quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Campus da Ceilândia recebe mais estudantes a cada ano e falta de estrutura é queixa recorrente


Apesar de novo, o campus da Universidade de Brasília em Ceilândia já está ficando pequeno. São mais de dois mil alunos divididos em seis cursos. A reclamação dos estudantes é que as áreas para estudo se limitam às mesas da biblioteca, os estacionamentos são sempre lotados e para ter acesso a algumas aulas, estudantes e professores precisam se deslocar para outro lugar, fora do campus, a quase 2km de distância. Projetos de expansão e espaço disponível existem, mas não passam do papel.

O terreno doado pelo Governo do Distrito Federal (GDF) para a construção do campus é de 20 hectares. Para se ter uma ideia, cada hectare corresponde a aproximadamente um campo de futebol. Além do terreno, existe também o espaço cedido no Centro de Ensino Médio nº 4, na QNN 14. É lá que funcionam sete laboratórios e dez salas de aula. Após todos os projetos concluídos, seriam cinco prédios com capacidade para aproximadamente cinco mil alunos.

Entretanto, o cenário encontrado é um pouco diferente. Hoje, a Faculdade UnB Ceilândia (FCE) conta com três prédios construídos: a Unidade de Ensino e Docência (UED), o restaurante universitário e a Unidade Acadêmica (UAC). A UAC foi a última obra entregue aos estudantes, inaugurada em fevereiro do ano passado. Todas as obras foram realizadas com recursos do GDF e do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) e custaram cerca de nove milhões de reais.

Segundo a diretora da FCE, Diana Pinho, já existe projeto básico para a construção de outro prédio feito pelo Centro de Planejamento. Este será a Unidade de Pesquisa que contará com piscina terapêutica, salas de aula e laboratórios de pesquisa. “Estamos aguardando a licitação, porém, a Universidade ainda precisa de verbas do Governo Federal”, afirma a diretora.

Para a estudante do 2º semestre de enfermagem Mariane Matos, além da falta de espaço, o que mais dificulta é a quantidade de livros acadêmicos. “São materiais caros e aqui nós os usamos muito. O problema é que a biblioteca não consegue atender nem metade dos alunos”.  Ela afirma que muitas vezes precisou se deslocar para o campus Darcy Ribeiro ou procurar em bibliotecas de outras faculdades de Brasília.

Mariane, assim como quase todos os alunos da FCE, também precisa se deslocar para o CEM 4 para cursar algumas disciplinas. Para atendê-los, existe um ônibus que sai a cada dez minutos e faz o trajeto gratuitamente para os alunos, porém os atrasos são comuns. “Se você perder o ônibus e decidir esperar outro, se atrasa muito para a aula. Se decide ir a pé, corre sério risco de ser assaltado durante o caminho”, conta a estudante. Ela nunca foi vítima de assalto, mas conta que “quem não foi, conhece pelo menos duas pessoas que já passaram por isso”.

Já para quem não vai a pé e nem precisa do ônibus gratuito pois vai para a universidade com o próprio carro enfrenta outro problema. Os estacionamentos são pequenos e acidentes são recorrentes. “Já perdi uma lanterna e um retrovisor”, diz a estudante do 3º semestre de terapia ocupacional Carla Souza. Segundo ela, o problema dos estacionamentos pequenos se junta com a falta de bom senso de alguns estudantes. “Algumas pessoas chegam atrasadas e estacionam de qualquer jeito e em qualquer lugar, e como o espaço é pequeno, manobrar o carro se torna uma tarefa quase impossível”, desabafa.

Informações e imagens Adriano Lima / http://campus.fac.unb.br/

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