terça-feira, 30 de junho de 2015

MP apura se Telma Rufino recebeu diploma de faculdade para indicar membro de quadrilha a cargo no GDF


O Ministério Público do Distrito Federal apura a veracidade do diploma de graduação da deputada distrital Telma Rufino (PPL). A suspeita de que a deputada tenha recebido diploma falso surgiu durante a Operação Trick, da Polícia Civil, que investiga uma quadrilha de empréstimos bancários fraudulentos. O MP aponta indícios de que Telma tenha recebido diploma para, em troca, indicar um integrante da quadrilha a um cargo no Executivo.
Em uma das ligações interceptadas com autorização da Justiça, dois integrantes do grupo combinam de entregar um certificado à distrital. Em um trecho da conversa, um suspeito diz: "E eu tô (sic) com o carimbo dentro do carro, tô (sic) com o certificado da Telma, as coisas para entregar."

A faculdade onde Telma diz ter se formado em gestão pública na Faculdade Darwin, que fica na quadra 07 do Areal. O diretor da instituição, José Marcelino, afirma ter uma pasta com as notas dela, mas investiga se as informações ali são verdadeiras. A TV Globo pediu à deputada que apresente alguns dos colegas de sala de aula dela durante o curso, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

Em junho do ano passado, o Ministério da Educação suspendeu os cursos de pós-graduação da Faculdade Darwin, depois de investigar se alunos recebiam diplomas sem frequentar as aulas.

"Para a Faculdade Darwin, a providência logo de imediato que foi dado início é um procedimento de rotina para levantamento junto aos professores da época e coordenação para se saber quanto ao registro dela e quanto a presencialidade obrigatória na turma em que ela pertencia", afirmou Marcelino.
Apesar dos indícios apontados pelo MP e pela Polícia Civil, os cinco deputados da mesa diretora da Câmara Legislativa – Celina Leão (PDT), Liliane Roriz (PRTB), Raimundo Ribeiro (PSDB), Júlio César (PRB) e Bispo Renato(PR) – arquivaram em 12 de junho um pedido de abertura de investigação contra Telma Rufino. Para os distritais, não há indicíos de que Telma tenha ligação com o grupo criminoso.
Nesta segunda-feira (29), um advogado entregou mais uma representação contra a distrital. "Quando se envolve com uma quadrilha em falsificação de documentos, em favorecimento de grupo que financiou sua campanha, e na investigação da fraude, a deputada quebrou o decoro parlamentar. Não podemos admitir que uma pessoa que nos representa esteja envolvida com grupo criminoso", declarou Gilson Santos.
Processo de expulsão

A Executiva Nacional do Partido Pátria Livre (PPL) abriu processo de expulsão contra a deputada distrital Telma Rufino, investigada por suposto envolvimento em fraudes bancárias para financiamento de campanha. A decisão da legenda foi tomada na última sexta-feira (8) por unanimidade em uma reunião em São Paulo, mas só foi divulgada nesta quarta (13).

Segundo o partido, Telma também foi suspensa “preventivamente e por um prazo de 60 dias” das funções partidárias e da vice-presidência do PPL local.

Investigado na mesma operação policial, o ex-diretor do DFTrans e atual presidente regional do partido, Marco Antonio Campanella, se licenciou do cargo na última sexta para “cuidar plenamente de sua defesa”.

Segundo nota do partido, a executiva nacional “verificou que constam nos autos fortes evidências de desvio de conduta e favorecimento indevido, demonstradas sobretudo pelas inúmeras gravações telefônicas autorizadas pela Justiça”. O documento é assinado pelo presidente nacional da legenda, Sérgio Rubens de Araújo Torres, e pelo secretário Nacional de Organização, Miguel Manso.

A nota diz que o suposto envolvimento de Telma Rufino no esquema causa “grave prejuízo ao partido”. O processo foi encaminhado à Comissão Nacional de Ética do PPL. O partido disse que a distrital terá “amplo direito de defesa”.
Escutas telefônicas
Documentos do Ministério Público e da Polícia Civil trazem detalhes do suposto envolvimento da deputada distrital Telma Rufino (PPL) com um grupo acusado de lavagem de dinheiro para financiamento de campanhas eleitorais no Distrito Federal. As investigações da Operação Trick revelaram trechos de conversas dela com o dono do supermercado Tatico. A TV Globo tentou falar com a parlamentar, que não quis comentar o assunto dizendo que ainda não prestou depoimento.

s escutas telefônicas são de fevereiro do ano passado e mostram Edigar Éneas da Silva, que segundo a apuração era o operador do esquema, explicando para Tema como ela deveria conversar com o empresário Abadia Tatico. “Depois que contar isso aí, tá perdendo a liderança, que você pode falar que gastou os cartão... Aí você dá uma choradinha de leve (sic).”

Dois meses depois, Telma fala com Silva que “o administrador tá lá com o cara, com o presidente da Terracap (sic)”. Para a polícia, a conversa seria com o ex-administrador regional de Ceilândia. Para a Polícia Civil, Telma diz que conversou com o empresário e que arrumaria para ele comprar o terreno.
O grupo Tatico foi o maior doador da campanha da distrital. A página de prestação de contas do Tribunal Superior Eleitoral mostra que, dos R$ 592,2 mil recebidos por ela, R$ 361 mil vieram da empresa Itatico Comércio de Alimentos.
A Operação Trick cumpriu, em abril deste ano, 36 mandados de busca e apreensão e 32 mandados de condução coercitiva, que é quando o suspeito é levado para a delegacia para depor.
Entre os investigados estavam deputados, funcionários do Banco do Brasil e laranjas. A polícia identificou 55 empresas fantasmas, que pegavam empréstimos. O dinheiro entrava na conta dos suspeitos, que usavam notas frias para comprovar os gastos. O prejuízo é estimado em R$ 100 milhões.
Nas escutas telefônicas, Telma diz ao suposto operador do esquema que o gerente do banco disse não ser possível abrir a conta. “A vistoria foi lá, a superintendente não, como é que fala, foi lá e a empresa não existe, o galpão tá fechado (sic).” A polícia diz considerar que a conversa deixa claro que Silva e a deputada montaram uma empresa de gaveta para pegar empréstimos.
Portal G1
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