terça-feira, 27 de outubro de 2015

Programa Jovem de Expressão, em Ceilândia, tem projeto premiado


O Laboratório de Empreendimentos Criativos (LECria) ganhou o Prêmio Telecentros Brasil, criado pela Associação Telecentro de Informação e Negócios (ATN) há 7 anos, que visa incentivar e valorizar as organizações que fazem a diferença para inserir jovens e adultos em um contexto cada vez mais informatizado.O projeto concorreu na categoria Inovação em Sustentabilidade Empreendedora e recebeu o prêmio durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. O LECria é uma das iniciativas do Programa Jovem de Expressão, da Caixa Seguradora. O Jovem de Expressão é administrado pelo Coletivo R.U.A.S., e há oito anos desenvolve atividades que envolvem cultura e empreendedorismo para jovens, em Ceilândia.

O LECria surgiu no ano passado como um projeto piloto que visa profissionalizar e introduzir no mercado jovens que, segundo Leno da Silva, coordenador da iniciativa, tenham uma ideia interessante com potencial para o mercado. “Qualquer ideia! Seja no mercado de esporte, cultura, música, em qualquer dos setores, primeiro, segundo ou terceiro setor”, explica Leno.

A proposta é dividida em três eixos, o primeiro é chamado de Diálogo Empreendedor, onde uma turma de jovens é colocada em contato com profissionais da área que eles gostariam de seguir para que sejam trocadas experiências; o segundo eixo diz respeito a um escritório compartilhado, ou seja, uma estrutura física composta de computadores com acesso à Internet, impressora e linha telefônica que fica disponível para qualquer pessoa que queira trabalhar e não dispõe de ambiente favorável; o terceiro eixo é a incubadora de ideias, que visa acolher o jovem empreendedor, capacitá-lo, acompanhá-lo no desenvolvimento, conduzi-lo para o mercado e dar suporte até que se estruture.

Para Leno, ter recebido a premiação foi uma grande satisfação, pois deu ao projeto e a seus idealizadores e parceiros o reconhecimento de poder apoiar a cultura e modificar a realidade do jovem de periferia. “A gente vê quantas ideias boas existem na periferia que, muitas vezes, só precisam de oportunidade”, comenta. Ele reconhece que o trabalho está apenas começando e a equipe tem um caminho árduo e de muita luta pela frente.

Um dos projetos desenvolvidos por meio da incubadora de ideias do programa é a produtora de eventos Movimento Underground Brasília (MUB). Projetada em agosto do ano passado, tem como autor o  empresário e morador da Ceilândia Lucas Pinheiro.  A empresa está voltada para a cultura urbana e leva shows de rappers, DJ’s e dança a espaços públicos como praças e pistas de skates das regiões administrativas do DF. “ [O LECria] Foi primordial na fundação da empresa. A gente não tinha noção de plano de negócios e rede de contatos. A gente criou uma rede muito grande com grandes produtores” conta Pinheiro. Para o ano que vem, ele pretende investir em uma proposta socioeducativa, oferecendo palestras e revitalização de ambientes públicos por meio do grafite.

O Programa Jovem de Expressão surgiu em 2007, quando uma pesquisa da Caixa Seguradora constatou que Ceilândia e Sobradinho II eram as regiões mais afetadas do Distrito Federal pelos altos índices de violência e vulnerabilidade para o público jovem. Então foi instituído, nessas duas regiões administrativas, o Jovem de Expressão. No entanto, apenas em Ceilândia ele teve sucesso, graças a administração do Coletivo R.U.A.S – Rede Urbana de Ações Socioculturais.


O Programa disponibiliza uma série de atividades gratuitas para a juventude. Exitem oficinas de dança, fotografia, audiovisual, teatro dentre outras que são abertas por enquetes em mídias sociais. As inscrições são realizadas, via Facebook, a cada três meses. Em cada ciclo de oficinas são disponibilizadas 150 vagas para pessoas entre 18 e 29 anos. Todos os participantes são certificados. A diretora do Programa, Rayane Soares, diz que não é possível atender a todas as demandas devido ao espaço físico ser pequeno. “O Programa cresceu tanto que a gente acaba atendendo jovens de outras regiões do DF”. Ela conta que já tiveram jovens vindos de Santa Maria, Varjão,  Estrutural e Águas Claras.

Por:  / http://campus.fac.unb.br/
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