segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Alunos e professores de Ceilândia premiados na Olimpíada de Matemática de 2014 são homenageados


Maurício de Sousa, 12 anos, 7º ano do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 12 da Ceilândia. Vinicius Alcanfôr, 12 anos, cursa o 8º ano do CEF 405 Sul, no Plano Piloto. Se fosse pela localização de suas escolas, o destino desses dois personagens provavelmente não se cruzaria. Entretanto, ambos, estudantes da rede de ensino do Distrito Federal, foram contemplados com a bolsa de estudos do Programa de Iniciação Científica (PIC). O prêmio é resultado do segundo lugar que ambos conquistaram na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), de 2014. Maurício e Vinícius se cruzam sempre aos sábados, pelos corredores da Universidade de Brasília (UnB), onde são ministradas as aulas do PIC.

Na tarde desta segunda-feira (24), os dois se encontraram novamente. Desta vez, no auditório do Centro de Convenções Ullysses Guimarães. Ao lado de cerca de outros 200 estudantes além de professores do DF, convidados e familiares, eles foram receber as medalhas pelas mãos do governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg, do secretário de Educação, Julio Gregório Filho, e outras autoridades. Assim como na olimpíada esportiva, a de matemática também demandou esforço e dedicação. Para alcançar o segundo posto mais alto do "pódio”, os dois se prepararam ao lado dos respectivos professores de matemática. Após seleção na primeira fase do concurso, os alunos se submetiam a maratonas de exercícios. E não pense que eles achavam ruim. “Se você gostava de matemática, passa a amar”, contou Mauricio. O entusiasmo pela matemática tomou tanto os estudantes, que hoje eles pensam em seguir a carreira na área de engenharia mecatrônica. “Fomos premiados com um curso que aprofundou ainda mais nosso interesse pela matemática e foi assim que decidi pela engenheira, pois o curso consegue unir tecnologia e cálculos ao mesmo campo”, contou Vinícius. 
 Mestres reconhecidos
Assim como os alunos, os professores que participaram do processo de preparação dos competidores também foram homenageados. Cristiane Coqueiro foi premiada pelo trabalho desenvolvido no Centro Ensino Médio (CEM) Setor Oeste. Esse é o terceiro ano consecutivo que a escola recebeu troféu por participação na olimpíada. A professora de matemática da unidade credita o êxito ao trabalho coletivo desenvolvido na escola e ao resgate dos conceitos básicos da ciência exata, que auxiliam principalmente aqueles que tiveram dificuldades nos anos iniciais. “Esse trabalho funciona como uma alfabetização matemática para alunos”, explicou Cristiane, que foi premiada com um tablet, juntamente com a colega Paula Reiko Inoi Nishikawa, do Centro de Ensino Médio 09 de Ceilandia.
Bruno Salles de Oliveira, professor de matemática há 19 anos, foi um dos 17 homenageados com diploma de honra ao mérito. No caso dele, a menção veio pelo trabalho desenvolvido com os estudantes do Centro de Ensino Estância 3 de Planaltina, onde o mestre tinha o papel de identificar os alunos que se destacavam na disciplina e, a partir daí, começava a preparação. “Na primeira fase das olimpíadas, ofereci um trabalho diferenciado, focando no material do PIC. Além disso, uma vez por semana, ministrava aulas fora da grade e trabalhava exercícios e técnicas de probabilidade com os jovens”, lembrou. Os estudantes que passavam pelo treinamento do professor recebiam acompanhamento até o último dia antes da prova da segunda fase da Olimpíada.
Aluno de Bruno, Almi Cardoso, atualmente no 9° ano, é exemplo disso. Por dois anos seguidos, ele foi medalhista de prata. O professor relatou que o material pedagógico e os jogos fornecidos pela OBMEP ajudam os estudantes a comprrender melhor a matéria, assim como o vídeo sobre a competição conta casos de estudantes que participaram e hoje vivem uma outra realidade, graças aos bons resultados. “É um material que desperta a sede de vencer, apesar dos obstáculos que eles encontram”, avaliou o professor.
Medalhas e troféus
 Os brasilienses conquistaram 202 medalhas na competição, das quais 10 foram de ouro, 64 de prata e 128 de bronze. Outros 683 foram agraciados com menções honrosas. Considerando que os estudantes da rede pública de ensino do DF concorreram com mais de 18 milhões de alunos em todo o Brasil, a Secretaria de Educação avalia que os números desta premiação mostram a eficácia das políticas públicas em vigor na capital. Segundo o coordenador da OBMEP no DF, professor Reginaldo Ramos de Abreu, a olimpíada tem o compromisso de agregar valor ao ensino público. "A iniciativa vem mostrando a importância da matemática para o futuro dos jovens e, consequentemente, o desenvolvimento do país", afirma. 
Dez escolas da rede pública de ensino receberam troféus pela participação exitosa na Olimpíada. Para o secretário de Educação, Julio Gregório Filho, as competições de matemática são importantes para estimular os alunos a melhorarem o desempenho e despertar a genialidade em cada um. "É essencial saber identificar onde estão os alunos com grande performance nas respectivas disciplinas e desenvolver ações para contemplar as aptidões desses estudantes", concluiu.
Saiba mais
A Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas é promovida pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e pelo Ministério da Educação, e realizada pelo Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) com apoio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) e das Secretarias de Educação estaduais e do Distrito Federal. O objetivo é incentivar o ensino de matemática e descobrir talentos entre estudantes das escolas públicas brasileiras. A edição de 2015 já está em andamento, com a primeira fase realizada. Para a segunda fase, cada escola deverá cadastrar os professores dos alunos classificados. O prazo final é até o dia 11 de setembro. 
Camila Denes, Ascom/SEDF
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...