segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Em entrevista, administrador de Ceilândia reclama da precariedade das unidades públicas de saúde

Por Natália Martins do Fato OnlineDepois de sofrer derrubadas, o Sol Nascente deve receber creches e postos de saúde em 2016. Foi o que contou o administrador de Ceilândia, Vilson de Oliveira, durante entrevista ao programa semanal Brasília de Perto desta semana, que foi à Ceilândia conferir a demanda da população. Vilson disse que já está previsto para o início de 2016, o início das obras de "várias creches no trecho I, II e III.

Alguns postos de saúde também já estão sendo previstos para construção nesses trechos". Além disso, o administrador também disse que espera para 2016 a destinação de recursos para a obra de um novo hospital regional que já tem projeto e área destinada.

Nascimento e crescimento

Ceilândia foi planejada, no fim dos anos 1960, para abrigar migrantes que chegavam à nova Capital e acabaram vivendo em favelas. Com a Comissão de Erradicação das Invasões, o governo à época pretendia construir novas cidades para dar dignidade a essas 79.128 pessoas em situação de vulnerabilidade.

Habitada, em sua maioria, por nordestinos, Ceilândia cresceu com fortes tendências culturais. Com um crescimento, segundo pesquisa da Codeplan (Companhia de Planejamento do Distrito Federal), de 5,5% ao ano, a cidade vive hoje uma realidade diferente.

Com uma área inferior à de outras regiões do Distrito Federal, como Planaltina, Ceilândia tem uma população, segundo pesquisa ainda não divulgada da Codeplan deste ano, superior a 600 mil habitantes. A quantia supera o número de habitantes de capitais como Aracajú (632.744), em Sergipe e Cuiabá (580.489), no Mato Grosso.

Violência

Nos noticiários, Ceilândia fez parte, por muito tempo, das passagens policiais. Ao longo dos anos, o que o administrador considera um "estigma" de violência, tem caído nos dados da Secretaria de Segurança Pública do DF. "Tinha estigma. Uma cidade populosa como a Ceilândia não podia ser diferente, mas nós temos mudado isso. O governador colocou aí mais 200 homens na questão da segurança pública da nossa cidade. Cem homens para o 8º Batalhão e mais cem homens para o 10º Batalhão. Eu acho que ainda é pouco, mas já melhorou bastante."

Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do DF, de janeiro a outubro deste ano, houve redução de 22,4% no crime de homicídio na região de Ceilândia em comparação ao mesmo período do ano passado. Foram 107 casos em 2014, contra 83 este ano. Nos CCP (Crimes contra o Patrimônio), houve queda de 10,6% Integram os CCP os roubos a transeunte, de veículo, em coletivo, em comércio e o furto em veículo. Nos roubos em residência, houve um aumento de 20,4% neste ano em relação ao ano passado, de 93 para 112 casos.

Alguns casos de violência dentro de escolas públicas chamaram atenção para Ceilândia. Em um dos casos, alunos invadiram a escola e picharam ameaças aos diretores, que abandonaram seus cargos. Outros casos de tráfico dentro do ambiente escolar e violência contra os professores foram divulgados ao longo do ano passado. Segundo o administrador, a situação tem sido controlada a partir de projetos culturais junto aos alunos e com maior policiamento. "Nós tivemos uma reunião com o diretor da Regional de Ensino para afinar as nossas ideias e ver o que era possível fazer em conjunto. Muito foi feito pela edução graças a essa parceria. A questão do grafite nas escolas reduziu drasticamente a violência."

Saúde

O administrador reclama que as unidades de saúde pública existentes já não são suficientes para atender à população. Ele acrescenta ainda que não adianta só o espaço físico, mas são necessários profissionais. Reclamação frequente no Hospital Regional de Ceilândia, onde nossa equipe de reportagem não encontrou escala nem médicos. Apenas pacientes retornando em busca de atendimento depois de dias de tentativa. Uma das pacientes, que não quis se identificar, mostrou uma nota fiscal no valor de R$ 37. Ela precisou comprar esparadrapo para um curativo.

Segundo Vilson, já tem uma área determinada para o novo hospital. O descampado, logo acima da UPA, aguarda a liberação do dinheiro para ter as obras iniciadas. Ansioso, o administrador acredita que "ano que vem vai ter recurso já para o inicio da construção desse novo hospital. Equipando e trazendo médicos, acredito que em um curto período de prazo a gente vai ter solução pelo menos para melhorar essa questão da saúde".

Sol Nascente

Criada para dar dignidade a uma população que vivia em favelas no DF nos anos 1960, quando Brasília atraía migrantes de todas as partes do país em busca de oportunidades, Ceilândia vive hoje uma realidade inesperada. A maior favela da América-Latina, segundo pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cresce na cidade. O Sol Nascente surgiu sem muito planejamento e foi se expandindo em ruelas e esquinas sem nenhuma infraestrutura nem autorização. As terras, griladas, foram vendidas de forma ilegal muito rapidamente. Com uma população de quase 80 mil moradores, o Sol Nascente tem 10 mil moradores a mais que a Rocinha, no Rio de Janeiro.

No começo do ano, o bairro ficou conhecido nacionalmente por um triste episódio de derrubadas de barracos. De lá para cá, o administrador garante que o governo tem coibido novas invasões e continua derrubando, estrategicamente, casinhas que ocupam áreas de interesse para a instalação de infraestrutura e urbanização da cidade, ou casas que estejam em locais de prejuízo ao meio ambiente.

Segundo o administrador, as obras de infraestrutura para regularização do bairro estão fluindo bem. "No trecho I, já foi feita captação de água pluvial, esgoto, meio-fio e já começou o calçamento das ruas. Algumas ruas estão sendo feitas com intertravados para fazer a permeabilização do solo e algumas ruas vão ser feitas com pavimentação asfáltica. No trecho II, já iniciaram as obras, já estão fazendo as bacias de captação de água pluvial, a duplicação da via principal. No trecho III, tem uma bacia que já está sendo construída há algum tempo e que vai atender à QNQ e à QNR."
Segundo Vilson, o custo total com as obras de urbanização dos trechos I, II e III do Sol Nascente devem chegar a R$500 milhões.

*Informações do portal Fato On line (https://t.co/MXS54V89YX) com ressalva.
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