sexta-feira, 10 de julho de 2015

Superbactérias no DF é realidade, e continuam a matar pacientes


Multirresistentes, elas permanecem dentro das unidades públicas de saúde  do DF. As bactérias ainda amedrontam as famílias dos pacientes, que garantem ser vítimas não apenas do problema, mas também do descaso na rede. É o caso do aposentado Sebastião Batista, 76 anos, que perdeu a mulher Maria da Conceição de Jesus Batista, 73, moradora de Ceilândia, na manhã da última quarta-feira, segundo ele, vítima da bactéria multirresistente. Até agora, sete pacientes colonizados ou infectados morreram este ano, a maioria idosa e com baixa imunidade, segundo a Secretaria de Saúde.


A pasta esclarece, no entanto, que as causas das mortes foram problemas crônicos ou outras patologias. Portanto, segundo o órgão, ninguém morreu por bactérias multirresistentes desde o início de 2015. Ainda assim, a situação é questionada pelo aposentado Sebastião Batista. De acordo com ele, a esposa estava internada no Hospital Regional de Taguatinga (HRT) há três meses em razão do suposto diagnóstico. 

Batista acredita que ela foi contaminada  ao fazer um tratamento na unidade. "Três vezes na semana, ela ia ao HRT fazer hemodiálise. E, de repente, o quadro dela piorou. Além disso, no início desta semana, o hospital deu alta, mas eu vi que ela não estava bem e achei melhor ela ficar internada. No dia seguinte,   morreu. Achei uma falta de responsabilidade dos médicos", desabafa.

KPC
A Secretaria de Saúde afirmou que os relatórios médicos comprovam que Maria da Conceição de Jesus Batista não estava colonizada com KPC. Ainda de acordo com a pasta, ao todo, havia  oito pacientes internados com bactérias multirresistentes no organismo. Destes, apenas um segue isolado no Hospital Regional de Santa Maria. Ele foi colonizado pela bactéria Acinetobacter baumannii.

Segundo o órgão, no Hospital Regional de Taguatinga (HRT), três pacientes estavam com Enterococo e um com KPC. No Hospital Regional do Guará (HRGu), uma pessoa estava com Acinetobacter baumannii e outra com KPC. Já no Hospital Regional de Sobradinho (HRS), um paciente foi isolado com KPC.

Necropsia só é feita se a família pedir

Em relação ao número de pessoas colonizadas ou infectadas por bactérias multirresistentes, sete no total, que morreram desde o início do ano, a secretaria explicou que a causa da morte não foi confirmada. "Apenas em um dos casos de óbito a família da paciente, que estava internada no Hospital Regional de Taguatinga (HRT), solicitou necropsia, que deve apontar a causa da morte. Ela estava colonizada com a bactéria Enterococo", informa a pasta, por meio da assessoria.

O órgão lembrou ainda que o Plano de Enfrentamento à Resistência Bacteriana foi lançado em junho, na tentativa de frear a disseminação de bactérias multirresistentes nas unidades de saúde. O documento foi estabelecido junto com representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Manuela Rolim / JBr
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