terça-feira, 6 de outubro de 2015

Candidata a conselho tutelar votou em si mesma, mas não teve voto computado


A eleição para conselheiros tutelares do Distrito Federal corre risco de ser invalidada. A ação civil pública contra o Conselho Tutelar, o Distrito Federal e a Fundação Getulio Vargas (FGV) ajuizada pela Defensoria Pública do DF continua a valer mesmo após a realização do certame, no último domingo. As falhas, os problemas e as denúncias de irregularidades do dia da votação estarão, inclusive, anexados como provas ao processo. Testemunhas também serão ouvidas, entre elas, eleitores e candidatos. A Defensoria levará adiante a ação, mas a sentença, de anulação ou validação das eleições, será dada pela Vara da Infância e Juventude. Um dos entraves está, justamente, no prazo judicial para a questão. O resultado poderá demorar anos.

“É um processo que pode ser longo, mas vamos trabalhar para que seja o mais breve possível, pois precisamos trazer tranquilidade a todos os envolvidos”, afirmou o defensor público geral do DF, Ricardo Batista. Tranquilidade, porém, é uma palavra que não se aplica ao processo de eleição. Só em razão de questionamentos judiciais, o trâmite foi suspenso por três vezes, sendo a primeira em julho e a última a apenas um dia das eleições. Como o governo conseguiu reverter a decisão de última hora, as votações ocorreram, mas as confusões continuaram.

Uma das situações intrigantes do último domingo é o caso da educadora social Dolores Maria de Albuquerque Moraes, 52 anos. Candidata pelo Riacho Fundo I, a sessão de votação dela era na única escola disponibilizada para a eleição na região, o Centro de Ensino Fundamental Telebrasília (Cetelb). No domingo, a educadora chegou no horário correto, com os documentos obrigatórios e votou em si mesma. No entanto, ao fim da contagem, na publicação do boletim de urnas, não havia sequer um voto para Dolores. “Tinha que ter pelo menos um voto: o meu, claro. Porque pelo menos eu mesma votei em mim. É lamentável, pois não temos como resolver. Eu me senti totalmente prejudicada.” Outros casos como esse já são de conhecimento da Secretaria de Políticas para Crianças, Adolescentes e Juventude, que apurará situação por situação.

Um ex-conselheiro, que prefere não ter o nome revelado, disse ao Correio que os candidatos tinham uma ideia da quantidade de votos que teriam. E que muitos não estão confiantes na relação preliminar de votos divulgada ontem pela secretaria. A previsão é de que hoje saia o resultado definitivo. “Houve um grande erro nisso tudo. Teve candidato que previa 200 votos, mas teve 89. Outros, sequer um voto. Ficou tudo muito obscuro. E nada poderá ser checado, pois nem comprovante de votação foi entregue”, contou o ex-conselheiro. Na lista de problemas, ainda entram atrasos no começo da votação, defeito em algumas urnas, a não exigência de documento com foto e o transporte irregular de eleitores. As urnas não foram as mesmas utilizadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) nas eleições comuns.



Camila Costa / Correio Braziliense
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