quinta-feira, 9 de julho de 2015

"Existe risco de tudo para quem está vivo, inclusive a morte" entrevista com Vice-governador Renato Santana


“Não existe esse risco de não pagar os salários. O governo está buscando soluções. Não trabalho com essa hipótese nem o governador Rodrigo Rollemberg” 

Existe um risco real de faltar dinheiro para pagar a folha dos servidores neste fim de ano. O que vai acontecer se os recursos não derem para os salários? 
Não vai faltar. Existe risco de tudo para quem está vivo, inclusive a morte. Não sabemos o que vai acontecer com a gente amanhã. Mas vou dizer uma coisa: não existe esse risco de não pagarmos os salários. O governo está buscando soluções. Não trabalho com essa hipótese nem o governador Rodrigo Rollemberg. 

E o quadro apresentado no Conselho Político de que faltam R$ 1,5 bilhão para honrar os pagamentos?
O governador divulgou uma cena do momento. É obrigação do governo dar transparência no dia a dia. Mas vamos trabalhar mais horas por dia para buscar uma solução.

Que solução é essa?
Uma solução que não cause dano ao servidor e ao cidadão.

O servidor do DF pode dormir tranquilo sem se preocupar com o salário no Natal?
Pode e deve. Os servidores públicos são nossa força de trabalho. Se essa força de trabalho não tiver a sua remuneração vai ficar com a perspectiva para baixo. Isso não vai acontecer. Pelo contrário, o servidor precisa trabalhar mais, empenhar-se mais porque a força de trabalho do governo vem desse pessoal. E é nele que nós confiamos a solução para esse momento delicado.

Qual é a sua opinião sobre a mudança do nome da Ponte Costa e Silva para Honestino Guimarães? Se estivesse em suas mãos, vetaria ou sancionaria o projeto, do deputado Ricardo Vale (PT), aprovado pela Câmara Legislativa?
Esse é um tema que não vai mudar a nossa condição financeira, por exemplo. No passado, lá em Ceilândia, tentaram mudar a Praça dos Eucaliptos. Até apresentaram um projeto de lei, do nobre deputado José Edmar, e a Praça dos Eucaliptos continuou Praça dos Eucaliptos, com os mesmos problemas da época. Se mudar o nome da ponte significa torná-la mais segura, melhor, com manutenção efetiva, maravilha.

É uma bobagem a Câmara discutir isso?
Não acho que é uma bobagem. O que não podemos é dar uma proporção para a mudança de nome que não existe. Se a maioria votou, aprovou e concordou, maravilha. Sinceramente, precisamos ter as coisas palpáveis do mundo real agora. Essa é a discussão tem que dominar a pauta. Temos que gastar energia para resolver o problema do salário dos servidores.

Dá para aprovar auxílio-moradia, alimentação e uniforme para a Polícia Civil?
Aquilo que é direito, o Estado tem que buscar garantir. Mas nós conseguimos implementar isso agora? Os estudos dos impactos vão dizer. Nós temos que dizer a verdade, sem enrolação, sem aquela coisa de moeda de troca. 

Acha que o governo tem respondido com agilidade às demandas do setor produtivo? 
Muitos empresários reclamam da demora e da burocracia, e que as medidas para aumento de arrecadação, anunciadas pelo governo, levam em conta apenas cobranças de tributos e taxas.
Primeiro, precisamos melhorar o nosso diálogo com a sociedade. A comunicação das ações é que não está encaixando. Por exemplo, quando se fala em IPTU, não é aumento. Brasília tem 100 mil imóveis a mais que Belo Horizonte. Mas arrecada R$ 500 milhões com IPTU, enquanto a capital mineira arrecada R$ 2 bilhões. Por quê? O valor dos imóveis para efeito de cobrança está muito defasado da realidade do DF.

Mas e as medidas para realização de empreendimentos, que geram emprego, renda e aumento da arrecadação?

Por exemplo, quem parou para revisar o Código de Obras? Nós estamos fazendo isso. Estamos simplificando. Esse documento está pronto. Será remetido à Câmara Legislativa. E não foi construído apenas pelo governo. Teve o apoio da Câmara, de entidades da sociedade civil e de todas as entidades de classe que têm interesse direito nisso aí. Vamos simplificar a concessão de alvarás. Outro projeto pronto é com relação ao licenciamento. Também temos um projeto de lei para desatar os nós da construção civil.

Ana Maria Campo - Correio Web
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