quarta-feira, 10 de junho de 2015

Movimento Ceilândia Viva participa de audiência na CPI da Violência Contra Jovens Negros e Pobres


Durante audiência pública da CPI da Violência Contra Jovens Negros e Pobres para debater índices de homicídio de jovens no Distrito Federal, deputados divergiram quanto à influência da questão racial na prática dos assassinatos.

Para o deputado Eduardo Bolsonaro (PSC-SP), não há razão para fazer essa correlação. “Eu não vou ficar tranquilo se reduzirmos a zero qualquer das taxas, e a outra continuar alta”, disse ele, em referencia às taxas de homicídios de brancos e negros.

Sobre as mortes de jovens em confronto com a polícia, Bolsonaro disse não acreditar em tratamento seletivo. “Será que o policial atira se for negro e não atira se for branco?”, questionou.
O deputado Major Olimpio (PDT-SP) pensa no mesmo sentido. “Quando se fala da formação do policial, não há qualquer orientação em relação a atuar conforme cor, raça, renda ou orientação sexual”, disse.
Mortes de policiais
Por sua vez, o deputado Pastor Eurico (PSB-PE) criticou o tratamento diferenciado dado pela mídia às mortes de policiais. “Quando alguém morre em confronto com a polícia, a imprensa faz um alarde gigantesco. Quando morre um policial, não se vê nada na imprensa.
”Sobre os assassinatos de jovens negros na periferia do DF, o deputado disse que não se pode esperar que morram mais brancos onde a maioria é negra. “Não é porque é negro que é bandido”, disse.
Pacto pela vida
Por outro lado, a deputada Érika Kokay (PT-DF) disse que, se o que se busca é um pacto pela vida, não se pode negar as evidências. “Há um racismo institucionalizado, diluído, sim. E não podemos responsabilizar as vitimas por suas mortes”, disse.
Segundo ela, 55% dos que morrem são jovens e, desses, 75% são negros. “Quem morre são os jovens negros e pobres. Ao negar essa realidade, não conseguimos transformá-la”, disse a deputada, ao propor uma ouvidoria independente para acompanhar o trabalho das forças policiais.
O comandante da Polícia Militar do Distrito Federal, Florisvaldo Ferreira Cesar, reforçou que não existe por parte da policia a ideia de discriminar. “A PM do DF é um ponto fora da curva no cenário nacional. É uma polícia que, reconhecidamente, respeita a integridade física das pessoas e os direitos humanos”, disse ele, informando que a média de mortes por confronto com a polícia no DF é de três por ano.
Violação
Para o deputado Paulão (PT-AL), no entanto, não se pode desviar o foco do debate e acreditar que são jovens negros e pobres que mais morrem nas periferias do País. Mesmo destacando o fato de o comandante da PM do DF ter sido criado em Ceilândia e de ele valorizar os direitos humanos, Paulão disse que há, sim, casos graves de violação a esses direitos dentro da polícia.
“O que a gente não pode fazer é esquecer que o comandante do Acre já foi conhecido como motosserra pelos assassinatos que cometia e era ainda comandante do trafico de cocaína”, disse citando o ex-deputado Hidelbrando Pascoal.
Banalização da violência
Mãe do jovem de 27 anos assassinado com três tiros em Ceilândia, no DF, Elizabeth Alves da Silva participa atualmente do movimento Ceilândia Viva, criado para conscientizar a população sobre as consequências da banalização da violência.
“Vamos mostrar a todos que publicaram coisas sobre meu filho, como se ele fosse criminoso, que eles estão errados. Ele foi assassinado injustamente”, disse a pedagoga que pretende cursar Direito para lutar no processo do próprio filho.
Câmara dos Deputados

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