domingo, 26 de julho de 2015

Família reclama contra demora em investigação de morte de Talitha Cacau, morta em Ceilândia


Pouco avançou a investigação sobre a morte da vendedora Talitha Cacau Rocha Passos, 25 anos, quase um mês depois de o corpo dela ser encontrado com sinais de estrangulamento e abandonado atrás de um campo de futebol, às margens da BR-070. Os familiares da vítima alegam falta de informações por parte da Polícia Civil. A jovem foi localizada em 29 de junho, dois dias após o último contato com o marido, feito por telefone, no trajeto do trabalho para casa. Na época, suspeitava-se de que Talitha teria sido mantida em cárcere privado antes de ser assassinada.



Segundo a mãe, Cícera Maria Cacau, 48, o silêncio da polícia preocupa a família. Do início das apurações até agora, quase nenhuma informação sobre o caso foi repassada aos parentes. “Hoje, completamos um mês sem a Talitha e ainda nem vimos o laudo da morte. Essas coisas demoram, eu sei, mas ninguém dá notícias”, lamentou. Para chamar a atenção das autoridades, será iniciada uma campanha nas redes sociais. Uma caminhada também deverá mobilizar moradores de Águas Lindas (GO), onde moram amigos e familiares. “Quero resolver esse assunto”, acrescentou.

O tio de Talitha, José Cacau, 36, acredita que a polícia não pretende envolver a família nas investigações. Os agentes suspeitariam, segundo ele, de que o responsável pelo homicídio seja alguém próximo. “Eles não estão dando detalhes. Falaram sobre a proximidade entre o bandido e os parentes”, contou. Mas Cícera Maria duvida. “Quem tramou essa coisa horrível deve estar correndo para ‘uma lonjura’ (sic) qualquer”, indagou. Segundo a família, Talitha não tinha desafetos. Também não era de “dar conversa” para desconhecidos.

Três semanas antes do crime, Talitha mudou-se com os dois filhos, João Nicolas, 5 anos, e Natany, 1, para a casa de David Delfino, 32, namorado dela havia 4 anos. “Vivíamos o nosso momento de felicidade. De repente, fomos interrompidos. Vejo isso como um pesadelo que precisa acabar logo”, desabafou o comerciante. Com a morte da mulher, deixou Nicolas, filho apenas dela, com a avó materna. Natany acompanha o pai na loja dele, no Jardim Brasília, durante o expediente, e permanece na companhia dele o restante do dia.

O primeiro aniversário da menina foi comemorado em 24 de junho. “Imagina uma garotinha crescer sem esse contato? A mãe nunca mais estará presente. Não vai ensinar “coisas de mulher”, dar conselhos, ajudar a filha”, disse David. Para não deixar que a filha cresça sem as lembranças de Talitha, ele prometeu levá-la semanalmente ao Cemitério de Taguatinga. Ele visita o espaço sempre que pode e pretende fazer disso um hábito.

Por causa da falta de notícias, parentes e amigos de Talitha organizam uma manifestação para o próximo dia 29, quando se completa um mês do assassinato. A intenção é pressionar as autoridades para adiantar as investigações e pedir que a Polícia Civil informe sobre os avanços. Por isso, todos devem se reunir em frente à 24ª Delegacia de Polícia (Setor O), vestindo camisetas personalizadas e segurando cartazes. “Nós não vamos desistir”, completou David.

“Nenhuma novidade”

Nos últimos 25 dias, o Correio entrou em contato com a Divisão de Comunicação da Polícia Civil via e-mail e por telefone. Aproximadamente 20 mensagens foram enviadas, e, para todas, recebeu sempre a mesma resposta: “a delegacia segue investigando. Até o momento, nenhuma novidade”. O Correio também compareceu duas vezes à 24ª DP, mas não foi recebido por nenhum investigador. O delegado Alexandre Nogueira, chefe da unidade, informou ontem, por telefone, “não ter novidades ou esclarecimentos para prestar”.

Bernardo Bittar / Correio Web
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