segunda-feira, 20 de julho de 2015

Ator Paulo Betti se emociona com espetáculo de atores de Ceilândia



Assim que chegou à sala de ensaios, no último sábado, Paulo Betti foi rodeado pelos adolescentes protagonistas do espetáculo Meninos da guerra, que entra em cartaz esta semana, no Sesc da Ceilândia. “Imita o Téo Pereira!”, “como você entrou na Globo?”, “você é amigo de muitos famosos?”, escutou dos jovens, que ficaram logo animados com a presença ilustre.


Ao ser informado sobre a natureza e o conteúdo da peça, o artista fez questão de conferir o trabalho. No palco, adolescentes de Ceilândia acostumados a viver à beira da marginalidade. Todos chegaram a morar nas ruas e a maioria teve contato com drogas. Muitos desconhecem o paradeiro da família. Alguns são órfãos, vítimas da violência urbana. Os relatos levados ao palco impressionam e, na maior parte dos casos, repetem-se: “Fui abusada pelo meu padrasto”, “já fui jogado de ponte por policiais”, “tive que roubar para conseguir comida”, “vi minha mãe morrer”.


E são essas histórias que eles levam aos palcos com o auxílio dos diretores Carlos Laredo e José Regino, e produção da experiente Clarice Cardell. A dramaturgia elaborada faz do espetáculo uma denúncia contra o abandono de crianças e jovens no Distrito Federal, que registra mais de 5 mil adolescentes cumprindo medidas socioeducativas. Atento a cada uma das cenas, Paulo Betti se emocionou. “É importante termos projetos assim, que tragam esse senso de humanidade à plateia. Fiquei surpreso com o talento deles, atores natos”, elogiou o veterano artista, em entrevista ao Correio, que acompanhou o ensaio com exclusividade.

Ao comentar o processo cênico de Meninos da guerra, Paulo chamou a atenção para a “acertada construção dramatúrgica” e classificou a iniciativa como um exemplo de “teatro vivo”. “A força do discurso e a maneira como os depoimentos foram transpostos ao palco trazem esse elemento de vivacidade. Fico me perguntando se a minha peça é capaz de tamanha expressão”, questionou o ator, que acaba de encerrar uma bem-sucedida temporada brasiliense de Autobiografia autorizada. No monólogo, ele revive a juventude e celebra os 40 anos de carreira, que o tornaram um dos mais celebrados nomes da cultura nacional.

Diego Ponce de Leon / Correio Web

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