sábado, 12 de setembro de 2015

Comissão da CLDF constata situação de desmonte da UPA da Ceilândia


O presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da CLDF, deputado Ricardo Vale (PT), esteve na manhã desta sexta-feira (11) na Unidade de Pronto Atendimento – UPA da Ceilândia, onde constatou a iminência de fechamento da unidade, a exemplo do que já vem acontecendo em Sobradinho e Núcleo Bandeirante.

A situação nas UPAs é a mesma: redução do quadro de servidores (médicos e enfermeiros) com o fim dos contratos temporários e a falta de renovação dos mesmos.

Na Unidade da Ceilândia, por exemplo, 44 médicos se revezavam nos plantões, garantindo uma média ade seis profissionais por turno. Nessas condições, eles atendiam cerca de 8 mil pacientes ao mês. Hoje, são 17 médicos. Descontando os que estão em férias, 12 profissionais participam da escala de plantão. “Normalmente são 2 pela manhã e um à tarde”, informou a gerente administrativa da UPA, Adriana Alves do Nascimento. Pelo levantamento de julho, pouco menos de 3 mil pacientes foram atendidos naquele mês.

Ricardo Vale foi informado que os contratos temporários que ainda restam serão encerrados no próximo dia 3 de outubro, quando a UPA não terá mais condições de funcionar, nem mesmo para atender pacientes de urgência e emergência. Parentes de pacientes internados fizeram um apelo ao petista para que lute pela manutenção da UPA. Eles argumentam que a Unidade de saúde representa um enorme benefício para a população, considerando que o Hospital Regional de Ceilândia não comporta a demanda e também sofre com a falta de profissionais.

Para o presidente, o acesso à Saúde é um dos direitos elementares de qualquer cidadão “e a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos não ficará de braços cruzados vendo a população ser privada do atendimento nas UPAs. Em Sobradinho e região, a comunidade já está se organizando para impedir o fechamento da Unidade. A mesma mobilização deverá acontecer em Ceilândia, Taguatinga, Núcleo Bandeirante e onde mais houver ameaça de redução dos serviços públicos de saúde”.

Alimentação
Os servidores públicos que estavam trabalhando na UPA da Ceilândia nesta manhã de sexta-feira também informaram ao deputado que as refeições só seriam servidas aos pacientes, pois o fornecedor suspendeu as entregas aos trabalhadores da Unidade por falta de pagamento por parte do Governo do Distrito Federal.

Equipamentos, Medicamentos e Insumos
Os dois plantonistas da manhã relataram a falta de medicamentos, de insumos básicos, de equipamentos danificados e da falta de condições para a realização de exames laboratoriais.

Após visitar as dependências da UPA e conversar com médicos, enfermeiros, administrativos, pacientes e familiares, Ricardo Vale disse que é um “crime” o Governo não concentrar esforços para manter e melhorar ainda mais as UPAs do DF, um dos serviços públicos mais bem avaliados e aprovados pela população. “Ao invés disso, o Governo quer pegar a contramão da vontade popular e privatizar o setor. Pelo menos foi isso que o secretário de Saúde, Fábio Gondin, sugeriu quando afirmou no plenário da Câmara Legislativa, na quinta-feira (10) que ‘o fechamento das UPAS ou sua gestão por OS não está descartada’”, ponderou o parlamentar do PT.


Mesmo depois de obter dos 24 deputados da Casa o direcionamento de 80% das emendas para a Saúde, o secretário Fábio Gondim não foi claro e objetivo em suas respostas aos distritais. “O secretário não apresentou um plano de trabalho que traga resultados mais imediatos para retirar a saúde pública do DF do estado de indigência em que se encontra. E nós estamos muito atentos a cada ação do Governo para defender o direito dos cidadãos”, finalizou Ricardo Vale.

Blog do Edson Sombra
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