terça-feira, 22 de setembro de 2015

Grupo planeja novas manifestações em protesto contra o aumento de tarifas no transporte


Jornal de Brasília - Depois da  manifestação contra o  aumento  das tarifas do transporte público, ocorrida  na última sexta- feira, novos protestos estão por vir. E a previsão é de que a   Rodoviária do Plano Piloto não seja o único ponto de encontro. O Movimento Passe Livre (MPL) decidiu incentivar, por meio das redes sociais, ações descentralizadas. O objetivo é fazer com que ocorram várias ações ao longo da semana, em todas as cidades do DF. Um  ato está marcado para a próxima sexta-feira, no mesmo local da primeira ação.


Os novos valores  começaram a vigorar no último domingo, mas tiveram maior impacto ontem, primeiro dia útil após a medida. Nas paradas de ônibus e estações do metrô,  a insatisfação era visível. O aumento faz parte do pacote de medidas do Governo de Brasília para equilibrar as contas.
A assistente administrativa Débora Gomes, 24 anos, utiliza o Expresso DF todos os dias e acredita que o novo preço  vai pesar muito no orçamento. “O impacto foi tremendo. Infelizmente, não temos um transporte de qualidade. Trocaram a frota, mas reduziram linhas, e, hoje, o passageiro é obrigado a esperar muito mais tempo”, afirmou. 

Segundo Débora, o tempo que ela gasta na parada de ônibus é quase o mesmo que o Expresso DF leva para chegar a Santa Maria: cerca de 40 minutos.

Rafael Almeida, 22 anos, universitário, também é usuário do Expresso DF e conta que gastava R$ 15 para ir e voltar de Santa Maria a Planaltina. Hoje, ele precisa sair com pelo menos R$ 20. “Esse aumento pesa para todo mundo, mas principalmente  para mais pobres. No final do mês, vão ser uns R$ 70 a mais. Estava pensando em começar um cursinho, mas  fica complicado”, avalia.

Despesa inevitável 
O economista José Luiz Pagnussat concorda que quem mais sofrerá com o aumento serão os mais pobres. “Infelizmente, essa medida afetará diretamente quem tem o orçamento menor, o que é um grande problema. Gasto com transporte é uma despesa inevitável e as famílias mais humildes não têm como reduzir ou tirar isso do orçamento”, explica.

De acordo com Pagnussat, o que as pessoas podem tentar fazer é reduzir gastos menos necessários. “Apertar o cinto é necessário. Então, é viável analisar o que é ou não importante e diminuir gastos, seja economizando água ou cancelando a TV a cabo. Uma dica é diminuir gastos com restaurantes e, se for ao   cinema, por exemplo, preferir os dias mais baratos”, aconselha.

O especialista avalia que, se o aumento fosse feito de maneira escalonada, com um aviso prévio à população, ficaria mais fácil para o  brasiliense  se organizar. “O valor de reajuste  em si  foi muito alto e poderia ter sido bem menor. Já que o governo decidiu aumentar, o mais indicado seria reajustar as tarifas de acordo com uma programação. Primeiro as linhas de R$ 3, depois as de R$ 2, e assim sucessivamente. O impacto seria menor”, destaca.

Fim de semana mais caro
Quem utiliza o metrô também foi afetado com o aumento, e o valor vai pesar no bolso. Com o reajuste, a passagem dos fins de semana, que era reduzida e custava R$ 2, sobe para R$ 4. 
O pedreiro Divino Conceição, de 46 anos, está indignado com o reajuste das passagens. “Todo mundo que precisa trabalhar vai sentir o aumento no bolso. O que me deixa mais revoltado é que não temos opções. Não dá para ir de carro porque o valor da gasolina é altíssimo, não tem estacionamento suficiente. E de bicicleta também não tem jeito porque faltam ciclovias ligando as cidades ao Plano Piloto”, lamenta o trabalhador.

Divino costuma levar a bicicleta no metrô para utilizar no trajeto entre a Rodoviária do Plano Piloto até a Esplanada dos Ministérios.  

O pedreiro diz se sentir sem alternativas e conta que, agora, será obrigado a reduzir os passeios com a família por conta do reajuste nas tarifas de ônibus. 

Economia
Quem também terá que cortar os gastos daqui para frente é o estudante Matheus Amaral, de 18 anos. Ele costumava utilizar os trens todos os fins de semana para sair com os amigos. “Esse aumento fez grande diferença e vai pesar muito, porque, no sábado e no domingo, o preço dobrou. Vou ter que economizar mais em outras coisas para poder ter dinheiro para as passagens”, relata.

Desemprego
Wesley Lorran, 22 anos, auxiliar de cinema, acredita que o aumento das passagens vai deixar muitas pessoas desempregadas. “A empresa em que trabalho já está cortando funcionários que precisam utilizar mais de um ônibus para chegar. Infelizmente, morar longe vai ser um fator que prejudicará o trabalho de muita gente. O desemprego vai aumentar por causa desse reajuste abusivo”, afirma. 
Na opinião da auxiliar de serviços gerais Maria Tereza Xavier, 50 anos, se for para o cidadão pagar mais caro, o transporte precisa ser rápido, de alta qualidade e corresponder ao aumento que passa a vigorar a partir de agora.

Muitos foram pegos de surpresa
No fim do expediente, por volta das 18h, a Rodoviária do Plano Piloto estava lotada de passageiros indignados com o aumento no preço dos bilhetes. Muitos, inclusive, foram pegos de surpresa. Maria de Fátima da Silva, 32 anos, contou que soube da mudança na madrugada de domingo ao pegar um ônibus para o trabalho. 

Moradora de Planaltina, ela afirmou que, em vez de pagar R$ 6 por dia, agora, terá que desembolsar R$ 8, o que somará mais de R$ 200 por mês, já que ela também trabalha aos sábados e em alguns domingos. "Para quem tem um salário de R$ 800, qualquer despesa extra pesa muito. Minha vontade é de chorar", lamenta Maria.

Ela ressalta que apenas uma melhora na qualidade do serviço justificaria o aumento. "Mas não é o que acontece. Não temos ônibus suficientes, e os que existem estão em péssimas condições. Todo dia, eu vou e volto para casa em pé.”

O comerciário Elvio de Sousa Costa, 45 anos, também não estava sabendo do acréscimo no valor. Morador de Planaltina, ele relatou que passará a gastar R$ 190 por mês com o transporte, sendo que antes pagava R$ 160: "Esse reajuste é uma falta de respeito com a população. Estamos de mãos atadas”.

Saiba mais
No início da tarde de ontem, leitores do Jornal de Brasília relataram problemas na distribuição de senhas para atendimento no posto do DFTrans, na Galeria dos Estados.

Segundo relatos de usuários, por volta das 14h30, as senhas para novos atendimentos foram encerradas sem qualquer explicação, ocasionando longas filas no posto do DFTrans.


O DFTrans informou que houve uma intermitência no serviço de internet no posto do Sistema de Bilhetagem Autmática (SBA), na Galeria dos Estados, e que a distribuição de senhas foi suspensa temporariamente até que o serviço fosse reestabelecido.  O órgão acrescentou que técnicos da autarquia foram até o local e logo o atendimento foi retomado e todos os usuários que aguardaram foram atendidos.

Jurana Lopes e Manuela Rolim / Jornal de Brasília
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