segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Falta de medicamentos tem provocado a morte de pacientes no HRT, denuncia SindMédico


Nos hospitais públicos do Distrito Federal, o atendimento ambulatorial tem sido preterido e o fluxo de pacientes está cada vez mais concentrado nas emergências. O resultado são filas intermináveis, descontentamento de pacientes e profissionais. Situação que não é diferente no Hospital Regional de Taguatinga (HRT). Se a unidade fosse passar por classificação de risco como os pacientes, receberia a cor laranja - muito grave. Esse panorama geral foi o primeiro exposto ao vice-presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), Carlos Fernando, e ao secretário-geral, Emmanuel Cícero Cardoso, na visita realizada na tarde da segunda-feira, dia 10, àquela unidade de saúde.

A emergência lotada comporta homens e mulheres indiscriminadamente dividindo leitos sem privacidade alguma. Não existem sequer banheiros em número adequado. A área de internação pediátrica é contígua à dos adultos, numa demonstração clara de improvisação. Filas de macas ocupam os corredores. Os leitos da sala amarela, usados por pacientes com indicação de UTI, que é insuficiente para a necessidade do hospital. Faltam equipamentos de monitoramento e pontos de oxigênio
Nas alas da emergência faltam pontos de oxigênio, equipamento de monitoramento, mesmo havendo pacientes com indicação para UTI internados. Na ala pediátrica existem apenas dois. Em vez da abertura de novos leitos de terapia intensiva, o espaço vago no prédio foi destinado à montagem de uma sala de hemodiálise, embora o HRT não tenha perfil para oferta desse serviço.
A falta de pessoal prejudica a assistência e sobrecarrega todo o pessoal do atendimento e a falta de medicamentos tem provocado a morte de pacientes, como a dobutamina, na cardiologia. A reposição dos estoques de antibióticos não respeita o perfil dos pacientes da unidade e o fornecimento é frequentemente descontinuado, situações que favorecem o desenvolvimento de bactérias super-resistentes. Tanto na emergência quanto nos ambulatórios não há instalações que favoreçam o isolamento de pacientes.
A carência de profissionais cria situações de conflito entre os serviços existentes: O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), disponibiliza ambulâncias de suporte avançado para o transporte de pacientes graves para outras unidades, mas não disponibiliza médicos – o que é previsto tanto por regulamentação do Ministério da Saúde quanto pela Resolução 2.110/14, do Conselho Federal de Medicina. Nas emergências, por outro lado, profissionais de equipes desfalcadas são obrigados a deixar o serviço acumular sobre quem permanece atendendo a fila para seguir com o pacientes. É um cobertor cada vez mais curto.


 Informações SindMédico
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