quarta-feira, 17 de junho de 2015

Moradores do Setor P Sul de Ceilândia reclamam de situação precária na região


Moradores  do P Sul, em Ceilândia, reclamam do abandono da quadra de esportes da QNP 24. Além da falta de conservação dos brinquedos do parquinho,   eles relatam que foi prometida a instalação de  um gramado sintético onde hoje, em meio à terra, há dois gols, mas o projeto nunca saiu do papel. Enquanto isso, a população   convive  com a poeira, que, em período de seca, provoca crises de doenças respiratórias e alérgicas. A sugestão de pauta foi enviada aoJBr. via Whatsapp.


Os aposentados Manuel Marçones Feitosa, 48 anos, e Carlos Marcelo Feitosa, 39 anos, são irmãos. Ambos cadeirantes, denunciam que as poucas rampas de acessibilidade do local estão rachadas e em péssimas condições. “Quando quero brincar com a minha filha no parquinho, não posso. Ela me chama para ir junto e eu fico só na vontade. Nesse entra e sai de governo, ninguém providencia nada”, reclama Manuel.

Outro vizinho, Kallel Lykans, 32 anos, conta que, há uma semana, o filho sofreu um acidente no parquinho e a criança só não se machucou mais porque ele  conseguiu interferir a tempo: “Quando ele foi descer pelo escorregador,   prendeu o braço em uma das partes corroídas e ficou todo arranhado. Não tem condição de colocá-lo para brincar ali”.

Serviço inacabado
E as queixas não param por aí. O cantor Divino Faria, 58 anos, explica que, há um mês, a CEB fez  a poda das árvores da área a fim de preservar a rede de energia, mas   deixou para trás todos os restos de troncos e galhos. Com isso, os próprios moradores tentaram amenizar os problemas. 

“Como eles deixaram tudo jogado, nós mesmos cortamos alguns troncos menores e vamos aproveitar para a época de festas juninas, para uma fogueira. Mas, mesmo assim, ainda sobrou muito entulho.” 

O pedreiro Perisvaldo Marques Lisboa, 55 anos, relata que a vontade de reformar o local é grande e, com o uso de um machado e uma foice, ele ajuda a separar os galhos menores na tentativa de  diminuir a bagunça na porta de casa. “Ajudamos como podemos. Mas o governo tem que fazer a parte dele. Até as lixeiras precisam de reparos e os bancos também estão quebrados”, diz.

A dona de casa Katia Vieira Feitosa, 32 anos, tem uma filha pequena,  que sofre com a poeira do lugar: “Ela é alérgica e esse ambiente contribui para a piora do quadro. Tento manter a casa sempre limpa, mas é difícil. Direto ela fica gripada e com a pele seca. É horrível”.

Plano atual é construir um jardim

A administração regional diz que   a área da quadra   não está destinada  a projeto de campo sintético, mas há a intenção de ocupar o local com algum equipamento público que possa atender a população, como  a implementação de jardim em parceria com a comunidade.

Quanto à manutenção do parquinho, a Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sinesp)   possui um contrato de manutenção das áreas de lazer do Distrito Federal. Mas, por conta da crise orçamentária que atingiu o governo no início deste ano, o contrato   foi afetado e aguarda verba para ser retomado.  A expectativa é de que os serviços   tenham continuidade no segundo semestre.

A administração também informa que, em duas semanas, o local passará por uma revitalização com o conserto dos brinquedos, além de receber pintura dos equipamentos e   instalação de lixeiras. 

A assessoria de comunicação da Novacap, por sua vez, informa que existe um projeto para recuperação de todas as calçadas do DF, que     também   aguarda disponibilidade financeira. De acordo com  a pasta, são feitos reparos pontuais   conforme a  demanda  e   as administrações regionais também podem executar esse tipo de serviço.

Promessa de fazer reparos

Procurado, o administrador de Ceilândia, Vilson José de Oliveira, disse que, de imediato, fará uma limpeza no local, retirando galhos de árvores e brinquedos velhos que possam colocar em risco a saúde das crianças. Afirmou ainda que, em parceria com outros órgãos,   viabiliza  a revitalização das quadras de esportes e dos parquinhos da região, contemplando  melhorias como a restauração de bancos e instalação de lixeiras. O objetivo é também   melhorar a acessibilidade destes espaços, inclusive com rampas para cadeirantes.

Ingrid Soares para o Jornal de Brasília
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