo apreendidas pela Polícia Militar, segundo a Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social. Cerca de 1,2 mil revólveres, pistolas e espingardas foram retirados de circulação desde janeiro. "Existem estudos que demonstram que para cada 10 armas de fogo apreendidas, um homicídio é evitado", exemplificou o secretário Arthur Trindade.

O índice de quase oito armas apreendidas por dia é consequência do maior número de policiais militares patrulhando as ruas de Brasília. Em março, 748 soldados aprovados no último concurso passaram a integrar a tropa. Antes, o governador Rodrigo Rollemberg determinou que 986 praças e oficiais deixassem de trabalhar na área burocrática da instituição e fossem realocados no serviço de rua. A Polícia Civil também contará com um quadro maior nos próximos dias com a nomeação de 48 agentes.

Conexões
Alterações na dinâmica de apuração de crimes contra a vida também ajudaram a reduzir homicídios. Em Planaltina, por exemplo, a Polícia Civil começou a descentralizar o foco das investigações nos autores das execuções. Agora, além de identificar o responsável pelo delito, a corporação busca ligar a relação de vítima e autor com possíveis atividades ilícitas. Assim, a polícia soluciona os homicídios e consegue estabelecer conexões e prevenir ataques de gangues que atuam na região.

Os bons indicadores também são consequência de uma política adotada pela pasta de cobrar resultados. Todos os meses, comandantes de batalhões da PM e do Corpo de Bombeiros, delegados e agentes do Departamento de Trânsito (Detran) reúnem-se com o secretário a fim de apresentar os saldos das ações e expor problemas de suas unidades. "É um momento em que se prestam contas e se estabelecem novas estratégias de atuação", explicou Trindade. "Temos bons motivos para acreditar que os resultados, que já são bons, vão continuar melhorando a partir do segundo semestre, quando adotaremos novas políticas, como a restruturação na investigação de homicídios e o aperfeiçoamento do policiamento comunitário."

Revitalização
Outra iniciativa que ajudará a reduzir o número de homicídios é a revitalização de áreas violentas em Brasília. Desde segunda-feira (22), Ceilândia recebe a ação de órgãos como Departamento de Trânsito do Distrito Federal, Serviço de Limpeza Urbana, Agência de Fiscalização do DF, Secretaria de Gestão do Território e Habitação, Companhia Energética de Brasília e Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos, além das forças de segurança.

Entre as medidas, os 400 policiais que fazem a segurança diariamente nas ruas ganharam o reforço de mais 350 militares em uma operação de retomada do centro comercial, ocupado por vendedores de drogas e produtos roubados. Em três dias, foram presas 23 pessoas. A atuação policial que estava concentrada no centro de Ceilândia estendeu-se para toda a região na última sexta-feira (26), sem prazo para terminar. O efetivo extra é resultado do deslocamento para as ruas de policiais que ocupam funções administrativas e do apoio de batalhões especializados, como o de Rondas Ostensivas Táticas Motorizadas (Rotam).

Com dados da Agência Brasília
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