segunda-feira, 21 de setembro de 2015

OPINIÃO - É notório o descontentamento do vice-governador Renato Santana com Rollemberg


Por Ricardo Callado* - Ficou claro neste final de semana o descontentamento do vice-governador Renato Santana. Em duas entrevistas, o companheiro de Buriti não escondeu o que pensa e o que sente. E reclamou que precisar ser mais prestigiado. E ouvido.
Um exemplo, foi o anúncio do pacote fiscal do governador Rodrigo Rollemberg. A ausência do vice-governador no Palácio do Buriti foi notada. Como ele não foi chamado para dar a opinião na formulação do pacote, resolver não aparecer em seu anúncio.
Renato ficou bem longe. Passou o dia nas ruas e visitou a região do condomínio Porto Rico, em Santa Maria. Para não a situação não ficar pior, alegou que a agenda foi definida para começar a medir os reflexos onde as medidas vão atingir mais duramente: nas áreas mais carentes do DF. Pura balela. O vice fugiu mesmo. E, politicamente , tomou a decisão certa.
Sua opinião é contraditória. Ao mesmo tempo que considera o pacote severo demais e que faltou sensibilidade ao governador e técnicos envolvidos, afirma que permanece firme ao lado do Buriti. E que buscará alternativas para o sucesso do governo. Mesmo que seja em Santa Maria.
Mas não adianta fugir. Onde for, os problemas irão o acompanhar. O desgaste político do governador é também o desgaste do vice. Não existe descolamento. Estão juntos nessa travessia.
O vice-governador é talvez o mais político do primeiro escalão do governo. Desde o início do governo vem criando ações positivas e surfando em popularidade. Com a crise apertando, tende a retrair a sua desenvoltura. Aconselha-se a ser mais comedido. Vai ser cobrado nas ruas. E não terá muito o que explicar. Não adianta mais colocar a culpa em Agnelo. Isso não pega mais.
Renato Santana e o PSD terão que arcar com o ônus de ser governo. O desafio lançado aos ex-gestores do Buriti, principalmente ao Agnelo, para uma audiência pública para saber quem são os responsáveis pela crise, é um tiro no pé. Uma perda de tempo. Aliás, isso era para ter sido feito no início do governo.
Renato tem razão quando indaga: “Sinceramente, será que as pessoas acham que o governador iria fazer toda essa movimentação para prejudicar a população? Você acha que ele acordou e disse: ‘Hoje nós vamos fazer maldades’? Não”.
Mas, ao contrário do governador que já assimilou o desgaste do pacote e sabe que a sua situação política não é nada boa, Renato ainda estrebucha. Ainda se debate. Não aceitou que sua ainda curta carreira política vai ser marcada pela maior crise econômica enfrentada pelo GDF.
Se falta sensibilidade ao governador e aos técnicos do governo em sacrificar os mais pobres, com reajustes dos restaurantes comunitários, falta sensibilidade ao vice em aceitar a sua cruz. Não dá para apoiar o pacote e critica-lo ao mesmo tempo. Uma coisa ou outra. Ele ão quer ficar mal com ninguém. O discurso dúbio vai deixa-lo ruim no governo e com a população.
Renato precisa se posicionar de forma clara. E o governador precisa ouvi-lo mais. Dos ocupantes do Buriti, o vice-governador é quem mais conhece a voz das ruas. Suas necessidade e opiniões. Mas sabe que seu futuro político está agarrado ao de Rollemberg. E isso o deixa assustado.
Se Rollemberg não tem hoje alternativas para enfrentar a crise, Renato só tem como alternativa o rompimento com o governo. E isso também pode sair pela culatra. Do contrário, vai ter que enfrentar o desgaste das medidas como o governador vem fazendo. De forma clara e, politicamente, suicida. Mas isso Renato já respondeu: “Estou do lado do governador e do governo até os 46 minutos do 2º tempo. Sou governo”.
*Ricado Callado é Jornalista, blogueiro, escritor e consultor político

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