segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Ceilândia no topo da violência contra mulher


Das 31 regiões administrativas do Distrito Federal, Ceilândia é a que apresenta os maiores índices de violência contra a mulher. Segundo relatório da Secretaria de Segurança e Paz Social, que compara o número de ocorrências de violência doméstica do primeiro semestre de 2014 e de 2015, Ceilândia teve 1.176 ocorrências, contra 1.082 do ano passado. Planaltina, segunda colocada, teve 642 casos no período. A situação foi relatada na última edição do Destak Jornal. 

De acordo o Destak, em todo o DF, 6.938 casos foram registrados contra mulheres no primeiro semestre de 2015. Todos os autores foram identificados - 7.548, sendo que 558 tiveram reincidência nos crimes.
A violência, na maioria dos casos, vem de maridos, namorados e companheiros. O medo de denunciar aumenta os índices e a impunidade dos agressores, apesar das penalidades previstas pela Lei Maria da Penha. A pena pode chegar a até 20 anos de reclusão.
Para Maísa Guimarães, gerente dos Núcleos de Atendimento às Famílias e aos Autores de Violência Doméstica (NAFAVD), da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, Ceilândia apresenta índices de violência muito elevados, como os relacionados a drogas e álcool. Contra as mulheres, o índice aumenta nos finais de semana. Ao todo, 20,1% dos casos foram registrados aos domingos. O horário mais violento é entre 18h e 21h. Ameaça, injúria e lesão corporal lideram a lista. "O grande número de crimes demonstra um déficit da cidade em serviços, cultura e segurança", explica Maísa.
O número também pode ser resultado de uma maior quantidade de denúncias por parte das vítimas. Ao buscarem apoio, o medo diminui. "Elas criam uma relação forte com seus direitos, se empoderam e denunciam mais".
Queda gradativa
Para Érika Laurindo, coordenadora do Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM) de Ceilândia, o dado elevado pode ser positivo. "Pode mostrar que elas estão buscando um aparato do estado. Temos quatro delegacias que recebem esse tipo de ocorrência", explica ela.
A expectativa de Maísa é que a redução dos índices deve ocorrer de maneira gradativa. "A Lei Maria da Penha é muito recente e trouxe uma inovação jurídica grande, quebrando um histórico da nossa sociedade, em que esse crime sempre foi banalizado".
Políticas de prevenção ainda são tidas como foco da redução. Em Ceilândia, o Centro Especializado oferece oficinas e cursos, tanto para vítimas em atendimento - cerca de 150, quanto para mulheres da comunidade. Atividades de grafite, sexualidade e saúde da mulher ajudam na prevenção. "É importante que elas entendam, a partir do contato com outras mulheres e experiências, que essa é uma temática que não afeta só quem está sofrendo naquele momento. É um problema coletivo, que pode atingir qualquer mulher", conta a coordenadora.
Reforço
O projeto-piloto do CEAM de Planaltina "Repensar Faz Meu Gênero" também deve reforçar a prevenção em Ceilândia a partir deste ano. O projeto oferece oficinas e cursos para os profissionais. "O desafio é que eles consigam expandir o tema para a escola, depois para familiares e, por fim, para a comunidade", explica Denis Reis, gerente dos CEAM's.
O atendimento psicológico, jurídico e social das vítimas também é considerado como prevenção, já que busca cessar a violência, mesmo quando ela já ocorreu. Até o ano passado, o atendimento também era realizado com os autores dos crimes, mas pela falta de espaço, foi suspenso.
Fonte - Destak Jornal / Imagem reprodução web
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