terça-feira, 18 de agosto de 2015

Moradores cobram a continuidade dos postos de segurança


Em vez de fechamento, a melhoria da estrutura das instalações e a contratação de policiais militares para garantir o funcionamento pleno dos postos comunitários de segurança. Essa foi a proposta defendida pela grande maioria dos representantes de conselhos comunitários do Plano Piloto - e de quase todas as cidades do DF - que participaram de audiência pública da Comissão de Fiscalização, Governança, Transparência e Controle, da Câmara Legislativa, realizada na manhã desta terça-feira (18) para debater o que deve ser feito pelo governo em relação aos postos comunitários de segurança. Muitos destes já estão abandonados ou foram depredados. A Polícia Militar, no entanto, ressalta que os postos comunitários foram uma política ineficaz, de alto custo e que foi levada adiante à revelia da corporação.

Ao final do debate, o deputado Joe Valle (PDT), presidente daquela comissão, enfatizou a importância de o governo ouvir os moradores antes de tomar qualquer decisão sobre a utilização ou não dos postos de segurança. "Esta questão precisa ser tratada como política de Estado e com responsabilidade social, a fim de atender aos interesses da comunidade que tem direito à melhoria das condições segurança, incluindo-se o policiamento comunitário", ressaltou o parlamentar. Valle comunicou aos participantes da audiência pública que o debate sobre aquelas será ampliado em outras oportunidades e que com a participação dos moradores do DF.
O vice-presidente daquela Comissão, Rodrigo Delmasso (PTN), considerou "positiva" a participação dos representantes dos conselhos comunitários no debate, destacando que o planejamento das ações integradas de segurança pelo governo tem que ser feito de acordo com as necessidades da população.
Já o presidente da Comissão de Segurança, Robério Negreiros (PMDB), comentou que uma das possíveis alternativa a serem adotadas poderia ser a terceirização de profissionais para atuarem nas atividades de apoio, com a liberação de policiais militares para atuarem nos postos de segurança, nas atividades fins.
O deputado Rafael Prudente (PMDB) disse que em visitas a postos de segurança ouviu dos policiais militares que estavam de serviço no local que eles se sentiam "pouco úteis", em virtude das dificuldades de atuação nos postos, sem estrutura adequada. Já o deputado federal Rôney Nemer (PMDB) defendeu que a presença dos postos de segurança nas cidades intimida a ação dos marginais. "A ostensividade do policiamento é muito importante", pregou.
Investimentos - Entre os moradores que se revezaram na tribuna, o discurso predominante foi pela manutenção dos postos de segurança. O representante do Conselho Comunitário da Asa Sul, Ricardo Marra, disse que uma desativação total dos postos iria trazer mais insegurança para os moradores. "Não se pode desfazer o que já foi feto", reclamou.
O diretor do Conselho Comunitário da Asa Norte, Paulo Alves, também criticou uma possível retirada dos postos. "Isso é um descalabro. Os postos precisam ser ampliados para a realização de ações proativas", defendeu. Também o policial militar, Jânio Marques (o Guarda Jânio), condenou a desativação dos postos de segurança. Propôs que muitos policiais na reserva poderiam ser recontratados para trabalharem nos postos, "que deveriam ter câmeras instaladas, com monitoramento 24 horas".
Mobilidade - O comandante da Polícia Militar do DF, coronel Marco Antônioo Nunes, ouviu as críticas e sugestões dos moradores, mas não se comprometeu com nenhuma das propostas apresentadas. Ponderou que uma das principais dificuldades que enfrentam é a defasagem de cerca de quatro mil policiais militares e os altos custos de manutenção e reformas das instalações físicas dos postos. Criticou ainda a opção pela política de implantação dos postos comunitários de segurança, em 2008, ressaltando que a proposta não tinha sido defendida pelos representantes da corporação. "A tendência mundial é pela mobilidade do policiamento", defendeu.   
A PMDF e diversos especialista em segurança pública consideram os postos comunitários como uma ação equivocada. A ideia é que o policiamento comunitário é muito mais do que um posto físico e pressupõe mobilidade e interação com a população. O corpo técnico da PM não foi ouvido na implementação do programa, o que contribuiu para sua inviabilização, além da falta de critérios técnicos de localização dos postos. 
Ascom CLDF
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...