quinta-feira, 27 de agosto de 2015

GDF afirma que maioria dos atendimentos em pronto-socorro não é de emergência


Dados de atendimento no pronto-socorro dos maiores hospitais públicos do Distrito Federal apontam que a maioria dos pacientes está ali para tentar resolver problemas que poderiam ser solucionados em centros de saúde. O resultado não é diferente do restante do país. De acordo com a Associação Brasileira de Medicina de Emergência (Abramede), 60% dos casos que chegam à emergência poderiam ser resolvidos em consultas de rotina, considerando-se informações tanto da rede pública quanto da privada.


De acordo com a Secretaria de Saúde do DF, Somente no Hospital Regional de Ceilândia, em 2014, 150 mil atendimentos na emergência foram de pacientes classificados como verde, ou seja, sem gravidade, contra 606 identificados com a pulseira vermelha, quando necessitam de atendimento urgente. No Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib), em maio, o número de pacientes classificados como verde e azul ultrapassou o de vermelho, amarelo e laranja juntos: 2.425 contra 2.304.

“Há anos as pessoas vão às unidades básicas de saúde e não conseguem atendimento. Com isso, foram sendo incorretamente educadas a procurar imediatamente a emergência por qualquer que seja o problema”, lembrou o subsecretário de Atenção Primária à Saúde, Berardo Nunan.

O relato é compartilhado com o presidente da Associação Brasileira de Medicina de Emergência, Frederico Arnaud. “O sistema primário e secundário geralmente não funcionam. Assim, sobra uma alternativa onde na maioria das vezes, de uma forma ou de outra, pode encontrar atendimento: a emergência”, observa.

SOLUÇÃO – Caso todos os pacientes classificados como verde, azul e até mesmo alguns amarelo buscassem atendimento em postos e centros de saúde, as emergências dos hospitais ficariam menos lotadas. Porém, para isso, é necessário reforço na atenção primária para que todas as pessoas consigam resolver seus problemas antes de ir ao pronto-socorro.

“Parte do problema se deve à uma baixa cobertura do serviço de atenção primária, que não é suficiente para atender à demanda do DF e a que recebemos da Região Integrada de Desenvolvimento Econômico, que são os municípios do entorno”, explica Berardo Nunan. No ano passado, somente nas emergências públicas do DF, cerca de 400 mil pacientes atendidos eram de outros estados, a maioria de Goiás e Minas Gerais.

Algumas soluções estão sendo colocadas em pauta pela nova gestão da Saúde no DF. A principal meta é aumentar a cobertura da atenção básica de 27% para 80%. Antes que essa meta seja alcançada, outras medidas têm sido adotadas pela secretaria. “Queremos implantar a agenda aberta. Para isso, os centros de saúde precisam estar todos informatizados e já começamos a fazer isso. Estamos distribuindo 2,5 mil computadores para os postos”, diz o secretário de Saúde, Fábio Gondim. Além disso, segundo o secretário, há a intenção de estender o horário de atendimento dos centros de saúde, para que funcionem após as 18h.

“Uma atenção primária bem equipada é totalmente capaz de fazer o primeiro atendimento até mesmo de pacientes graves, antes de encaminhá-lo à uma emergência”, destacou Berardo Nunan, completando que ampliar a cobertura é aumentar a sensação das pessoas de que também é responsável pela saúde.

A proposta do governo de Brasília é que sejam construídas 138 unidades básicas de saúde. Outras já existentes serão revitalizadas. Para isso, serão contratados servidores para constituir equipes de saúde da família, compostas por um médico da família, um enfermeiro, dois técnicos de enfermagem, cinco agentes comunitários, um cirurgião dentista e um técnico em saúde bucal.

É EMERGÊNCIA? – O pronto-socorro deve ser um local para atender pacientes que, de fato, estejam com risco eminente de morte. Geralmente, acidentados, suspeitas de infarto, derrame, apendicite, pneumonia, fraturas, entre outras coisas.

Se o que a pessoas estiver sentindo não se enquadrar em nenhum desses casos, é possível agendar uma consulta ambulatorial em um centro de saúde próximo de casa. O médico será capaz de identificar a necessidade de encaminhamento para um atendimento mais especializado.

Nos postos de saúde são feitas consultas regulares, tratamento odontológico, exames laboratoriais e aplicação de vacinas.

CLASSIFICAÇÃO DE RISCO – A Secretaria de Saúde do Distrito Federal usa o Protocolo de Manchester de Classificação de Risco desde 2012. Esse sistema prioriza o atendimento pela gravidade do caso e não pela idade ou ordem de chegada. O objetivo é acolher o paciente, avaliar a sua necessidade clínica para atender de acordo com a urgência.

 Essa avaliação é sinalizada com as pulseiras nas cores vermelha (emergência); laranja (muito urgente); amarela (urgente); verde (pouco urgente) e azul (não urgente). ​





ATENDIMENTOS EM HOSPITAIS
JUNHO DE 2015

Hospital Regional da Asa Norte - HRAN
Vermelho: 27
Laranja: 1.061
Amarelo: 1.624
Verde: 872
Azul: 65



Hospital Materno Infantil de Brasília - H​MIB
Vermelho: 16
Laranja: 321
Amarelo: 1.073
Verde: 2.085
Azul: 49

Hospital de Base do Distrito Federal - HBDF
Vermelho: 73
Laranja: 1.731
Amarelo: 3.550
Verde: 3.913
Azul: 171

Hospital Regional de Taguatinga - HRT
Vermelho: 15
Laranja: 753
Amarelo: 1.721
Verde: 3.459
Azul: 229
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