segunda-feira, 6 de julho de 2015

Escolas de Ceilândia lutam contra a violência e o preconceito



A estudante Maria Eduarda de Carvalho Alves, 14 anos, não esconde o receio do que pode acontecer no caminho de casa até a sala de aula. Há pouco mais de um mês, a escola dela, o Centro de Ensino Fundamental 33, em Ceilândia, foi alvo de uma série de crimes patrocinados pelo tráfico de drogas na região. A insegurança culminou com a saída da diretora, que sofria ameaças de morte. “Mesmo assim, nunca pensei em desistir de estudar, porque sei que só dessa maneira posso garantir que serei alguém na vida”, afirma a adolescente.


A segurança além dos muros das escolas é tão importante quanto aquela que fica restrita aos seus limites. Quando uma delas falta, o aprendizado fica comprometido. “Ninguém consegue aprender com medo”, diz o coordenador regional de Educação de Ceilândia, Marcos Antônio de Souza. Agora, dois policiais militares passam o dia no CEF 33, graças a intervenção da Coordenação Regional de Ensino de Ceilândia.

Além da situação de insegurança, os alunos do CEF 33 sofrem preconceito. São chamados de “peba”, gíria que indica criminosos ou à toa. Guilherme Pereira de Sousa Moura, 15 anos, sofreu um assalto quando voltava para casa. “Quando conto onde estudo, dizem que aqui só tem bandido. Mas essa é uma das melhores escolas de Ceilândia”, afirma. Maria Eduarda reforça a crítica: “Temos muita coisa boa e nenhuma escola é perfeita”.

Para mudar essa visão pejorativa da escola, a direção passou a adotar medidas que incluem dar voz aos estudantes. Além disso, o coordenador regional, Marcos Antônio, afirma que a uma das principais atitudes a ser tomada para reduzir a violência ao redor dos colégios é abrir as portas. “Foi o que fizemos no CEF 33. Há uma impressão errada de que, fechando com grades, muros altos e colocando policiais na porta você está trazendo segurança. Isso é algo que pode ser feito rapidamente”, comenta Marcos Antônio sobre as medidas tomadas de maneira mais urgente. “Para consolidar as mudanças, é preciso mantê-las por bastante tempo”, completa. A intenção é manter as escolas abertas nos fins de semana para que alunos possam usar as quadras de esporte, por exemplo.


Segundo Marcos Antônio, tanto estudantes quanto pais têm acreditado em uma mudança de comportamento, ajudada pela transferência de jovens que estavam envolvidos com o tráfico, além do estímulo à participação do corpo discente nas decisões. “Hoje, o ambiente é outro porque estamos ouvindo os alunos”, avalia.

Rafael Campos / Correio Web
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