segunda-feira, 31 de agosto de 2015

PPL expulsa a distrital Telma Rufino


O jornal de Brasília destaca hoje (31), que o Diretório Nacional do PPL decidiu pela saída da distrital Telma Rufino, e pedirá mandato na Justiça Eleitoral. Confira a matéria.

Por decisão unânime, a deputada distrital Telma Rufino foi oficialmente expulsa do PPL. O Diretório Nacional da sigla se reuniu ontem, em São Paulo, para julgar a permanência da parlamentar na sigla. Ao todo, 125 membros do partido participaram do encontro.

Telma Rufino é alvo de investigação da Polícia Civil do DF na Operação Trick. O ex-presidente regional do partido e ex-diretor do DFTrans, Marco Antônio Campanella também é citado no inquérito policial. Em resumo, a operação Trick investiga um suposto esquema criminoso para a captação de recursos públicos para campanhas eleitorais em 2014. Em uma das frentes, o grupo teria fraudado empréstimos do Banco do Brasil para captar dinheiro público.  

 Telma teria o direito a apresentar uma defesa por 30 minutos. Mas, segundo o secretário nacional do partido na Região Centro-Oeste, Roberto Bittencourt, a deputada não compareceu a reunião e nem enviou advogados. Diante do silêncio da parlamentar e as informações do inquérito da operação policial, todos os participantes votaram pela expulsão da distrital.

“Para nós, ficou claro que a deputada se associou a uma organização criminosa. A nossa convicção foi crescendo a cada dia. A advogada nunca respondeu se Telma se associou ou não. Esse era o ponto central. E ela sempre tentou desviar a atenção e postergar  a discussão”, comentou Bittencourt.

Segundo o secretário nacional, a gota d’água foi nesta semana, quando a defesa tentou anular a reunião do Diretório na 24ª Vara Civil do Tribunal de Justiça do DF.  A parlamentar alegou que estaria sendo perseguida dentro da legenda e que o processo de expulsão não corria regularmente. “O juiz negou o pedido e mandou que  discutíssemos o conteúdo da questão, no mérito”, afirmou Bittencourt.

Mandato
Mesmo com a expulsão do partido, Telma continua como distrital. A sigla, agora, tem 30 dias para requerer o mandato na Justiça Eleitoral. A deputada pode recorrer e permanecer na Câmara Legislativa, neste tempo, Mas, caso perca, Jaqueline Silva assume a cadeira de Telma.

Processos
1   A Câmara Legislativa arquivou os pedidos de cassação do mandato de Telma Rufino, por quebra de decoro. 
2  Além da investigação por suposto envolvimento em fraudes para financiamento de campanha, Telma apareceria, em gravações telefônicas, favorecendo um grupo empresarial para a obtenção de terrenos. 
3  Há também indícios de que ela tenha adquiridos diplomas falsos de graduação e pós-graduação. Tramita ainda na 15ª Vara Federal uma ação de improbidade de 2011.
Nada de surpresas

A deputada distrital Telma Rufino disse, em nota, que recebeu a notícia da expulsão do PPL com “tranquilidade” e afirma que “não foi surpreendida”. Para a deputada distrital, a decisão do Diretório do partido foi uma “manobra”, que, segundo a distrital, “deixa clara a perseguição que tem sofrido nos últimos meses”. A parlamentar se defende afirmando que  o partido “a julgou e condenou antes mesmo da conclusão das investigações”.

Desfiliação em massa não preocupa

Com a expulsão de Telma Rufino, o PPL prevê uma baixa no número de filados. Afinal, a deputada construiu um grupo de apoio expressivo dentro da legenda. 

Em maio, quando o diretório nacional abriu o processo disciplinar contra a distrital, muitos presidentes de zonais da legenda publicaram uma nota de repúdio em favor de Telma.

“Nós queremos que esses militantes saiam do partido. Telma vendeu a ilusão de empregos e cargos para estas pessoas. Mas um partido não é um balcão de negócios”, declarou Roberto Bittencourt. De toda forma, o secretário nacional revelou que o partido se reorganizou e estima que as desfiliações sejam “pontuais”.   

Água ou vinho

Também investigado pelo Polícia Civil, Campanella continua no PPL, mesmo afastado, No entanto, Bittencourt foi categórico ao afirmar que Campanella precisará em breve provar de forma convincente a inocência no caso. “Ele tem que demonstrar sem o mínimo de dúvida que a diferença entre ele e Telma é igual da água para o vinho”, arrematou.

Do ponto de vista de Bittencourt, os laudos da investigação policial não mostram de forma clara que Campanella estaria envolvido no susposto esquema criminoso.  O Jornal de Brasília tentou entrar em contato com Campanella por telefone, mas as ligações não foram atendidas até o fechamento desta edição.

Independentemente do desfecho em relação ao mandato de Telma Rufino, o PPL deve permanecer na base do governo.


Por Francisco Dutra / Jornal de Brasília
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