terça-feira, 21 de julho de 2015

Ascap promove ação no Sol Nascente, em Ceilândia


Solidariedade é atitude. Mais uma vez, a Ação Social Caminheiros de Santo Antônio de Pádua (Ascap), braço social do Centro Espírita Caminheiros de Santo Antônio de Pádua, tornou real o lema que, há muito, vem orientando as atividades em favor dos menos favorecidos. No último sábado (18/7), os diretores e voluntários foram para o Setor Habitacional Sol Nascente que, com o Setor Pôr do Sol, forma a maior favela da América Latina, com quase 80 mil pessoas ― cerca de 10 a mais do que a Rocinha, no Rio de Janeiro ― para distribuir brinquedos, roupas, calçados e oferecer saboroso lanche à parcela que vive na Chácara 75.


Foi o primeiro contato direto com a comunidade. E não será a última. Para a presidente da Ascap, Balbina Rodrigues dos Santos, o encontro é o início do crescimento da associação. “A partir de agora, vamos tornar a Ascap mais conhecida da comunidade, que escolhemos, há cerca de um ano, mas somente agora foi possível promover esta atividade no local”, disse ela, enquanto preparava os sanduíches distribuídos a crianças e adultos. Como brinde, os pequeninos ganharam brinquedos e bombons doados à Ascap.

Cenário
Não é preciso muito esforço para saber o que motivou a Ascap eleger o Sol Nascente como espaço para ações efetivas que tornem real a missão da entidade. No local, não há infraestrutura. O fornecimento de água é irregular. Faltam creches, escolas, posto de saúde e segurança. Não há ruas pavimentadas. A poeira fina sobe com o vento, próprio do período de estiagem. As irregularidades indicam que idosos, deficientes, crianças pequenas têm grande dificuldade de locomoção.

O lixo se espalha por todos os lados. Em alguns pontos, lixões começam a se formar, pondo em risco a saúde das pessoas. O cenário mostra o quanto será grande o desafio da Ascap, disposta a somar esforços para elevar a qualidade de vida das pessoas. No encerramento da atividade, a equipe da Ascap constatou que é possível buscar parceiros para tentar realizar oficinas que contribuam com os moradores na organização dos quintais, utilização das áreas desocupadas para a formação de hortas, entre outras ações que fortaleçam pelo menos o cardápio diário de crianças e adultos.

Drama
“Aqui, na chácara (nº 75), devem morar umas 400 famílias”, estimou Adriana Mendes da Silva, 25 anos, nascida em Ceilândia, dois filhos. Ela abriu o quintal para que a Ascap pudesse ter um ponto para fazer sua ação no bairro. Adriana, como a maioria das mulheres, lamenta as péssimas condições de vida do local, onde, as famílias chegam a ficar 20 dias sem água. “Somos obrigados a colocar os galões no carrinho de mão e ir ao córrego, que fica bem distante, para buscar água pra tudo ― beber, cozinhar, tomar banho, lavar roupa e tudo mais”, queixa-se.

O marido de Adriana foi atropelado, há quase um ano, em uma das avenidas de Taguatinga. Ele é serralheiro e trabalhava havia dois meses sem carteira assinada. O acidente o deixou com um braço e uma perna comprometidos, a ponto de não poder exercer o ofício. Adriana produz sabão doméstico cujas unidades são vendidas a R$ 2. “É desse jeito que tenho conseguido sobreviver”, diz a jovem, que recentemente foi socorrida pela Ascap com cesta básica de alimentos.

As dificuldades de Adriana, como algumas variações, são comuns à maioria das pessoas. Na fila formada na frente do quintal dela, dezenas de mulheres, homens e muitas crianças. Todos ávidos por receberem os brindes levados pela Ascap. No encontro, as mulheres ― bem mais falantes dos que os homens ― reclamavam da péssima infraestrutura do local e da ausência do poder público. 

“Tudo é muito distante”, queixa-se Darlene Santos Silva, 23 anos, há 9 anos no bairro. Ela cresceu no Piauí e chegou ao Distrito Federal para se juntar à mãe após a morte da avó. “Sentimos muita falta de um posto saúde”, reclamou.

“O importante é fazermos algo para ajudar a quem precisa”, afirma Antônio Carlos Paz de Souza, voluntário da Ascap, que avaliou como “muito bom” o encontro com a comunidade do Sol Nascente. “O intuito é atender pessoas carentes. Esta é a primeira de várias outras visitas que acontecerão, pois estamos preocupados em prestar atendimento a essa população que não conta com a ajuda do Estado”, acrescentou, pouco antes de entregar cesta de alimentos para Aline de Jesus, 24 anos, residente há 10 anos no local.

A Ascap não leva em conta o credo religioso das pessoas. A grande preocupação é estender as mãos aos que necessitam de ajudar e, com isso, colaborar para o engrandecimento das pessoas. Para os diretores da instituição, voluntários e colaboradores a tarde do último sábado foi de imensa alegria. O contentamento de crianças e adultos preencheu todos demuita satisfação. A presidente Balbina dos Santos encerrou os trabalhos com uma prece, em que agradeceu a Deus pela oportunidade de dar um momento de contentamento às famílias e também pelo regozijo dos que participaram da atividade.

Ascom Ascap
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