quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Pacientes reclamam da situação do Hospital Regional de Ceilândia



Reclamações sobre o Hospital Regional de Ceilândia (HRC) não faltam. Um dos atuais problemas  compromete o atendimento a emergências: a única máquina de raios X  está quebrada há cerca de dois meses e, segundo a Secretaria de Saúde, não existe previsão de conserto. Enquanto isso, os pacientes são   encaminhados à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ceilândia,   a 3,5 km de distância.  

A maioria dos usuários que precisam do exame de raios X tem casos de fratura, o que torna ainda mais difícil  a locomoção até a UPA. Maria Aparecida Rocha passou por uma verdadeira peregrinação com   a filha Larissa, 16 anos. Apenas no segundo dia, conseguiu atendimento para a adolescente, que estava com o joelho inchado. 

“Quando finalmente fomos atendidas, o médico falou que a máquina  estava estragada e que  teríamos de ir à UPA e depois retornar com a chapa. A gente foi de ônibus. Mas a maioria não tem condição de ficar indo para cima e para baixo. E quem não tem acompanhante? É um descaso total”, desabafa.

Glênio Aguiar, 35 anos, também foi acompanhar o filho Pedro Lucas, de seis anos, que quebrou o braço  após cair de skate. Ele passou pelo mesmo processo e ainda teve de retornar no dia seguinte, pois, segundo as orientações, o menino deveria ser atendido pela mesma médica, que estava de atestado.

“Agora, é esperar para ver o que vão resolver. Me sinto impotente. Como querem oferecer tratamento se não tem recurso adequado? Se a gente tratar mal é desacato, mas, aqui, eles podem falar com a gente do jeito que bem entenderem. Até alguns médicos, que deveriam saber como tratar um enfermo, são grossos e rudes. Isso não está certo”, afirma.

Pedro Henrique, de sete anos, está com o dedo fraturado há uma semana. A mãe, Andressa Kaliane, 27, conta que eles também foram direcionados à UPA para fazer o raio X. “O pior foi que, no dia, só colocaram uma tala. Não melhorou em nada, por isso, voltei. Aqui, tem que fazer confusão   para ser atendido. Sem dúvida, é o pior hospital”, diz.

Transparência passa a ser ignorada

Gestante, Marcela de Souza, 21 anos, conta que chegou ao HRC às 6h e, até o meio-dia, ainda não havia conseguido atendimento: “Estou desesperada. Cheguei sangrando e com ameaça de aborto. Ninguém veio me examinar nem nada. Estar no hospital não é garantia de atendimento. É uma vergonha”.

A equipe do JBr. contabilizou, até as 12h, cerca de 70 usuários à espera de atendimento. A cada momento, esse número só aumentava. Não havia sequer uma escala ou planilha afixada com o nome ou número de profissionais, informando ao público as especialidades oferecidas no dia. Segundo a assessoria de comunicação do HRC, essa planilha deixou de ser feita há algum tempo  por conta do fim das horas extras. Desde então, a escala é feita “na hora”.

Caos na upa

Na UPA de Ceilândia,  a situação também estava caótica. Segundo pacientes, havia apenas um médico para atender a demanda do dia. O filho de Agnaldo Queiroz, 31, era um dos encaminhados do HRC. “O ideal seria resolver tudo em um só local.  Se não fosse a bondade do meu vizinho, não teria como trazer meu filho de ônibus com a perna fraturada. O deslocamento fica por conta do paciente. E temos de voltar para o hospital para colocar gesso, pois ele está usando apenas tala. O sentimento é de revolta”, reclama.

Iara Célia Nunes, 43 anos, estava apreensiva. Ela relata que levou a tia à UPA  sentindo falta de ar e fortes dores no peito: “Tentei atendimento à noite e não consegui. Pediram para a gente voltar bem cedo, mas até agora ela não foi atendida. Se acontecer algo, ninguém se responsabiliza. Isso é um absurdo”.

Versão oficial

De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde, não há previsão   de compra de   equipamentos de radiografia. Há processos de renovação dos contratos de manutenção, como é o caso do aparelho do  HRC.  A pasta admite que a máquina é muito antiga e não há peça para reposição, tampouco data para que ele volte a funcionar. “A empresa responsável pela manutenção do aparelho está tentando confeccionar uma peça para que o equipamento volte a funcionar”, informa.  

Sobre o atendimento na unidade, a pasta esclarece que os pacientes são atendidos conforme classificação de risco e declara que, ontem, havia um clínico geral atendendo emergências, dois   na internação (salas amarela e vermelha), dois ortopedistas, dois ginecologistas, quatro cirurgiões e três pediatras. Na UPA,  na tarde de ontem, havia apenas um clínico.

Ingrid Soares do Jornal de Brasília


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