terça-feira, 15 de setembro de 2015

Cortes do GDF: servidores prometem parar Brasília já na próxima semana


Fato Online - O anúncio de que o reajuste dos servidores do Distrito Federal está suspenso acendeu um pavio de pólvora. As 32 categorias que esperavam o aumento dos salários estão irredutíveis, a ponto de não estabelecerem qualquer margem para negociação com o governo de Rodrigo Rollemberg (PSB). Sendo assim, os brasilienses podem se preparar para o caos: ou o chefe do Executivo muda de ideia ou a cidade, prometem os "cabeças" dos sindicatos, vai mesmo parar a partir da próxima semana.

No fim de tarde desta quarta-feira (15), enquanto Rollemberg destrinchava, no Palácio do Buriti, a longa lista de medidas para tentar estancar a sangria do governo, representantes de 22 entidades de classe e três centrais sindicais se remoíam no lotado auditório do Sindicato dos Médios do DF (SindMédico), que ocupa uma espaçosa cobertura de um prédio comercial às margens da L2 Sul.

Antes mesmo do fim da reunião extraordinária dos sindicalistas, já era possível ouvir, do lado de fora, parte dos discursos inflamados. “Não vamos aceitar nenhuma justificativa. É greve geral”, bradou um deles. Grudados ao celular, por onde acompanhavam o noticiário, os participantes reagiam em tempo real às novidades vindas do Buriti.

Cronograma
A discussão ainda rolava dentro do auditório, quando vazou a informação de que no próximo dia 24, uma quinta-feira, os servidores farão uma greve geral, com indicativo de paralisação por tempo indeterminado a partir do quinto dia útil do mês seguinte, 7 de outubro.

A decisão pela greve foi unânime. Difícil mesmo, contou o presidente do SindMédico, Gutemberg Fialho, foi conter os ânimos dos mais exaltados, que defendiam paralisação imediata. “Tivemos que segurar a onda”, resumiu o médico, que também representa o Movimento Unificado em Defesa do Serviço Público do DF.

Na próxima segunda-feira, os líderes do movimento baterão à porte de Rollemberg. Caso se mantenha a suspensão dos reajustes combinados ainda no governo anterior - que variam entre 2% e 20% -, os sindicalistas não vão querer nem papo. “Ele (Rollemberg) não pode dizer que não tem dinheiro. Se não pagar (aplicar o reajuste), vai infringir leis”, disse Rodrigo Rodrigues, secretário-geral da CUT (Central Única dos Trabalhadores) no DF, representante do Fórum de Defesa do Serviço Público do DF.

Manifestações
Preparados para ouvir do governador a ladainha de que, de fato, não será possível honrar com os compromissos assumidos por Agnelo Queiroz (PT), os representantes das categorias já pensam em manifestações a partir da próxima terça-feira (22), como forma de atiçar os servidores para a greve geral.

Questionados sobre uma possível interpretação de que falta sensibilidade para entender o atual momento econômico, os dois porta-vozes não negaram crise, mas sustentaram que o “servidor não pode ser prejudicado”. “O governo teve vários meses para negociar”, retrucou Rodrigues, que, ao fim do encontro, ironizou algumas das medidas anunciadas pelo governador. “Aumentar preço de restaurante comunitário vai mesmo resolver o problema.”

Por Diego Amorim / Portal Fato Online


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