terça-feira, 1 de setembro de 2015

​Saúde atende moradores de rua em Ceilândia


Moradores de rua do Distrito Federal recebem atendimento diferenciado da Secretaria de Saúde. Semanalmente, profissionais de diversas especialidades percorrem as regiões administrativas para atendê-los nos locais em que vivem. Esta estratégia, que atinge, em média, 400 moradores de rua por mês, foi adotada para que este público tenha acesso ao Sistema Único de Saúde e possa fazer o acompanhamento médico.

Pelo programa Consultório na Rua, médicos, enfermeiros, psicólogo, assistente social e técnico de enfermagem se deslocam pelo Distrito Federal em busca de pessoas em situação de vulnerabilidade social. Ao identificá-las, é feita uma aproximação, e, com o consentimento do indivíduo, é iniciada uma consulta clínica.

“O atendimento é feito por meio de vínculos. Os grupos na rua são diferentes. Têm usuários de álcool e drogas, famílias que não usam nada disso, crianças. É preciso uma abordagem de aproximação”, explica a psicóloga Augusta Maria Barbosa, membro da gestão do Consultório na Rua.

Além de ir às ruas em busca do público-alvo, os profissionais da rede também atendem em três locais fixos e de referência para estes moradores de rua: no Centro POP, localizado na 903 Sul, Centro de Saúde nº 6 de Taguatinga e Centro de Saúde nº 5 de Ceilândia.

“Muitos moradores de rua têm vergonha de ir às unidades de saúde porque estão sem tomar banho, não têm documentos pessoais nem endereço, apesar de isso não impedir que sejam atendidos em qualquer outro local da rede pública”, observou Augusta Maria.

BALANÇO – Em 2014 foram feitos 6.041 atendimentos, sendo que boa parte foi realizada no Plano Piloto. “Eles preferem ir à 903 Sul, porque é ao lado do Centro POP, onde podem tomar banho, lanchar, têm local para guardar seus pertences e assim se sentem melhor para procurar a assistência em saúde”, cita a psicóloga, lembrando que em segundo lugar vem Ceilândia.

Os centros estão habilitados a atender adultos, inclusive gestantes, e também crianças. Augusta Barbosa cita que os problemas de saúde mais comuns apresentados pelo público de rua são de pele, boca, além de tuberculose, doenças sexualmente transmissíveis, HIV e gestantes de alto risco. “Neste último caso, os centros de atendimento fazem todo o pré-natal”, ressalta a psicóloga.

NACIONAL – O Consultório na Rua foi criado pela portaria 112, de janeiro de 2011, do Ministério da Saúde. Atualmente, 144 equipes atuam em 83 municípios, um crescimento de 80% em relação a 2012, quando o serviço foi efetivamente implantado. Elas são formadas por, no mínimo, quatro profissionais e podem ser compostas por enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, médicos, agentes sociais, técnicos ou auxiliares de enfermagem, técnico em saúde bucal, cirurgião-dentista e profissional de educação física.

A quantidade de equipes e o território de atuação são divididos a partir de um censo da população de rua. No Distrito Federal há cerca de 2,5 mil moradores de rua e, por isso, o Ministério da Saúde definiu que três equipes deveriam prestar atendimento nas localidades onde hoje estão os centros de atendimento.

APOIO – O Ministério da Saúde lançou, na última semana, a campanha “Políticas de Equidade. Para trata bem de todos. Saúde da População em Situação de Rua”. Serão distribuídos 100 mil cartazes para unidades de saúde de municípios com população em situação de rua e para os serviços de assistência social e direitos humanos que atendem a esse público.

A campanha conta, ainda, com materiais informativos, como folders, voltados aos profissionais de saúde e movimentos sociais ligados a este grupo, que terão distribuição de 60 mil exemplares. Também serão veiculadas nas redes sociais mensagens de sensibilização e informações sobre as necessidades de saúde e os direitos da população em situação de rua.

Trabalho de sensibilização semelhante é desenvolvido no DF, pela gestão do Consultório na Rua, que orienta os profissionais das unidades de saúde da rede pública a como proceder ao receber pacientes moradores de rua. ​

Agência Saúde

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