terça-feira, 28 de julho de 2015

Superlotado, Hospital de Ceilândia recusa atendimentos


A falta de pediatras na rede pública  é um problema antigo, mas  a situação se agravou no Hospital Regional de Ceilândia (HRC). Por conta da superlotação e do déficit de pediatras, os bebês não   recebem alta com rapidez. Ou seja, ocupam o leito por mais tempo do que o necessário, o que impede a entrada de mais gestantes  na maternidade.


Somente os casos mais graves são atendidos e até mulheres em trabalho de parto foram orientadas a procurar outros hospitais. O JBr.  flagrou uma servidora da triagem explicando que a maternidade e o centro obstétrico estavam lotados porque faltam pediatras para dar alta aos recém-nascidos. “Tem bebê  há mais de seis dias esperando somente pela alta”, comunicou.

A dona de casa Aline Rocha, 18 anos, estava em trabalho de parto e sentia contrações desde a noite anterior, mas não foi atendida. “Estou com medo de acontecer alguma coisa com o  bebê”, afirmou. Ao tentar saber sobre quando seria chamada, Aline foi informada de que deveria ir a outro hospital o quanto antes porque, caso contrário, o bebê poderia morrer. Apavorada com a situação, ela e a mãe foram para outra unidade.

Situação semelhante era a de Karoline Freitas, 21, dona de casa. A bolsa   estourou  e ela foi ao hospital sentindo  fortes dores e    contrações. “Até me chamaram para entrar, mas o obstetra  não chegou. Não fizeram nem o toque para saber como está a dilatação”, relatou a gestante, que preferiu tentar outro hospital.
Mesmo com a informação de que só grávidas de alto risco seriam atendidas, Simone Alves, 23, auxiliar de açougue, insistiu. A gestação  dela completou 40 semanas.  “Pretendo  sair daqui com a cesariana marcada, porque o máximo que se pode esperar são 41 semanas. Não quero que o bebê tenha a saúde comprometida por passar da hora de nascer”, disse.

Mães "fogem" com os filhos

Por causa da falta de pediatras para dar alta aos recém- nascidos, muitas mães estão levando os filhos para casa sem o consentimento do profissional. Foi o caso da neta da aposentada Nadir de Oliveira,   65 anos.  Jéssica de Oliveira, 24 anos, deu à luz na última sexta-feira, mas, como não havia médicos, ela resolveu ir embora e deixar os documentos retidos no HRC. 

“Se quiser sair, precisa deixar o documento   e buscar depois. Preferimos assim  porque nem previsão de alta a neném tinha, já que nem os exames   foram feitos. Então, vamos levá-la  a uma clínica particular. Depois, trago o resultado”, garantiu.

A esposa do marceneiro Francisco Sousa, 45 anos, também deu à luz na última sexta, e a criança  não passou por avaliação. “Minha mulher recebeu alta, mas a bebê, não. Como não tem previsão de quando um pediatra vai atender,   acho que vou assumir o risco e levá-las para casa. Depois, fazemos os exames, mas é melhor ir para casa do que ficar correndo risco de pegar uma infecção aqui. A situação está muito crítica, é revoltante”, afirmou.

Juruna Lopes / Jornal de Brasília
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