segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Violência em Ceilândia aterroriza moradores que se calam com medo de represálias


Na EQNO 11/13, em Ceilândia, o que prevalece é o silêncio. Após a execução de Diego Nunes da Silva Rodrigues, 29 anos, na noite do último sábado (17/10), poucos vizinhos falam sobre o assunto. O medo de represálias faz com que uma comunidade inteira fique às sombras de um crime onde faltam várias respostas. As imagens do circuito interno de segurança de um casa flagrou o assassinato. No momento do ataque, a vítima estava com o filho, de 12 anos, e com a namorada como mostra as imagens. 

Ao todo, pelo menos nove tiros atingiram Diego, ex-cobrador de ônibus da Marechal. Os autores dos disparos não foram identificados pela Polícia Civil. O crime ocorreu próximo ao Centro Educacional 14, do Setor O. Um vizinho que pediu para não ser identificado, lembra com detalhes daquela noite. “Estava em casa quando escutei os tiros. Desliguei a tevê e fiquei acompanhando pela janela, mas sem abrir. Lá em casa, todos ficaram muito assustados.

O Bloco C era o endereço de Diego há 5 meses. Ontem, a casa onde o homem morava aparentava estar vazia. “Eles eram tranquilos, nunca tiveram problemas aqui. Faziam o churrasco deles no fim de semana sem incomodar ninguém”, afirma um vizinho. Após o ataque, ele foi levado para ao Hospital Regional de Ceilândia (HRC), mas não resistiu e morreu antes de chegar na unidade médica. 


A 24ª Delegacia de Polícia (Setor O) investiga o caso, mas não divulgou detalhes da apuração nem dos antecedentes criminais da vítima. “Não divulgaremos as linhas de investigação, pois isso prejudica os trabalhos desenvolvidos. No momento oportuno iremos nos manifestar”, informou, em nota, a Divisão de Comunicação da Polícia Civil. A namorada de Diego não foi identificada. Ninguém foi preso.

Luto
Nas redes sociais, amigos de Diego, conhecido como “Galeguim”, lamentaram a morte do rapaz. “Como é difícil perder uma pessoa boa que não fazia mau pra ninguém, só ajudava. Meu parceiro, meu aliado, nunca vou esquecer”, escreveu Lúcia Nunes. 

Várias internautas questionavam a frieza do crime. Alguns, suspeitavam que a motivação estaria ligada ao tráfico ou que o assassinato teria sido encomendado por um desafeto de Diego. “ Que Deus conforte o coração do pai e do filho dele, pois, nem vendo uma criança tiveram piedade”, publicou em uma página Gabriela Miranda Araújo. 

Em sua página pessoal, Beatriz Oliveira, lembrou a personalidade do amigo. “Queria tanto ver aquele sorriso lindo que você tinha, aquele olhar alegre que contagiava a todos. Essa dor nunca vai passar, eu perdi um irmão”, escreveu a jovem. 

O corpo de Diego ainda não foi liberado do Instituto de Medicina Legal (IML). Devido a greve, o serviço pode levar até 72 horas, um vez que o normal seria no máximo 24 horas. A Viação Marechal informou que o rapaz não fazia parte do quadro de funcionários desde agosto. Ele trabalhou por 5 meses na empresa.

No último fim de semana foram registrado pelo menos 4 homicídios em regiões de Ceilândia, o último, um adolescente de 16 anos, foi morto a tiros na manha de hoje (19), no Condomínio Sol Nascente. 

Com informações de Otávio Augusto do Correio Braziliense
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