quarta-feira, 22 de julho de 2015

Em dois meses, escola em Ceilândia é atacada cinco vezes


No Condomínio Virgem da Vitória, do Setor Habitacional Sol Nascente, um muro azul pintado com imagens de meninos e meninas de mãos dadas se destaca no meio de uma paisagem vazia. Ali, funciona o Centro de Ensino Fundamental 28 (CEF 28). O local é ladeado por dois terrenos baldios e faz divisa com a Vila Olímpica da QNP 21. A visualização é de abandono, o que explica a situação vivida pela unidade. Na madrugada da última segunda-feira, bandidos arrombaram a sala de informática e levaram computadores adquiridos pelo Ministério da Educação (MEC) com o programa ProInfo e outros que a instituição ganhou. Em menos de dois meses, é a quinta ocorrência registrada no colégio.


“Praticamente, eles (os ladrões) acabaram com a nossa sala de informática, um local construído para atender à demanda dos alunos. A escola tinha que ser algo inviolável: é um bem muito grande, onde as pessoas recebem a educação. Mas, infelizmente, não pensam assim. Aí, a instituição fica sujeita a isso”, desabafa a diretora do CEF 28, Glauce Kelly Furletti. Ao todo, os suspeitos levaram 10 CPUs e 18 monitores do programa ProInfo e 11 computadores completos que tinham sido doados para a escola. Além disso, furtaram teclados e mouses.

Segundo a diretora, desde que ela entrou na instituição, em 2011, nunca tinha ocorrido algo similar. Apenas pequenos furtos de vassouras. Mesmo assim, receosa por trabalhar em um local ermo, Glauce solicitou a construção de um muro entre a escola e a Vila Olímpica, mas não foi atendida. Então, a diretora colocou a grade. O que não foi suficiente para impedir a ação de bandidos.


Glauce registrou as cinco ocorrências nesse período: dois danos ao patrimônio e três furtos. Na primeira ocasião, os suspeitos atearam fogo em um sofá velho em frente ao portão do estacionamento, o que danificou a estrutura. Em outra oportunidade, arrombaram o depósito de material de limpeza e levaram alguns itens. Na semana passada, arrombaram o portão social do colégio e furtaram dois monitores e dois teclados da sala da coordenação.


O coordenador da Regional de Ensino de Ceilândia, Marco Antônio de Souza, lamenta o ocorrido. “São coisas que acontecem no período noturno. Mas a segurança do Sol Nascente sempre foi muito prejudicada”, declara. Ele ressalta que as ocorrências representam prejuízos para a educação. “São equipamentos utilizados pelos alunos e fazem falta”, comenta.

Histórico
A 19ª Delegacia de Polícia Civil (Setor P Norte, Ceilândia) está à frente das investigações. De acordo com o delegado-chefe da unidade, Fernando Fernandes, os suspeitos entraram por um espaço aberto na base da cerca da Vila Olímpica e, em seguida, violaram as grades — tanto as da escola como as colocadas na janela da sala de informática. Segundo o investigador, existem alguns suspeitos identificados por meio de ocorrências anteriores, em que os bandidos atuaram de forma semelhante e também por denúncias anônimas. “Nós aguardamos os dados da perícia para confrontar as digitais recolhidas na escola com as desses possíveis suspeitos. Há adolescentes envolvidos”, adianta o delegado.


Segundo Fernandes, são quatro homens. Alguns deles estariam envolvidos com o tráfico de drogas, mas nenhum, até o momento, foi caracterizado como aluno da instituição. De acordo com o policial, a região não tinha histórico de violência até o início do ano. “Depois de algumas reuniões, inclusive com a Regional de Ensino da Ceilândia, tanto nós como a Polícia Militar intensificamos as abordagens, o que nos levou a prender alguns ladrões que roubavam pedestres. O objeto que mais chama a atenção deles é o celular”, explica. Fernandes esclarece que é muito comum usuários de drogas cometerem esse tipo de crime para manterem o vício. “Eles revendem para pessoas que trabalham na área de informática, por exemplo, ou trocam direito na boca de fumo.”


Roberta Pinheiro / Correio Web
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