terça-feira, 4 de agosto de 2015

Grávidas denunciam parto em banheiro do hospital de Ceilândia

Visitantes filmaram e ajudaram uma grávida no momento em que ela entrou em trabalho de parto no banco do HRC

O Portal R7 destacou hoje (04) em uma matéria, uma situação diariamente denunciada aqui no Diário de Ceilândia; problemas no atendimento, a falta de material e de leitos para atender às pacientes gestantes no hospital regional de Ceilândia. Uma das denúncias fala sobre a história de uma mãe que teve o bebê no banheiro do CO (Centro de Obstetrícia). Confira a matéria:

Mulheres grávidas que passaram pelo trabalho de parto no Hospital Regional de Ceilândia (DF) relatam problemas no atendimento, na falta de material e de leitos para atender às pacientes na unidade da rede pública de saúde. Uma das denúncias fala sobre a história de uma mãe que teve o bebê no banheiro do CO (Centro de Obstetrícia).

Visitantes que estavam no HRC filmaram o momento em que uma mulher entrou em trabalho de parto na sala de espera, sem assistência de médicos ou enfermeiros. Além dela, outra mãe que enfrentou dificuldades no hospital foi Samantha Angélica Silva, que contou seu relato pelo Facebook, onde já teve mais de 400 compartilhamentos.
— Ao ganhar neném, não me informaram a hora, peso e nem com quantos centímetros minha filha nasceu. Simplesmente nos colocaram numa maca. No CO não tinha nada, lençóis, camisolas, nem sequer lençóis para enrolar os bebês. Minha filha foi enrolada com TNT e eu também. A enfermeira chegou e falou "mãezinhas, vamos levantar e tomar banho, porque está fedendo". Como que não fede se não tem absorvente, não tem roupas, e os lençóis ensanguentados?
Para Samantha, a situação mais extrema testemunhada por ela e pelas outras mães internadas foi quando uma grávida teve o bebê no banheiro do hospital.
— Pior momento que vivi lá dentro foi ver uma mãezinha ter um bebê dentro do banheiro. Na hora que ela estava fedendo, a enfermeira ficou com dó dela e falou "não, mãezinha, vou te levar para tomar banho", e lá mesmo no banheiro ela teve o filho dela, naquelas condições todas de que a criança poderia cair, ter uma infecção.
Mãe de Maria Eduarda, Samantha não consegue esquecer os dias que passou no hospital de Ceilândia. No dia 25 de julho deu entrada sentindo contrações. A filha nasceu no mesmo dia. Em vez de irem pra maternidade, tiveram que ficar no CO, e três dias depois, ela e outras nove mães foram transferidas, de ônibus, para o Hospital Regional de Santa Maria (DF).
— É tipo uma prisão, a gente não podia sair, não podia receber visitas, ter telefone. É praticamente uma prisão, porque o que vivia ali dentro não podia nem contar para os parentes o que estava passando por lá. Era raro chegar lençóis, camisolas. Quando chegava, as mães saiam correndo pra buscar. Ficamos sujas, ensanguentadas... Deixaram recebermos apenas duas calcinhas. Queremos justiça e respeito.
Outra mãe que passou por uma situação parecida foi a Marcela Alves, mãe do Luiz Eduardo. Ela deu entrada no HRC no dia 27/7, mas deveria estar lá antes, porque a médica do pré-natal encaminhou a internação dela dias antes, mas o hospital a mandava de volta. Só conseguiu ser internada depois que o marido dela chamou o Samu para buscá-la em casa, mas não encontrou maca, nem leito, e pediu para que ela "esperasse sentada".
— Foi uma situação desesperadora, porque eu já estava em trabalho de parto, a médica falou que eu estava de 7 cm, não iria ter o bebê. Mas eu já tive três filhos, sei muito bem a hora que meus filhos vão nascer. A médica falou que eu não poderia botar força, porque não tem maca, o hospital tá lotado.
Resposta do governo
Em nota, a Secretaria de Saúde do DF admite que o Hospital Regional de Ceilândia está operando acima da capacidade. Segundo a pasta, as equipes têm se esforçado para atender todas as pacientes, mas são apenas 42 leitos na maternidade para uma média diária de 30 partos.
Sobre a falta de materiais, a Secretaria nega que o problema esteja ocorrendo, mas acredita que pode haver falta momentânea de algum item, mas que o estoque está sempre sendo reabastecido de acordo com a solicitação da direção.
Sobre a paciente que teve o bebê no banheiro, a Secretaria confirma que ela entrou em trabalho de parto enquanto tomava banho. Pela falta de tempo foi preciso realizar o parto no local, mas com assistência do obstetra e da enfermeira. As pacientes foram removidas para o hospital de Santa Maria porque lá há vagas e pediatras para avaliarem os bebês.
A respeito da falta desses profissionais, a Secretaria afirma que o hospital de Ceilândia recebeu na semana passada um reforço de quatro pediatras e três neonatologistas para a melhora no atendimento.
Portal R7
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